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O vinho na terra dos francos

Os rios Reno e Mosel guardam riquezas a serem apreciadas pelo paladar e olhos de seus visitantes

por Aguinaldo Záckia Albert*


fotos: Panoramio e Rolf/FLICKR
Silvaner, principal uva da região

Quando o assunto é o nobre fermentado alemão, as regiões do Reno e do Mosel nos vem à mente de forma quase imediata. Os vinhos brancos ali produzidos, principalmente os feitos com a uva Riesling, são de altíssima qualidade e bem merecem a fama que têm. No entanto, dentre as outras onze regiões demarcadas germânicas, existe uma que merece também destaque não só pelos seus vinhos, mas também pela beleza que mostra a quem a visita. Estamos falando da Francônia, a porção mais ao norte da Baviera, da qual também faz parte, apesar de se espraiar por pequenas zonas de Baden-Württenberg e do sul da Turíngia. Na verdade, mais do que demarcações geográficas claras, existem ali zonas com identidades culturais.
Situada mais a leste do Mosel e do Reno, bem no centro da Alemanha, a 100 km das cidades de Frankfurt e Nuernberg, o vinho é ali conhecido desde o século VIII de nossa era. A região é predominantemente católica e durante sua história, principalmente na Idade Média, a importância da igreja e de seus monges na cultura do vinho foi preponderante.

No centro da Alemanha, a 100 km de Frankfurt, o vinho é conhecido desde o século VIII

Vinhos, cervejas e patrimônio histórico
Vindo de Frankfurt ou de Munique, o visitante interessado em vinhos, cerveja, cultura e belas paisagens não se decepciona. A região faz parte do Roteiro Romântico da Alemanha. Cruzar de carro as colinas arborizadas, passando por seus vales e sobre seus riachos - que vão desembocar no rio Main (Meno) - fazendo paradas em suas pequenas e médias cidades é uma experiência inesquecível.
A principal uva local é a Silvaner, que nesse terroir suplanta até mesmo a maravilhosa Riesling. Os vinhos da região são particularmente secos, muitos deles lembrando o estilo do Chablis francês. Minerais, terrosos e levemente cítricos, os Silvaner surpreendem pela força, caráter e bom corpo, fato pouco comum em regiões tão frias.
Ao contrário da Silvaner, a qual matura bem cedo e que encontrou na Francônia seu melhor terroir, a colheita da Riesling se faz tardiamente. Em área plantada e volume de produção, no entanto, nenhuma delas bate a Müller-Thurgau, responsável por 60% dos vinhos da província. Os que provei tinham boa qualidade, bons preços, mas não se comparavam às duas primeiras. As uvas Kerner (uma curiosa variedade híbrida da tinta Trollinger com a branca Riesling), a Sheurebe e a Bacchus completam o elenco das uvas brancas.
Dentre as tintas, não se pode deixar de mencionar a Spätburgunder - como é chamada na região a nossa velha conhecida Pinot Noir, com qualidade bem acima de suas outras primas tintas como Rieslaner, Rulaender, Perle e Portugieser. Delicados, macios e com fineza de aromas, alguns Spätburgunder chegaram a nos entusiasmar.
Muito mais do que nos países do chamado Novo Mundo, o vinho nos tradicionais países europeus está indissoluvelmente ligado às culturas regionais. Assim, a melhor forma de conhecê-los é degustando-os em sua origem, ainda mais sabendo que os caldos da Francônia são dificilmente encontrados entre nós. Segue, portanto, a sugestão de provar esses frescos e deliciosos néctares em sua peculiar garrafa: a bocksbeutel, baixa, arredondada e muito simpática, mas que pode tirar o enófilo do sério quando for guardá-la em sua adega.
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