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Paladar Aguçadíssimo
Viaje pelos sentidos nessa seção de ADEGA, em que casar pratos com vinho é nosso maior desafio

por Luiz Gastão Bolonhez



“Coda in su Salsa e Crescione”

No 1º dia de fevereiro tivemos o prazer de reunir um seleto grupo de apaixonados pela boa mesa no Aguzzo. Todos estavam ansiosos por uma noite de harmonizações que prometia surpreender. Os presentes à mesa eram Jorge Tena (advogado), Rino Filho (publicitário), Waldemar Magaldi (psicanalista), Sergio Sterenberg (executivo da indústria automobilística), Cesário Galli (empresário), Ennio Federico (enófilo), Christian Burgos (Publisher de Adega) e eu, seu editor de vinhos.

O primeiro encontro à mesa foi com o “Scagli di Baccalá, Patate e Porri” acompanhado pelo delicioso “Franciacorta Brut da Ca del Bosco”, vinícola comandada pelo excêntrico Maurizio Zanella.

As intensas lascas de bacalhau entrelaçadas às batatas cozidas e ao alho poró estavam em completa sintonia, mas ao se encontrarem com o elegante espumante, a sensação foi de plena complementaridade. A harmonização com o espumante e sua deliciosa acidez arrancou de Sergio a frase: “Perfeita combinação, uma sensação maravilhosa”.

Esse prato deixou todos à mesa aguçadíssimos, que era sem dúvida um dos nossos objetivos, mais precisamente do Sr. Osmanio Rezende, que batizou seu restaurante com esse nome provocador, Aguzzo (aguçado em português).

O 2º round foi um verdadeiro casamento. De um lado estava o “Gnocchi della Casa”, uma massa feita com massa de batata, ricota e espinafre. É tão leve que se desmancha na boca. Para contrastar com essa suavidade, chega acompanhado de um rico molho de gorgonzola de sabor marcante. Do outro lado tínhamos que colocar um vinho que tivesse presença, força e, ao mesmo tempo, finesse. O consorte do Gnocchi na mesa foi o impressionante “Tokay Pinot Gris Cuveé St Catherine 2002”, da Domaine Weinbach. A força do vinho provinha de seus 14º de álcool, a finesse vinha da doçura e a presença era derivada do exotismo dessa uva que apresenta toques de especiarias e muita densidade. “Pura harmonia” foi o comentário de Waldemar.

A seqüência se deu com o encontro do “Cappelini Neri com Calamari, Polpo e Rucola” com o “Mâcon-Pierreclos Tri de Chavigne 2004” da Domaine Guffens Heynen (Verget). O prato parece um tanto exótico, mas como um bom clássico, agrada muito pela suavidade da massa, acompanhada de anéis de lula e pequenos pedaços de polvo. A rúcula acrescenta um toque bastante feliz ao prato, pois seu leve amargor cria uma harmonia maior para o conjunto. Na hora em que colocamos na boca o elegantíssimo Chardonnay, com intensos toques minerais, o conjunto ficou esplendoroso. Christian suspirou na mesa e comentou: “Não há dúvidas que o vinho branco é essencial em um belo jantar”.

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