Barricas ao mar
A tanoaria francesa Tonnellerie Boutes perdeu 168 barricas de carvalho provenientes das florestas de Alliers e Vosges, em um naufrágio perto de Devon, na costa da Inglaterra, de um cargueiro que as transportava com destino a vinicultores da África do Sul. O valor da carga excede 100 mil Euros. Embora flutuem, as barricas tornam-se imprestáveis após o contato com a água do mar. A empresa será ressarcida pela seguradora, mas os produtores sul-africanos terão que esperar alguns meses para repor estas barricas de alta qualidade, escassas no mercado e reservadas a vinhos de alta gama. Poucos dias após o naufrágio, na praia perto de Branscombe, tornou-se comum a cena de "saqueadores" carregando, nas costas, barricas vazias. Mas a reclamação era geral: "Elas estão vazias".
Rótulos repaginados I
Os membros do World Wine Trade Group, associação de agências governamentais e representantes da indústria do vinho da Austrália, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Argentina, Chile e África do Sul, acabam de assinar tratado padronizando rótulos. Pelo protocolo, as vinícolas poderão ter um único rótulo contendo informações básicas do vinho como país, nome, volume e teor alcoólico. O contra-rótulo não será padronizado, e conterá informações que atendam às exigências dos mercados importadores. Segundo a Winemakers Federation of Australia, a medida produzirá uma economia anual de US$ 25 milhões na Austrália, já a partir de 2008.
A indústria da desalcoolização
Em recente artigo, a Wine Appellation America veiculou a matéria intitulada Cutting the Alcohol in Wine: What Wineries D'ont Want You to Know (Retirando Álcool do Vinho: O Que as Vinícolas Não Querem Que Você Saiba).
O artigo aborda um procedimento que vem ocorrendo em proporções crescentes nas cantinas californianas. Trata-se da desalcoolização do vinho, ou seja, a redução de seu teor alcoólico. Em um galpão, milhões de galões de vinho anônimo são bombeados através de máquinas. O vinho é recirculado sob pressão através de colméias e submetido ao processo de Osmose Inversa. E voilà, em pouco tempo, seu teor alcoólico é reajustado de 15,5º para 14,4º. De acordo com dados oficiais, 5% da produção da Califórnia passam por esse processo. Independentemente do método, muitas grandes corporações do setor utilizam algum procedimento de desalcoolização a fim de enquadrar-se numa alíquota inferior de impostos. Negócios são negócios. Mas... adeus ao charme do vinho artesanal.
Rótulos repaginados II
Vários Rieslings alemães cruzaram um divisor cultural aparentemente inexpugnável. Seus tradicionais rótulos barrocos, com palavras hepta-silábicas, e em estilo bem prussiano, começaram a mudar seu visual, movidos por uma percepção mercadológica visando, principalmente, o mercado norte-americano. "O consumidor está cansado da barreira lingüística", declarou Thomas Haen, diretor de vendas da Rudi West Selections, maior importador de vinhos alemães para os Estados Unidos. Agora, vinhos das tradicionais regiões do Mosel-Saar-Ruwer, Rheinhessen, Pfaltz e Nahe passam a ser oferecidos ao mercado sob nomes como Relax, Bloom e Clean Slate, sem nenhuma palavra germânica no rótulo.
É mais um revés da cultura diante da globalização.
Vignobles de France
Os vinicultores franceses estão prestes a lançar vinhos sob uma nova designação: Vignobles de France. Destinados a abrigar vinhos desvinculados de qualquer appellation e visando uma maior competitividade com os vinhos do Novo Mundo. Esta nova designação permitirá, através de regras extremamente tolerantes, adequar os vinhos a diversos gostos regionais - mais doces para o Japão ou mais estruturados- alcoólicos para os EUA. Esta categoria formaria a base da hierarquia de vinhos franceses acima da qual situar-se-ão os Vins du Pays.
Chef tri-estrelada
A chef Anne-Sophie Pic, 37 anos, tornou- se a primeira mulher em 50 anos a ser contemplada com três estrelas pelo conceituado Guide Michelin.
Com a publicação da nova edição francesa do guia, no final de fevereiro, Pic torna-se uma das quatro mulheres a receber a distinção máxima da gastronomia. Ela junta-se a Eugenie Brazier e Marie Bourgeois (1933) e Marguerite Bize (1951). Em contrapartida, os renomados restaurantes George V e Taillevant, de Paris, perderam uma estrela, ficando com duas.