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Golfe e vinhos em Andaluzia
Andaluzia conta com muitas adegas e cerca de oitenta campos de golfe da melhor qualidade. A mistura entre essas duas paixões pode ser vivenciada num roteiro pela região espanhola, que também inclui museus de vinhos e degustações.

por Guillermo Piernes*



fotos: divulgação

Para quem ama o golfe, o vinho ou a História, uma região mágica é a Costa Del Sol, no sul de Andaluzia. É também oficialmente chamada Costa del Golf da Espanha, irresistível para milhares de golfistas de todos os continentes. Uma alucinante mistura de costumes, raças e línguas. Por lá, passaram as legiões romanas rumo a conquistas africanas jogando paganica, um remoto ascendente do golfe, e bebendo vinho.

Os novos legionários do golfe e amantes do vinho podem iniciar sua jornada por Jerez, cidade tranqüila e luminosa, como uma taça de Jerez exposta ao sol mediterrâneo. Lá existem dezenas de adegas, museus de vinhos e numerosos pontos de degustação. A principal publicidade nas ruas são imensos tonéis. As adegas estão em Jerez, Puerto de Santa Maria e Sanlucar. Na região são produzidas marcas como Domecq, Sandeman, Osborne, Garvey, Caballert, Gonzalez Byass e Tio Pepe. Nos museus se apresentam rótulos de mais de 350 anos.

Fotos: divulgaçãoO Sherry Andaluz fica anos em tonéis com um sistema de rotação chamado de Solera. Os barris são colocados em fileiras, um acima do outro, com os mais velhos na parte inferior. A correta mistura entre os vinhos novos e mais velhos produzidos na região andaluza faz o deleite nos quatro cantos do mundo, nas suas principais categorias: Fino, Oloroso, Manzanilla e Amontillado.

Após várias degustações e antes de procurar os fantásticos campos de golfe, vale a pena assistir o espetáculo dos cavalos dançantes da Real Escola Andaluza de Arte Eqüestre, que foi iniciada com os cavalos Cartuja, em tempos medievais, quando os monges se encarregavam dos vinhedos e da produção dos vinhos.

A região de Andaluzia conta com cerca de 80 campos de golfe - perto da terceira parte dos campos da Espanha - e anualmente recebe o equivalente de R$ 1.8 bilhões em recursos provenientes de ingressos diretos e investimentos em turismo. Os campos de San Roque, Santi Pietri, Valderrama estão na lista ilustre. Ficamos especialmente encantados com Alcaidesa, perto do Peñon de Gibraltar; com vista para a costa africana, a apenas 12 km da imensa rocha branca que domina as azuis águas do mar. Guadalmina, Los Naranjos e Santa Clara também são campos de golfe imperdíveis.

Jogamos em Los Naranjos com Jaime Bosch Oliva, presidente do comitê comercial de campos da Federação Andaluza de golfe, que registra um total de 1600 competições de todos os níveis por ano. O campo, assinado por Robert Trent Jones, é amigável com seus fairways amplos e com leves ondulações. Los Naranjos e Santa Clara são campos comerciais e seus ingressos principais provêm dos green fees ou pagamento de ingresso ao campo de golfistas visitantes. O único segredo do sucesso são os greens de qualidade, manutenção impecável e serviços de primeira categoria no restaurante, bar e vestiários. Em Santa Clara, o diretor Angel Mollinedo Herrera não esconde o orgulho da Escola de Golfe, uma das mais procuradas da Europa e onde treina o astro profissional espanhol Miguel Angel Gimenez. É linda a Ruta del Toro, estrada que atravessa as fazendas onde pastam mansos os touros miuras alheios ao seu futuro destino nas praças de Jerez, Granada, Málaga e Sevilha, ou até Madri.

A Costa del Golf, ou seja de Cadiz a Marbella, merece ser percorrida lentamente. É ótimo perder-se nas ruas estreitas e sinuosas abertas nas suaves colinas, exuberantes em flores. É inesquecível ver o pôr do Sol, que brilha 300 dias por ano, iluminando os pueblos blancos entre milhares de oliveiras. E que luz tem a Costa do Sol! Pablo Picasso nasceu na região, mera coincidência?

fotos: divulgaçãoVinhos de cavas não faltam em cada bar de campos de golfe da Andaluzia. Quase sempre aparece um jamon serrano, um presunto cru especial ou algumas tapas, acompanhamentos de sabores deliciosos e variados.

Cada vez que chegamos a Andaluzia descobrimos que estamos apaixonados, longe da objetividade e da neutralidade técnica. Nos declaramos inocentes, a paixão corre solta pela paisagem andaluza, flutua na música, impregna a grama dos campos, brilha nas cores, mergulha nas garrafas de vinho.

*Guillermo Piernes é jornalista, escritor e consultor corporativo de golfe. Colunista de golfe da Gazeta Mercantil e Forbes. E-mail: piernes@yahoo.com

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• Mais informações no Centro Oficial de Turismo Espanhol www.tourpain.es.

 
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