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O gênio da cepa (parte 1)
Para entender o vinho é fundamental o estudo dos tipos de uva, ou castas. Começamos com as tintas

por Marcelo Copello



Embora cultivada em terroirs distintos, a mesma cepa imprime características comuns ao vinho

"Depois de uma boa refeição, a um conhecedor de vinhos foram oferecidas uvas como sobremesa. ‘Obrigado’, disse ele, ‘mas não tenho o hábito de tomar meu vinho em pílulas’”. (Brillat-Savarin, gastrônomo francês, 1755-1826)

Vinho é simplesmente o produto da fermentação do mosto (ou suco de uva). Grosso modo, cada garrafa contém o equivalente ao suco de um quilo de uvas frescas, e cada parreira produz cerca de três quilos desta fruta. Mas até que ponto a uva, como matéria prima, influencia a qualidade final do vinho? Mesmo cultivadas em solos diferentes e processadas das maneiras mais diversas, as cepas – também chamadas de castas, variedades, tipos ou subespécies de uvas –, imprimem, na bebida, características comuns. Como diria o gastrônomo francês do século XVI, Olivier de Sèvre: “O gênio do vinho está na cepa”.

As castas podem ser classificadas de diversas maneiras: quanto ao seu ciclo anual; se florescem mais cedo; se maturam mais tarde; quanto ao formato de suas folhas; quanto a resistência a pragas; quanto ao rendimento (se cada pé produz mais ou menos uvas); quanto sua adaptação a invernos frios; se têm bagos maiores ou menores, cascas grossas ou finas; mais ou menos matéria colorante nas cascas; se têm caules mais ou menos resistentes, entre outros.

As castas podem ser classificadas de diversas maneiras: quanto ao seu ciclo anual; se florescem mais cedo; se maturam mais tarde; quanto ao formato de suas folhas; quanto a resistência a pragas; quanto ao rendimento (se cada pé produz mais ou menos uvas); quanto sua adaptação a invernos frios; se têm bagos maiores ou menores, cascas grossas ou finas; mais ou menos matéria colorante nas cascas; se têm caules mais ou menos resistentes, entre outros.

As castas podem ser classificadas de diversas maneiras: quanto ao seu ciclo anual; se florescem mais cedo; se maturam mais tarde; quanto ao formato de suas folhas; quanto a resistência a pragas; quanto ao rendimento (se cada pé produz mais ou menos uvas); quanto sua adaptação a invernos frios; se têm bagos maiores ou menores, cascas grossas ou finas; mais ou menos matéria colorante nas cascas; se têm caules mais ou menos resistentes, entre outros.

Dentre as tintas listarei 20 das mais importantes com as suas características, em ordem alfabética, neste e no próximo mês.

● Alicante Bouschet: uva tintureira (que possui muita matéria corante, não apenas em sua casca, mas também em sua polpa, conferindo cor escura aos vinhos). Originária do sul da França, criada por Henri Bouschet (1865-1885), usada quase sempre em cortes com outras uvas, pois muitas vezes carece de aromas e elegância, sendo tânica e estruturada. Cultivada em vários países, hoje seus exemplares que chegam ao Brasil vem quase todos de Portugal, em especial do Alentejo. Seu expoente mais ilustre é o vinho alentejano Mouchão, que também leva cerca de 20 a 30% da uva Trincadeira.

● Baga: sinônimo da região portuguesa da Bairrada, no norte do país, onde a variedade equivale a 90% das tintas plantadas. É de difícil cultivo, e quase sempre gera vinhos muito taninosos e de boa acidez. São vinhos potentes, ásperos quando jovens, mas com ótimo potencial de guarda. A maior referência no cultivo dessa uva é o produtor Luis Pato.

● Barbera: uva de origem italiana, uma das variedades mais plantadas no país. Presente em várias regiões, mas associada ao Piemonte, onde gera desde vinhos de estilo mais leves, frutados para o dia-a-dia, até grandes vinhos potentes, amadurecidos em carvalho novo e de longa guarda. Se caracteriza por boa acidez e boa cor. O introdutor dos barris de carvalhos novos para a Barbera foi Giacomo Bologna, com seu vinho “Bricco dell´Uccellone”, um dos grandes exemplares desta cepa.

Castelão: também conhecida como Periquita. Uma das tintas mais plantadas de Portugal, especialmente em regiões do sul, como na península de Setúbal, onde gera os vinhos DOC Palmela, entre outros. Casta muito versátil, produz desde vinhos leves e frutados até outros mais estruturados e longevos. Toques de aromas animais é uma de suas características marcantes.

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