POLÊMICA DO VINHO
Foi com um misto de pesar e revolta que li a reportagem da seção “Acontece” da edição Adega nº 26, com o título “Volta ao passado”, feita pela Sra. Sílvia Mascella Rosa. Pesar pelo fato dela não reconhecer o trabalho de pesquisa no desenvolvimento de uvas próprias para o estado de São Paulo, trabalho este realizado pelo IAC – Jundiaí, e pela visão preconceituosa sobre um produto suscetível a longas discussões.
Basicamente a definição de vinho mundialmente aceita é de um produto da fermentação alcoólica do mosto de uvas frescas e sadias, não especificando aqui qual família, se vinífera, rupresti, lambrusca, simplesmente “uva”. Quem disse que o vinho deve ser feito só de uva vinífera? Quem disse que o vinho deva ser uma bebida complexa com aromas, sabores, gostos e retro-gostos perceptíveis por alguns iniciados, ou melhor, como a grande maioria, que se acha iniciada? Mas retornando ao assunto principal, achamos que a referida repórter foi extremamente preconceituosa, aí a revolta, por não valorizar o trabalho de pessoas como o Prof. Cláudio Messias e outros envolvidos na realização do evento, simplesmente por uma opinião pessoal, intempestiva e de valor questionável mostrando um desconhecimento da situação atual e passada da produção de uva e vinho do estado de São Paulo, bem como o trabalho até aqui realizado para retomar a vitivinicultura em nosso estado. Quando a repórter fala em “exige humildade perante o mercado e sapiência para não se deixar seduzir pela via mais curta”, será que ela sabe do que fala? Existe espaço para todos, seja de vinhos de vinífera, seja de vinhos de híbridas ou lambruscas. Nem todo mundo bebe vinho para ficar fazendo revoluções com a taça e o cheirando a cada gole; existem pessoas que tomam pelo simples prazer de apreciar uma bebida bem feita e cujo aroma e gosto primário é mais que suficiente para trazer o prazer de bebê-la.
Marco Antonio da Silva, Coordenador da U.V.A. – União dos Vinicultores Artesanais
Prezado Sr. Marco Antonio, Antes de mais nada, agradeço seus comentários. A imprensa especializada também precisa de críticos. Logo após a prova das 25 amostras de vinhos do painel da UNICAMP, durante a qual infelizmente não me lembro de tê-lo conhecido, os degustadores chegaram à conclusão de que a maioria dos vinhos apresentados (muitos dos quais estão à venda no mercado) não foram produzidos com o rigor de qualidade esperado, mesmo para o tipo de vinhos que representam. Algumas das amostras não puderam nem sequer ser pontuadas, tal a falta de qualidade dos produtos. Não critiquei o trabalho da UNICAMP, muito menos do estudioso professor Claudio Messias. Mas critico sim, o desejo de continuar fazendo produtos de qualidade duvidosa, que não atendam a um mercado em transformação e nem busquem um aprimoramento do paladar de cada cidadão, que merece beber bem, com responsabilidade e critério.
Atenciosamente,
Sílvia Mascella Rosa
Repórter especial de ADEGA
VINHO E COZINHA MINEIRA
Parabéns pela revista, a cada edição melhor ainda. Gostaria de enviar uma sugestão (ou desafio?) para o “Enogourmet”. Que tal uma harmonização com a típica cozinha mineira? Em Belo Horizonte existem excelentes restaurantes nos quais vocês poderiam realizar esta matéria.
Um abraço,
Glauco Franco Santana
Prezado Sr. Glauco Agradecemos pelo elogio e pela sugestão. A culinária brasileira é vasta e oferece muitas possibilidades de harmonização. Certamente incluiremos Minas Gerais em nossas experiências enogastronômicas.
Equipe ADEGA