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Supertoscanos, os fora-da-lei mais famosos do mundo do vinho
Descubra o renascimento do vinho italiano e conheça os melhores supertoscanos no mercado nacional

por Marcelo Copello



fotos: Mauro Sorze/Stock.Xchng
Alguns produtores deixaram a tradição de lado e modernizaram o estilo de vinho da região

A própria legislação italiana, vilã do início desta história, vem se adaptando e absorvendo as mudanças nos vinhos. Em 1994, um decreto ministerial criou a DOC (Denominazione di Origine Controllata) Bolgheri, que permitia ao Sassicaia ser rotulado como "DOC". Hoje algumas DOC muito tradicionais já permitem adição de um certo percentual de uvas "estrangeiras". Muitos dos supertoscanos também recebem atualmente a classificação de IGT-Toscana ou Indicazione Goegrafica Típica, mais flexível que uma DOC.

O importante a ressaltar a respeito dos vinhos que refizeram o nome da Itália é que, apesar de muitos serem feitos com castas estrangeiras e seguindo novas tendências do consumo, são vinhos inconfundivelmente italianos. Enquanto muitos exemplares californianos, chilenos ou australianos, feitos com Cabernet Sauvignon, e amadurecidos em carvalho novo, se confundem, sendo difícil distinguir sua origem, os "supertoscanos" têm um caráter claramente italiano. O Tignanelo não deixa de ser um Chianti, modificado e refinado. O renascimento do vinho italiano baniu o conservadorismo, o amadorismo e a falta de imaginação, confirmando que vinho se faz não só de uvas, mas de pessoas e idéias.

Vinhedo na Toscana

O renascimento italiano passo-a-passo
Até a década de 1960, a grande maioria dos vinhos italianos era de qualidade inferior, com algumas exceções, como os Barolos e Brunellos, que apenas confirmam a regra. Ao longo desta década uma nova geração de vinhateiros surgiu, entre eles nomes como o do Marquês Piero Antinori,atualque assumiu, em 1966, a vinícola da família, e Ângelo Gaja que, em 1961, tomou o lugar de seu pai na direção da vinícola piemontesa.

Os primeiros anos da década de 70 foram de safras inferiores o que, junto com a superprodução e a rigidez das leis nacionais fizeram com que a indústria do vinho italiano entrasse em crise. O fato suscitou uma reação dos produtores em busca de soluções para aprimorar a qualidade de seus vinhos.

Em 1971, foi feita a primeira colheita do Tignanelo, produzido por Piero Antinori, que marca o início embrionário da produção de vinhos "fora da lei" na Itália. Outros começaram a ser feitos nestes moldes durante os anos seguintes, como o Sassicaia, produzido pela Tenuta di San Guido. Esta vinícola pertencia ao Marquês Niccolò Incisa, primo de Piero Antinori, que emprestou seu enólogo Giacomo Tachis para aperfeiçoar o vinho e comercializou as primeiras safras do mesmo. Seguiram-se outros como o Darmagi, produzido por Angelo Gaja, um Cabernet Sauvignon 100% que viria a receber prêmios em todo o mundo. E o mítico L´Aparita, um Merlot 100%, feito pelo do Castello di Ama.

O primeiro reconhecimento veio em 1979, quando a importante revista inglesa Decanter elegeu o Sassicaia o melhor em um concurso de Cabernet Sauvignons de onze países. A partir deste evento, os vinhos italianos começaram a ser aclamados em todo o mundo, culminando com os recentes prêmios da revista americana Wine Spectator, uma das mais importantes publicações do gênero. Ela elegeu em 2000 o Solaia 1997, de Piero Antinori, o melhor vinho do mundo naquele ano. Em 2001, a dose se repetiu com o número 1 ocupado pelo Ornellaia 1998, da Tenuta dell'Ornellaia, pertencente a Lodovico Antinori, irmão de Piero.

Hoje a qualidade italiana se estendeu a novos vinhos de todas a regiões e também a alguns vinhos clássicos que outrora andaram decandetes, como os Brunellos di Montalcino, que se renovaram e conquistaram com o Brunello di Montalcino Casanova di Neri 2001, da Tenuta Nuova, o mais recente "wine of the year" da Wine Spectator.

Adega testou 12 supertoscanos do mais alto gabarito. Confira na CAVE (página 72).

 

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