
Promovido pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), o evento que
aconteceu em 24 de setembro, em Bento Gonçalves, apresentou os vinhos
eleitos como os mais representativos da safra, após análise feita por
um quadro de 78 enólogos de todo o país. Das 368 amostras inscritas por
84 vinícolas, de 23 cidades brasileiras, foram selecionadas as 30% mais
representativas (111 vinhos), conforme determina a Organisation Internationale
de la Vigne et du Vin (OIV) e a Union Internationale des OEnologues (UIOE),
entidades internacionais que regem o evento.
A
qualidade da safra é resultado da sanidade da uva associada ao conhecimento
do enólogo e à tecnologia de ponta, aspectos determinantes para a garantia
da excelência dos vinhos. O comportamento meteorológico teve sua influência
direta, contribuindo desde o repouso vegetativo da videira (inverno),
brotação, floração, frutificação, crescimento das bagas (primavera), maturação
(verão) até a queda das folhas (outono). Em cada fase evidenciou-se uma
quantidade adequada de luz, água e calor para que a videira pudesse se
desenvolver e produzir uvas de qualidade. As condições meteorológicas
da vindima de 2005 foram excepcionais para as uvas precoces e intermediárias
e muito boas (bem acima da média) para as uvas tardias. Além da maior
quantidade de horas de brilho solar, menor precipitação pluviométrica
e menor número de dias de chuva o subperíodo da maturação da safra 2005,
quando comparado com a normal climatológica, se caracterizou pela sanidade
das uvas e pela estiagem (restrição hídrica) que teve como conseqüência
a redução do tamanho da baga (maior relação casca/polpa) e do peso médio
do cacho. As condições climáticas permitiram o prolongamento da maturação
das uvas o que possibilitou às bagas sintetizar e acumular mais açúcares,
pigmentos, taninos, substâncias aromáticas e seus precursores.
É importante destacar que os vinhos dessa safra apresentam alta qualidade
não somente pela contribuição da climatologia como também pelos constantes
investimentos que as vinícolas têm feito tanto em tecnologia de equipamentos
como enológica, além da participação direta do enólogo, profissional técnico
responsável pela qualidade do vinho. Nos últimos anos, o setor tem investido
no âmbito da viticultura na busca de novas variedades com a implantação
de vinhedos com a máxima tecnologia. Os avanços também se voltaram para
a correção e drenagem do solo, além da importação de mudas selecionadas
a fim de garantir maior qualidade do produto final: o vinho. Fortes melhoramentos
também foram feitos no sistema de condução dos vinhedos, adequado e voltado
exclusivamente para a produção de uvas de qualidade sempre buscando menor
produtividade por hectare garantindo assim maior qualidade da fruta e,
conseqüentemente, dos vinhos e espumantes dela resultantes.
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