
Percorri recentemente, na Escócia, um roteiro incluindo Glenfiddich e
Glen Grant nas Highlands, o Whisky Heritage Center de Edimburgo e no oeste.
Comprovei in loco que a diversidade de tipos e estilos de malt whisky
faz com que os apreciadores encontrem um que satisfaça seu paladar e que,
caso isso não aconteça, há sempre um blended para desempenhar esse papel.
O centenário da dúvida
Completam-se exatos cem anos desde que foi criada a comissão britânica
para responder a pergunta What is Whisky? - o que é o uísque? Em 1906
o conselho de moradores de um subúrbio de Londres, perdendo a paciência,
entrou na justiça contra comerciantes que vendiam, como "whisky", uma
bebida que não obedecia aos atributos de qualidade, natureza e conteúdo
que eles requeriam. A exigência de uma definição legal não envolvia somente
adulterações. Também a proporção de destilado de cereais para destilado
de malte na mistura - o blend - exigia regras claras.
Alguns defendiam a idéia de que o uísque poderia ser feito de qualquer
cereal e que era importante reduzir, pela mistura, a aspereza do destilado
de malte, considerado até então um rude causador de enxaquecas. Como reação
a tal conceito, foi engarrafado pela primeira vez o uísque de malte puro
ou malt whisky, naquela época.
Três anos mais tarde surgiria um consenso, adequado para fins legais:
"aguardente obtida pela destilação do mosto de cereais, sacarificado pela
diástase do malte". Nas décadas seguintes o conceito sofreu adequações.
Aceita-se hoje que o destilado bruto deve ter álcool máximo de 95%, reduzido
posteriormente - por adição de água pura - para um mínimo de 40% e que
a passagem por barrica é, no mínimo, de três anos (e não oito, como pensam
alguns).
Acrescente-se a isso os conceitos de malt whisky, destilado somente da
cevada malteada, grain whisky, de uma mistura de cevada malteada com outros
cereais, e blended whisky, mistura dos dois anteriores.
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