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Lembranças imersas em vinho
Apresentado ao vinho desde cedo, o publicitário Washington Olivetto conserva intactas suas memórias relacionadas ao mundo de Baco

por Luisa Migueres



divulgação
“O vinho inspira minha vida”, revela Olivetto

Recentemente, em seu blog, o renomado publicitário paulistano Washington Olivetto relembrou uma das campanhas que o consagrou como um dos maiores nomes da publicidade brasileira: “O Primeiro Sutiã”. A frase que marcava o comercial era: “o primeiro a gente nunca esquece”. No entanto, nossa referência era outra: o vinho. Olivetto foi certeiro: “O primeiro vinho também nunca se esquece”.

Como todo bom descendente de italianos, Olivetto sempre esteve em contato com o vinho. Seu avô oferecia- lhe copos de vinho na infância, sempre proporcionais ao que a família humilde de classe média podia comprar. A primeira lembrança marcante relacionada ao líquido de Baco foi aos 18 anos, quando ganhou seu primeiro prêmio publicitário e foi a Cannes: “Fui de primeira classe da Varig, luxuosa, serviço impecável com direito a caviar e talheres de prata”. E foi ali, nas alturas, que ele provou seu primeiro vinho refinado, um Gevrey-Chambertin. Desde então, o vinho virou uma paixão, mesmo Washington não se considerando um conhecedor, pois acha praticamente impossível julgar-se um. A respeito da semelhança entre críticos de vinhos e de publicidade, afirma em meio a risos: “Talvez exista, em ambos os casos, um adorável exibicionismo”.

Seus rótulos prediletos, em sua maioria, são de tintos. Admira os afamados Bordeaux e Borgonhas e tem grande afeição pela produção do espanhol Angelo Gaja. Nutre um gosto também pela unanimidade dos Montrachet. Quanto aos rosé, tem carinho por um em especial. “Fui muito ao sul da França, por causa dos festivais e premiações. E não consigo imaginar aquele cenário típico da região sem uma garrafa de Domaine Ott ao lado”, afirma. Mesmo no calor do Rio de Janeiro, Olivetto aprecia um rosé, mas o sul da França permanece imbatível. Entre viagens e jantares, já teve grandes surpresas, como o Comte de M, vinho libanês apresentado pelo amigo Celso Colombo Filho. Mantém uma adega nada pretensiosa em sua casa, suficiente para abrigar “rótulos especiais”, preferencialmente desarrolhados em jantares na companhia de até, no máximo, quatro pessoas. Portanto, para ele, o vinho não é exatamente uma bebida para ser compartilhada em grandes eventos. “Mas também acho estranho quem bebe sozinho”, diz. A única ocasião em que lembra ter se sentado à mesa sozinho foi em Lisboa, quando convidado para dar uma palestra: “Disse que chegaria um dia depois para poder ter um dia livre assim que chegasse. Já que não tenho muito tempo individual, queria aproveitar. Saí do Hotel da Lapa, fui até o Gambrinus a pé, sentei-me em uma mesa do restaurante e comi uma Perdiz Trufada acompanhada de um Barca Velha 91”, relembra. Mesmo admirando nacionalidades tradicionais como Itália e Portugal, Olivetto reconhece que mesmo lugares inesperados podem render bons vinhos. “Há alguns anos, se você dissesse que produziriam bons vinhos na Austrália ou África do Sul, provavelmente ririam”, conclui.

Washington vê com bons olhos a publicidade em torno do vinho atualmente. “Acho que no mundo inteiro vem crescendo. No Brasil também, mas a expansão ainda é recente”, enfatiza. E a respeito da inspiração que o vinho traria à publicidade, como seu trabalho, Olivetto afirma: “Aprendi cedo a fazer meu trabalho bem feito. Creio que o vinho não me inspire diretamente para isso. Mas, sem dúvida, mais do que meu trabalho, ele inspira minha vida”.

 
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