Maior produtor mundial de vinhos, a Itália é, de norte a sul, um imenso e contínuo vinhedo. Atualmente todas as regiões da bota produzem vinhos de alta qualidade. Confinar-se aos rótulos tradicionais de regiões mais conhecidas é abdicar de grandes caldos e ignorar uma nova Itália, moderna, cheia de estilo.
Para entender a ebulição pela qual tem passado a enologia italiana nas últimas décadas, basta usar como metáfora o fenômeno da moda neste mesmo país. há tempos os fermentados italianos deixaram de ter como suas melhores referências imperadores romanos, toalhas xadrez e tarantelas. A estética vibrante de dolce & gabbana, o chic de giorgio Armani, o avant-garde intelectual de Miuccia Prada, a pureza de Valentino, ou o quase exotismo de Roberto Cavalli, são analogias que expressam com muito mais eloqüência os sabores dos fermentados italianos de hoje.
Mas por que a moda? Porque enquanto no vinho fala-se de terroir, como uma forma de expressar o sabor único de um vinhedo e de uma safra, a moda é a forma mais pura de expressão do íntimo de um ser humano.
Moda e vinho, com seus complexos e peculiares códigos lingüísticos, falam muito do homem, de sua sociedade, de sua terra e de seu tempo. de norte a sul, AdEgA selecionou rótulos de “altacostura” de sete regiões italianas.
NORDESTE TRENTINO-ALTO ADIGE
O Trentino, sempre associado a seu vizinho, o Alto-Adige, forma a região mais ao norte da Itália, fronteira com Áustria e Suíça. Com seis mil quilômetros quadrados, o Trentino produz anualmente 60 milhões de litros de vinho, uma gota no mar de vinho que é a Itália. O clima é alpino ao norte e subcontinental na maior parte da região. O relevo é montanhoso, com ventos frios. A influência germânica é notada nos nomes de vinhos e uvas. A belíssima paisagem, um verdadeiro jardim, pontuado por lagos glaciares e estações de esqui, é palco de uma verdadeira revolução enológica, que une vanguarda tecnológica à elegância inerente dos vinhos de clima frio. No universo da moda italiana quem melhor expressa este espírito é Miuccia Prada. Formada em ciências políticas e ex-militante do Partido Comunista Italiano, Prada é pura vanguarda e romantismo. do Trentino-Alto Adige selecionamos vinhos cheios de atitude, elegância e firmeza, como um traje para noite, de Prada.
Eureka Teroldego 2000
Roberto Cipresso, Trentino (World Wine, R$ 300,00). Um “vino da tavola” do premiado enólogo Roberto Cipresso, elaborado com 100% uvas Teroldego, amadurecido em carvalho. Roxo na cor, Aroma muito intenso, pleno de fruta madura e especiarias na frente, fresco, com muitas ervas, tostados, baunilha, alcaçuz, toque picante de pimenta, depois mostrou nuanças muito elegantes e delicadas de flores e minerais, abriu-se muito ao longo da prova. Paladar encorpado, taninos doces e muito finos, 13,5% de álcool, acidez moderada. Encantador e ainda bastante jovial, mesmo tendo mais de sete anos de idade. Mostra que tem muita vida pela frente.






Manna 2006
Franz Haas, Alto Adige (Decanter, R$ 147,20). Da IGT “Vigneti delle Dolomiti”, elaborado com 50% Riesling, 20% Chardonnay (fermentado em barricas), 15% Gewurztraminer (de colheita tardia) e 15% Sauvignon Blanc, permanece de cinco a oito meses com suas borras em inox. Amarelo dourado brilhante. No nariz é a melhor tradução da palavra “complexidade”, com muitas famílias de aromas: frutas maduras (damasco), herbáceos, minerais, florais, especiarias, baunilha, manteiga, mel. Paladar untuoso, macio, com 13,5% de álcool, boa acidez, longo. Belíssimo branco que precisa ser descoberto.





FRIULI
Ainda no extremo norte do país, vamos agora ao Friuli, na costa do mar Adriático e fronteira com a Áustria e a Eslovênia. Esta região de 7.800 quilômetros quadrados possui 19 mil hectares de vinhedos que geram, anualmente, 115 milhões de litros de vinho. O clima é frio e úmido e as chuvas concentramse no outono e na primavera, podendo chegar a 3.000 mm/ano, com neve. Este contexto é altamente propício aos vinhos brancos, que representam 60% da produção e dão fama à região. O estilo é de leveza e colorido aromático muito rico. Descrever um branco do Friuli é quase como descrever um vestido de Valentino, de linhas muito puras, fragrantes e elegantes, com certa dose de nostalgia, como no vestido branco que desenhou para Jacqueline Kennedy casar-se com o armador grego Aristóteles Onassis, em 1968. Para representar o Friuli, colocamos na passarela três brancos cheios de leveza, confortáveis e glamurosos, como uma bata de Valentino.
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Paisagem de Friuli, região italiana famosa pelos brancos |
Terre Alte 2003
Livio Felluga (Mistral, R$ 161,82). Elaborado com Tocai Friulano, Pinot Bianco e Sauvignon Blanc. O Tocai Friulano é fermentado em barricas francesas. Amarelo palha brilhante com reflexos dourados. Aromas intensos e de ótima complexidade, com fruta madura e doce na frente, grapefruit (um aroma típico da Sauvignon), tangerina, laranja, pêssego, flores brancas, ervas frescas, especiarias (gengibre). Paladar denso, cremoso, 14% de álcool equilibrados com ótima acidez, longo e muito elegante.






IPSO 2003
Zuc di Volpe (World Wine, R$ 180,00). Um Pinot Grigio 100%, 50% amadurecido por oito meses em barricas novas francesas. Amarelo palha brilhante com reflexos dourados. Aromas sofisticados com tostados, frutas cítricas e outras frutas brancas maduras (pêra, melão), flores brancas, toques minerais, avelãs, baunilha e tostados da madeira. Paladar encorpado e untuoso, macio com 13,5% de álcool, longo e elegante.





Tocai Friulano Collio 2006
Villa Russiz (Decanter, R$ 120,75). Tocai Friulano (100%), uva de muita personalidade, tradicional do norte da Itália, permanece com suas borras por 10-11 meses. Amarelo palha brilhante, com reflexos esverdeados. Aromas intensos e de extrema elegância, com flores brancas, jasmim, panetone, pêssego, final mineral. Paladar muito macio, untuoso com 15% de álcool e acidez correta, longo e encantador.





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