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A nova promessa

A uva Syrah produz vinhos de estilos diversificados que prometem conquistar o mundo. Conheça seus segredos e os melhores rótulos disponíveis no mercado

por Luiz Gastão Bolonhez


Certa vez, enquanto caminhava em direção ao monastério francês de Lérins, junto ao mar, São Patrício teria plantado a uva Syrah no Monte Hermitage, em Rhône. Algumas pessoas situam o “nascimento” dessa variedade na Pérsia, em uma cidade batizada de Shyraz. Em outra versão sobre sua origem – a mais interessante –, ela nasceu na terra dos Faraós, atravessou a Itália, passando por Siracusa (na Sicília) e desembarcou no Vale do Rhône. Não importa quais caminhos a Syrah percorreu antes de chegar nas taças, mas sim que ela tem conquistado, cada vez mais, os paladares de todo o mundo. O que há de tão especial nessa uva? É uma cepa de boa produtividade e de colheita não muito tardia. Profunda e densa. Tem sua qualidade reduzida quando os volumes de uva por hectare são muito altos. E não deve ficar na parreira por mais tempo do que o adequado, pois tem a tendência de perder aromas e acidez.

Ao iniciar a preparação dessa matéria, assumindo a missão de antecipar mais uma vez as tendências do mercado consumidor internacional de vinho, tive uma grata surpresa: as importadoras brasileiras estão preparadíssimas para oferecer uma gama enorme de vinhos feitos a partir dessa uva encantadora. Quase todas elas têm em seus estoques muitas e muitas garrafas, com destaque para uma impressionante enxurrada de grandes produtores da Austrália, país que, fora da França, tem o que há de melhor em Syrah (que lá é chamada de Shiraz).

Syrah: potência e profundidade da Cabernet Sauvignon com a explosão de aromas da Pinot Noir

Geralmente ao se abordar vinhos tintos, existem duas uvas que representam extremos opostos, dividindo muitos corações ao redor do mundo. De um lado a Cabernet Sauvignon, conhecida como a rainha das uvas e representada em quase todas as regiões do mundo. Uma cepa versátil que conseguiu produzir grandes tintos em todos os continentes. Potente, muscular e austera. Do outro lado, a Pinot Noir, a mais “complicada” das variedades no quesito adaptação. Só em alguns poucos terrenos fora da Borgonha, na França, consegue-se produzir vinhos de alto gabarito com essa intrigante uva. Delicada, elegante, expressiva e com muita finesse.

O leitor deve estar se perguntando onde se situa a Syrah/Shiraz entre esses extremos. Pois bem, ela possui a potência e a profundidade do Cabernet Sauvignon (sem aqueles quase indomáveis taninos) e os aromas explosivos e as sutis complexidades da Pinot Noir. Normalmente, os vinhos a base dessa uva são vendidos por preços menores do que os equivalentes de suas rivais. E vale ressaltar que, por sua sensibilidade ao terroir (palavra que inclui solo e condições climáticas), produz diferentes estilos de vinho, dependendo de sua origem geográfica.

Já na década de 80, os americanos previam que a Syrah seria uma grande uva para o novo milênio. Em 1990, na Califórnia, existiam 340 acres plantados desta cepa. No final de 2002, a área de Syrah tinha atingido um pouco mais de 16.000 acres, um crescimento aproximado de 4.600%. Além da França e da Austrália, que se destacam tanto na oferta quanto na qualidade de seus Syrah/Shiraz, outros países tem alcançado resultados muito interessantes, como Argentina, Chile, Espanha, Portugal, África do Sul e Estados Unidos.

França

Hoje a Syrah é um ícone da viticultura francesa, após uma injusta desvalorização iniciada em meados do século 20. Para quem não sabe, o único vinho no mundo que fazia sombra aos grandes Bordeaux nos séculos XIX, e até início do século XX, era o Hermitage, feito com essa uva e produzido na cidade de Tain-l’Hermitage, à beira do Rio Rhône. Essa cepa reina absoluta no Vale do Rhône, mais especificamente ao norte desse vale, com início ao sul da cidade de Vienne (à beira do Rio Rhône), e chegando até um pouco ao sul da cidade de Valence, também às margens desse imponente rio.

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