O ritual de degustação do charuto pode ser comparado ao do vinho. O enófilo procura uma loja especializada para comprar seu estilo de vinho preferido. Se conhecer pouco do universo de Baco, pedirá auxílio aos atendentes. Com mais experiência, poderá delimitar os vinhos que mais agradam seu paladar. Da mesma maneira que um connaisseur não comprará um Grand Cru Classé armazenado de forma inadequada, com a garrafa em pé, por exemplo, ou em temperaturas impróprias, um apreciador de charutos evitará as peças que estiverem ressecadas e com a capa danificada. A seguir, o passo a passo para a degustação prazerosa de charutos, com ou sem anilha (confira alguns termos no "Dicionário Cigar", no final do artigo).
1. Em Busca do Charuto Prometido
Atualmente, encontrar charutos de boa procedência no Brasil não é uma tarefa fácil. Mas, em lojas especializadas, há vendedores bem treinados que podem orientar na escolha de charutos e acessórios.
2. Aprendendo com a prática
Caso seja iniciado, peça um charuto que agrade seu paladar. Se você for neófito, escolha um charuto mais suave e de curto tempo de queima. Este cuidado vai evitar uma decepção prematura no prazer da degustação.
3. A boa escolha visual
Observar a condição de um charuto antes da compra é uma etapa importante, que deve ser apreciada com calma. É possível comprar charutos avulsos, o que permite a seleção dos melhores. Os charutos devem ter uma boa apresentação de capa - elas não podem estar danificadas, rasgadas, soltas ou ásperas demais. Em uma caixa completa, as anilhas devem estar na mesma posição e as capas com uma coloração uniforme, podendo apresentar uma sutil diferença.
4. A boa escolha sensitiva
Esteja à vontade para pegar um ou mais charutos para sentir sua textura, passando seus dedos pela capa. Prefira sempre as mais lisas e uniformes. Leve o charuto ao nariz para sentir o aroma, tanto da capa quanto do filler interno. Faça isso pela extremidade aberta do charuto. Os charutos, assim como os vinhos, podem mudar o blend dependendo dos formatos e das safras.
5. Desfecho da compra sem receios
Evite charutos duros demais ou com saliências em sua construção. Essas características podem ser detectadas segurandose o charuto entre o indicador e o polegar e pressionando-o suavemente para sentir a umidade e eventuais talos que comprometam o fluxo da fumaça. A oleosidade das capas é um bom sinal. O charuto bem ressecado apresenta uma capa bastante áspera e um corpo mais duro, sinais de que foi mal armazenado ou é de má qualidade.
O toque e o olfato são excelentes indicadores para uma boa aquisição. Uma dica: não leve o charuto ao ouvido para pressioná-lo até estalar.
6. O corte seguro
O corte de seu charuto é muito importante no processo da degustação. O charuto pode ser cortado ou furado - existem variações entre eles -, modificando a concentração da fumaça, o que pode aumentar ou diminuir o fluxo. Um iniciante deve dar preferência ao corte, pois ele proporcionará um maior volume de fumaça e um fluxo mais agradável e suave. Caso nunca tenha cortado um charuto, peça ao vendedor uma demonstração. E pratique.
O corte deve ser feito centímetros antes do acabamento da capa demarcado pela "tampa". Os cortadores de lâminas duplas, conhecidos como guilhotinas, são os mais precisos.
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