Esta é a uma história em três partes, começando pelas origens da bebida, passando por seus ingredientes e fabricação e terminando nas modernas cervejas artesanais, fiéis aos princípios dos antigos mestres cervejeiros. O brasileiro tem uma relação íntima com a cerveja. A ponto de dar-lhe apelidos que os vinhos jamais aceitariam, de ter sua marca preferida conhecida pela família e por aquele garçom de confiança. Enquanto o vinho é do restaurante e a cachaça é do balcão, a cerveja é da casa, da beira da piscina, do futebol e do dia-a-dia. Sempre foi assim. A cerveja tem acompanhado o homem ao longo de sua trajetória em uma parceria feliz e ligeiramente embriagante.
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Os assírios e os sumérios foram os primeiros mestres cervejeiros |
Alguns arqueólogos acreditam que o homem do período neolítico, há três mil anos a.C., já conhecia uma bebida semelhante à cerveja pelo simples motivo de ter aprendido a cultivar e estocar cereais para o inverno. Guardados em locais quentes e úmidos, esses cereais iniciavam um processo rústico de fermentação e, se misturados com água, produziam líquido potável de baixa graduação alcoólica.
Os registros mais sérios, no entanto, apontam os sumérios e os assírios - povos da antiga região da baixa Mesopotâmia, as margens do Rio Tigre, e ao norte da Mesopotâmia, alto do Rio Tigre, respectivamente -, como os primeiros mestres cervejeiros. Para dar à essa história sua dimensão correta, é necessária uma breve viagem no tempo. Vamos nos levar para o que era o mundo por volta de dois mil anos a.C. Em 1290 a.C., o faraó Ramsés II governava o Egito, em 1500 a.C. a escrita cuneiforme aparece na Ásia Menor e, menos de 100 anos depois, os fenícios surgem com a primeira escrita semelhante ao alfabeto. Essa época era parte da era do bronze onde hoje é a Escócia, e aqui na América já existiam vilas e fazendas em Honduras, e centros cerimoniais no Peru. O homem já deixara para trás sua vida nômade na maior parte do globo e já dominava com razoável habilidade o manejo da terra e dos artefatos de madeira, metal e barro.
Os sumérios habitavam os vales férteis dos rios Tigre e Eufrates e a eles se atribuiu o desenvolvimento de uma bebida fermentada a partir do trigo selvagem e da cevada, cultivados perto dos rios. Como já sabiam lidar com o excesso de produção e eram bons comerciantes, trocavam seus produtos e os levavam além do Golfo Pérsico através de uma intrincada rede de canais. O império da Babilônia, que sucedeu aos sumérios, parece ter sido o encarregado de levar essa antiga cerveja (que eles já produziam comercialmente em quase 20 variedades) até o Egito, onde ela alcançou grande popularidade e se espalhou pelos povos do mar Mediterrâneo.
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