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Os dez mandamentos do vinho
Dez regras fundamentais que devem ser seguidas, mas nunca se sobrepor ao prazer de um bom vinho.

por Marcelo Copello



Quem se inicia nas artes de Baco, logo descobre que o universo do vinho é repleto de novas informações. Essa complexidade, ao mesmo tempo que fascina, pode confundir os menos experientes, afugentando-os, ou alienar os especialistas, afastando-os da verdadeira razão desse néctar, o simples joie de vivre, a alegria de viver. Alguns preceitos essenciais, por mais que nos aventuremos no mundo do nobre fermentado, devem sempre nos acompanhar:

ilustrações: Big Box of the Art1- Temperatura
Alguém gosta de café frio ou de cerveja quente? Gelar os brancos em demasia irá mascarar seus aromas, enquanto "temperatura ambiente" para os tintos é um clichê que no Brasil, por seu clima quente, raramente se aplica. Genericamente, sirva tintos a 18o C, brancos a 12o C e espumantes a 8o C;

ilustrações: Big Box of the Art2- Taça
É o instrumento do apreciador, uma espécie de amplificador das qualidades da bebida. Apreciar um bom rótulo num copo reto de vidro grosso é como ouvir Von Karajan regendo a Filarmônica de Berlim em um radinho de pilha. Numa descrição genérica, a taça ideal é formada de base, haste e bojo, que deve ter formato ovalado, estreitando em direção à borda; deve ser totalmente transparente, de vidro fino, e jamais enchida de mais que um terço de sua capacidade. Para os espumantes, o ideal é o copo alongado do tipo flute;

ilustrações: Big Box of the Art3 - Adega
A maioria das garrafas que compramos é consumida rapidamente, em questão de dias ou semanas. Para essas não é preciso tanta preocupação. Mas as que serão guardadas por meses ou anos merecem cuidado especial. As condições ideais para conservação são: colocar as garrafas deitadas em local com ausência de luz, de vibrações e de cheiros fortes, em temperatura constante (o ideal é cerca de 13° C), a umidade ideal é 65%;

ilustrações: Big Box of the Art4 - A idade da garrafa
O vinho é uma bebida viva, em constante mutação dentro da garrafa. O conceito de "quanto mais velho melhor" é um mito, pois todo vinho nasce, amadurece, mantém-se no auge por algum tempo e decai até ficar decrépito e morrer. Os fatores que conservam os vinhos são: o teor alcoólico, o tanino (só presente nos tintos), a acidez e a doçura. Vinhos com maior quantidade desses fatores são mais longevos e melhor se prestam a envelhecimento em garrafa;

ilustrações: Big Box of the Art5- No restaurante
Deve-se pedir a carta de vinhos ao maitre ou sommelier. Examina-se a lista com cuidado para a seleção do vinho ou vinhos que melhor se adaptam ao gosto pessoal dos comensais, ao seu poder aquisitivo e aos pratos selecionados. Pedir conselhos ao sommelier é válido. A garrafa deve ser conferida antes de ser aberta, na presença de todos. A rolha pode ser colocada à mesa, para que possa ser examinada. Uma pequena dose será servida a quem pediu o vinho, para que este seja aceito e só então o resto da mesa que será servida;

ilustrações: Big Box of the Art6- Deixe o líquido respirar
Os vinhos, em sua maioria, devem ser consumidos assim que abertos. Alguns tintos de maior corpo e longevidade, no entanto, se beneficiam de alguns minutos de contato com o ar antes de serem degustados. Simplesmente abrir a garrafa e deixar o líquido dentro dela não resolve, é necessário transferir o conteúdo para uma jarra ou decanter, aumentando sua superfície de contato com o ar;

ilustrações: Big Box of the Art7- Garrafas abertas
Uma vez aberta a garrafa, o líquido se oxidará gradualmente até se tornar imbebível, processo que pode demorar de algumas horas a vários dias. O método caseiro mais eficiente para dar uma sobrevida a uma eventual sobra, é a utilização de meias garrafas (de 375 mililitros). Ao abrir uma garrafa grande, transfira metade do conteúdo para a menor, que deve estar perfeitamente limpa. Encha-a por completo e depois arrolhe. Assim, o vinho pode resistir alguns dias;

ilustrações: Big Box of the Art8- O matrimônio
Combinar vinhos com alimentos é um tema tão complexo e prazeroso quanto os relacionamentos amorosos. Casar pratos e vinhos é trabalho semelhante ao dos cupidos ou das agências matrimoniais. Deve-se aprender sobre a personalidade das partes, valorizar suas afinidades e tirar proveito de seus contrastes. Busque combinações tradicionais ou crie suas próprias e se enamore delas;

ilustrações: Big Box of the Art9- A seqüência
Trocar de vinho durante uma refeição é normal e até recomendável. A troca, entretanto, deve ser criteriosa. O ideal é que a seqüência siga um crescendo de paladar. Os brancos antes dos tintos, os leves antes dos encorpados, os medíocres antes dos grandes e os secos antes dos doces. A ordem errada pode comprometer um vinho, enquanto a correta pode valorizá-lo;

ilustrações: Big Box of the Art10 - O prazer
Lembre que para todas as regras acima existem exceções que as confirmam e que esta, a número 10, deve prevalecer sobre as demais. Apreciar vinhos é uma arte, afinal, essa é a bebida mais complexa, completa e fascinante que existe. Ao abrir uma boa garrafa, o verdadeiro artista deve, contudo, subordinar todos os preceitos ao motivo pelo qual elegemos o vinho a nossa bebida: o prazer.

 
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