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A arte de degustar e sua etiqueta

Algumas dicas para bem apreciar um charuto e não cometer gafes

Por Paulo Rogério Bueno


Fotos: Luna Garcia

Muito se discute sobre a arte da degustação, etiquetas e normas para se apreciar um charuto. A arte de saboreá-lo é comparável ao prazer de se apreciar um vinho ou uma refeição. Para isso, a melhor definição entre os aficionados é "degustar" o sabor do fumo, já que as glândulas gustativas são o melhor condutor de prazer de um charuto e estão presentes nos cinco sentidos humanos: paladar, olfato, tato, visão e, acredite, audição.

Tratamos da arte de se degustar um charuto, seguido de sua etiqueta, sem os determinismos puristas dos complexos guias e literaturas afins. Apesar de pequeno, este protocolo deve ser seguido passo a passo. Com estas dicas, o apreciador, com certeza, nunca vai se sentir deslocado ou inseguro.

Degustando
1º Leve o charuto já aceso aos lábios e, antes de dar a primeira puxada, sopre por onde foi feito o corte ou o furo, para expulsar todo sabor desagradável produzido pelo acendimento.

2º Espere alguns segundos para dar a puxada, aguardando um esfriamento do fumo. A puxada deve ser lenta e gradual, sem inalação (tragar), retendo a fumaça na boca o tempo suficiente para sentir as primeiras notas de aromas e sabor.

3º Não seja muito ansioso, nem lento demais para saborear o charuto. Intervalos de um minuto aproximadamente são suficientes para não esquentá- lo demais e nem deixá-lo apagar.

4º Quanto mais rápido se degusta, menor é o prazer da experiência. A conseqüência da ansiedade é um amargor proporcionado pelo excesso de calor.

5º A cabeça, ou extremidade que se leva a boca, deve estar o mais seca possível. Evite segurar o charuto com a boca ou mantê-lo na boca tempo demais. Não o masque, nem o sustente entre os dentes. Um charuto úmido demais começa a perder o sabor. Isso porque o alcatrão e a pouquíssima nicotina se misturam com a saliva gerando também amargor.

6º Um charuto contém três terços distintos de sabor. Do acendimento à boca, normalmente o fumo se intensifica. Conseqüentemente, se estiver potente demais, é melhor abandonálo, ao invés de passar mal (depositando- o no cinzeiro sem apagá-lo como um cigarro).

7º No terceiro terço, ele estará apresentando todas as suas essências. Os apreciadores de maior experiência podem perceber com maior clareza suas notas gustativas. Este é o momento para apresentar um parecer completo sobre o produto.

8º Segure um charuto suavemente, mas com firmeza. Nunca como um cigarro (para não estragar a capa ou obstruir o fluxo). Utilize o polegar, indicador e o dedo maior.

9º Para eliminar a cinza acumulada, dê uma puxada suave, para acender mais "o pé", e deposite o resíduo com um único golpe, trazendo o charuto apontado para o cinzeiro em uma diagonal até a vertical.

10º Complementando o 6º item, ao término de um charuto, o apreciador deve deixá-lo apagar sozinho, apoiando- o no cinzeiro. Em alguns minutos, ele apagará sozinho. Os aficionados chamam isso de "morte com honra" daquele que tão bem lhe serviu.

11º A degustação mal sucedida pode ser ocasionada por um charuto com um fluxo ruim: reflexo de: excesso de umidade, um talo de uma folha mal torcido (enrolado), excesso ou falta de folhas, muito seco. Nestas circunstâncias, o melhor é, em primeiro lugar, adquirir produtos em uma tabacaria que tenha profissionais competentes e charutos de boa procedência. O risco é bem menor. Caso isso aconteça, peça a troca. O tempo para se degustar é único, não se pode perder.

Etiquetas
As normas e etiquetas a seguir são importantíssimas aos aficionados e iniciantes. Partiremos das regras entre os amantes e não-fumantes. O pilar é: não compartilhar seu charuto com quem não aprecia. Principalmente agora que as leis estão mais rígidas e chegaram ao hemisfério sul.

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