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Matthew Green/A POLÊMICA TAXA DA ROLHA
Caros amigos da ADEGA, em primeiro lugar, parabéns. Eu não conhecia a revista, mas o título da matéria de capa (no UOL do dia 27 de novembro de 2006, "Rolhas nos Restaurantes: uma Polêmica", chamou-me a atenção - é um tema sobre o qual meus amigos e eu sempre debatemos. Li a matéria (muito boa, embora enviesada com mais opiniões de restauranteurs do que de clientes) e fui ao site. Naveguei um pouco e achei a revista ótima. Mando aqui, humildemente, uma opinião para ser adicionada à polêmica: nada é tão inexorável quanto a força do mercado, não adianta brigar com ele, pois seria como brigar com a força da gravidade. Os restaurantes que oferecerem um serviço de qualidade compatível com o preço terão clientes fiéis, a casa cheia e com interessante retorno econômico, enquanto os restaurantes com custo-benefício ruim vão ter que sair do mercado. Mas a grande novidade é que o consumidor é crescentemente esclarecido e uma das componentes mais importantes do "serviço" (que engloba desde a qualidade da comida propriamente dita até a qualidade do atendimento) é o "vinho" - essencial para o whole experience, e mais a percepção do "custo-benefício" da refeição. Ainda que essa relação seja subjetiva e "não explícita" para a maioria dos consumidores, 99% de todos nós fazemos "cálculo" de custo benefício. E quanto ao tema vinho, só dois tipos de restaurantes vão ser bem-sucedidos no médio/longo prazo:
a) aqueles com cartas "honestas" - com patamar de lucro razoável para vinhos médios e um lucro um pouco maior para os vinhos caros, de menor giro (para considerar o tempo médio maior de "capital empatado" no estoque da adega);
b) os que permitem ao cliente levar seu vinho, cobrando a rolha ou não; c) os restaurantes que unem ambos, o apuro técnico do sommelier na criação e manutenção da carta no item "a" e a simpatia da flexibilidade para com os clientes, no item "b".

Mas por que não expandimos o tema? Já que mesmo uma discussão intelectualmente estéril pode ser divertida; embora quase sempre, mais para quem escreve do que para quem lê! Abraços, Virgílio Ignácio Neves Oliveira

Prezado Virgílio, o tema é polêmico no universo gastronômico das principais capitais do país. Agradecemos seus elo-gios e opiniões, que enriquecem ainda mais a discussão sobre a Taxa da Rolha. Continue conosco. Será um prazer contar com sua colaboração.

O POLÊMICO ED MOTTA
Como assinante de ADEGA, leio com prazer a revista todos os meses. Cada exemplar é melhor que o anterior. Na edição de outubro li e reli a "Minha Adega". Eu entendo que opinião é um direito de todos. São posturas que todos devem respeitar e cada um pode falar as "suas" verdades. Mas o que salta aos olhos do leitor é a radicalização! Convenhamos que é um extremo excesso o Ed Mota dizer que "Bordeaux é meio Flamengo, meio Corinthians, meio lugar-comum, como chocolate, roupa preta... é a preferência óbvia de todos". E para quê? Nem entre os próprios franceses existe essa esgrima entre Bordeaux e Borgonha. Cada estilo tem seu imenso valor. Penso: o moço que começou a beber vinho esses dias já fala assim? Também chama os vinhos chilenos de "imitação" e diz que a "obviedade" - nos vinhos, naturalmente - lhe dá nojo? Coitado do leitor. Com certeza leu, como eu, a opinião do moço. E, depois disso, continuamos nós, bebendo e entendendo cada vez mais de vinhos... e não só "fazendo de conta". Mas vinho é paixão também. Por isso, o moço pode continuar aprendendo a beber os Borgonha. Estará sempre em boa companhia. Féres O. Jáber

Caro Féres, Obrigado pelos elogios e por expressar as suas opiniões com sinceridade. Como você mesmo disse, vinho é paixão, como o futebol. A revista ADEGA é democrática e pretende ser o espaço de discussão de idéias entre apaixonados por vinho. Não importa o time.

 
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