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Portugal, muito mais que o País do Vinho do Porto
Nos últimos anos Portugal decidiu investir nos vinhos não fortificados, e é hoje uma grande sensação no mundo vitivinícola

por Luiz Gastão Bolonhez



Portugal é o país vitivinicultor que mais se transformou nos últimos anos. Há cerca de 10 anos Portugal era um País conhecido por produzir um dos vinhos mais famosos mundo: o Vinho do Porto. Além dele, Portugal também é famoso por outros 2 fortificados: o Vinho Madeira, produzido na ilha portuguesa de mesmo nome, e os Moscatéis, produzidos em maiores e expressivas quantidades na região de Setúbal.

Os demais tipos de vinhos ficaram durante muito tempo restritos ao consumo interno e tiveram pouco foco na exportação. Estremadura e Ribatejo - que durante anos foram as maiores regiões em volume de produção em vinhos de mesa - quase sempre produziam vinhos em alto volume e sem muita expressão. O quente Alentejo também produzia bons vinhos de mesa, mas com pouca técnica. Fato que, aliado a criação de uma enxurrada de cooperativas após a Revolução dos Cravos no início da década de 1970, deixou a grande maioria dos vinhos dessa região longe de prateleiras mundo afora. Bairrada e Dão - algumas da mais tradicionais regiões do país - produziam bons exemplares, mas quase sempre rústicos e ausentes de elegância, construídos para o paladar do português.

As Terras do Sado, também ficaram paradas por muitos anos investindo em vinhos de pouca expressão.

Um dos carros chefes do país foi o vinho rosé, que agora volta a todo vapor com o novo boom dos pinks.

Felizmente isso tudo mudou! Se você é um apreciador de vinhos, Portugal, mais do que nunca, oferece farta variedade de uvas não usuais, com aromas e sabores diferenciados. Assim, seguimos as raízes portuguesa, de coragem e espírito desbravador para degustar grandes e variadas expressões do vinho português.

O Fenômeno Michael Porter
No começo do novo milênio a ViniPortugal - uma associação para a promoção dos vinhos portugueses no mercado nacional e exterior - decidiu contratar o gênio de marketing Michael Porter, para a realização de um estudo sobre o vinho português e sua imagem. A conclusão foi clara. Os produtores portugueses, em sua grande maioria, trabalhavam para dentro, e não investiam em uma visão estratégica de mercado. Esse estudo fez tão bem a Portugal, que um movimento claro de exportação surgiu. Exportação em todos os sentidos, desde a participação maciça em feiras, até o foco na mídia mundial do vinho. Isto acabou sendo um dos impulsionadores da revolução portuguesa na produção de vinhos de mesa de qualidade.

Douro, a sensação de Portugal
A transformação ocorreu em todo o país, mas foi na região do Douro, no norte de Portugal e a leste da cidade do Porto, que a mais significativa mudança aconteceu. Essa região vinícola é uma das mais lindas do mundo, com seus socalcos e o belo Rio Douro com seus afluentes. A produção de uvas no Douro era destinadas quase totalmente para a produção do mais cobiçado vinho fortificado do planeta, o Vinho Porto. Pois bem, muitas das uvas antes reservadas às grandes marcas de Vinho do Porto foram destinadas para um novo propósito, os vinhos de mesa. Quintas que vendiam suas uvas começaram a conceber projetos próprios e a revolução foi impressionante. Portugal começou a mostrar ao mundo sua vocação para a produção de vinhos de mesa. Os vinhos do Douro possuem muita personalidade e são elaborados com uvas autóctones do país. A diversidade é grande, e destacam- se uvas como a Touriga Nacional que, muito aromática, concede a seus vinhos caráter de frutas, como ameixas maduras, e muita carga floral - o aroma de violetas é uma de suas marcas registradas. Esta uva é a flagship do país, e é a partir dela que Portugal vai mostrar ao mundo seus grandes vinhos de mesa. Em vinhos varietais essa uva é sublime, mas quando blended com outras uvas, atinge resultados ainda mais espetaculares. Douro e Dão disputam a paternidade dessa uva, que hoje é plantada em praticamente todas as regiões de Portugal.

A Tinta Roriz é a espinha dorsal de muitos vinhos do Douro, sendo essa a mesma uva que a Tempranillo - muito familiar nos vinhos espanhóis. As outras uvas de destaque são a Souzão, uva que concede muita cor e vivacidade aos vinhos, a Touriga Franca, a Tinta Amarela e a Tinta Barroca.

A região é vasta e vai desde a cidade do Peso da Régua até a fronteira com a Espanha. As macro-regiões do Douro são o Baixo Corgo (Régua como a principal cidade), Cima Corgo (a cidade do Pinhão é o centro dessa Região), e o Douro Superior (várias cidades importantes, com destaque para Vila Nova do Foz Coa). O Rio Douro e seus afluentes - como o Corgo, o Tedo, o Távora, o Torto e o Côa - são de fundamental importância para viticultura local. Essa bacia fluvial é um patrimônio mundial.


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