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Brasil: SAFRA 2005

A forte estiagem, aliada a outros motivos climáticos quase perfeitos, é responsável por um ano especial na história da vitivinicultura brasileira. A safra de 2005 promete vinhos de padrão internacional.

por Dirceu Scottá e Mauro Zanus*


Não é fácil elaborar um grande Chardonnay. Por ser uma uva fina, da espécie Vitis vinífera, exige uma série de cuidados desde a brotação até a colheita. É durante o período de maturação, no entanto, que as preocupações são maiores. As uvas só amadurecem por completo se houver elevada insolação e as chuvas forem escassas, restringindo a quantidade de água no solo. A baixa umidade do ar também é fundamental, pois evita o surgimento da podridão ácida e o desenvolvimento da Botrytis e Glomerella.

fotos: Big Box of the ArtOs dados meteorológicos mostram que, a partir de meados de novembro de 2004, houve uma enorme diminuição no volume de precipitação pluviométrica, a qual se estendeu até meados de março. A restrição de água e a abundância de luz, que se estendeu durante todo o período de maturação, favoreceu o acúmulo de açúcares e a completa maturação dos frutos. As noites com temperaturas amenas também foram importantes para evitar a degradação excessiva da acidez e dos precursores dos aromas.

Na região de Bento Gonçalves, a colheita do Chardonnay iniciou no dia 19 de janeiro. As uvas estavam bem melhores que em 2004 e se apresentavam com uma coloração amarelada, sadias e concentradas em açúcares. As cascas não tinham gosto herbáceo (vegetal) e as sementes estavam escurecidas, de cor marrom, indicando um elevado desenvolvimento fi siológico do fruto. O grau de maturação foi de cerca de 18o Babo e a acidez de, aproximadamente, 100 meq/L, condição que se estendeu por toda a região da Serra Gaúcha, uma vez que as condições climáticas foram semelhantes em toda a área.

Em 2005, como conseqüência dessas uvas de excepcional qualidade, há a expectativa de que as vinícolas da região da Serra Gaúcha produzam vinhos Chardonnay de classe internacional, com um aroma varietal mais pronunciado, com notas que lembram abacaxi, melão, pêra e frutos cítricos. Para aqueles a serem fermentados em barricas de carvalho (e estas são ótimas uvas para o emprego dessa técnica, pois o mosto tem elevada capacidade antioxidante), podem se desenvolver, ainda, as notas de tostado, baunilha, caramelo, manteiga e coco. No paladar, esses vinhos têm o potencial de serem macios, com uma acidez moderada e elevada expressão de sabor e persistência.


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