Branco, tinto ou rosado, o vinho é certamente a bebida alcoólica que mais se destaca pela fineza e complexidade de seus aromas.
Provenientes da uva, da fermentação ou da guarda, eles refletem na mucosa olfativa do degustador a presença de centenas de componentes odoríferos que a bebida armazena, em quantidades ínfimas.
Alguns deles são mais freqüentes ou mais pronunciados e cercam-se de curiosidades quanto a sua origem. Abaixo, alguns deles.
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| Aroma de framboesa, o mais frequente nos tintos |
Com aroma de framboesa - A framboeseira é um arbusto da família das rosáceas que surge em estado silvestre nas matas do hemisfério norte. Rara no Brasil, pode ser encontrada em São Paulo, nas redondezas de Campos do Jordão, e esparsamente em estados sulinos.
Seu fruto vermelho, escuro e corrugado - a framboesa - é rico em pectinas, próprio, portanto, para geléias. Não sendo uma fruta comum entre nós, reconhecemos sua presença pelo odor das geléias ou licores produzidos a partir dela.
Trata-se de uma fruta conhecida e consumida no continente europeu desde tempos imemoriais, o que pode ser confirmado por seu nome botânico "rubus idaeus", isto é, o "arbusto do Monte Ida", referência à existência da planta na montanha de Creta, onde Zeus teria nascido, se é que os deuses nascem...
O aroma de framboesa no vinho, perceptível em grande número de tintos, deve-se à presença da frambinona - nome comum da fenilbutanona - substância com odor de framboesa que se forma durante a fermentação.
Tendo efetuado um levantamento em cerca de duzentos vinhos diferentes, posso afirmar que o aroma de framboesa é o mais freqüente nos tintos.
Se você não se deu conta disso, sugiro procurá-lo em sua próxima degustação de Cabernet, Syrah, Nebbiolo e Tempranillo europeus, ou de Malbec, Tannat, Carmenère e Zinfandel do Novo Mundo. Faça isso após provar várias vezes a geléia da frutinha para memorizar seu gosto.
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