EDITORA INNER
 
ADEGA
A revista do vinho e outros prazeres
Home Busca Ok
 
  Seções
  De Abacate a Zatar
  Especiais
  Expediente
  Seções
  Sumário da edição
  Acontece
  Artigos
  Cartas
  Cave
  Charutos
  Crônica
  Curiosidades
  Enogourmet
  Enotécnico
  Escola do vinho
  Estilo de vida
  Eventos
  Expediente
  Grands Châteaux
  Imprensa internacional
  Matéria de capa
  Minha adega
  Outras bebidas
  Outras matérias
  Newsletter
  Ok
 
  Serviços
  Assine já
  Anuncie
  Fale Conosco
 

Tradição de Norte a Sul

Bebida histórica e popular tem níveis variados de qualidade e sabor

Por Sílvia Mascella Rosa


Fotos: Luna Garcia title=

Do doce caldo da cana-deaçúcar sai a mais ardente das bebidas brasileiras. Em seu entorno tradições foram tecidas, palavras foram inventadas, leis foram criadas e casamentos foram desfeitos.

Nossa cachaça transita descontraída entre botequins inclassificáveis até se acomodar em taças de cristal nos restaurantes da moda aqui e fora do País. Segundo números oficiais, a produção nacional é de 1,3 bilhões de litros por ano e as exportações anuais somam US$ 14 milhões, para mercados como o dos Estados Unidos e da Alemanha.

Na água-que-passarinho-não-bebe está a fonte de parte de nossa herança cultural, dos tempos da colônia portuguesa até o ciclo da cana, que enriqueceu fazendeiros e embelezou a nação. Facilmente confundida com o rum no exterior, ela é motivo de debates entre os barmen brasileiros, dispostos a versar sobre sua produção e a diferença em relação ao primo caribenho.

A cachaça é obtida por meio da fermentação e da destilação da garapa (o caldo da cana-de-açúcar). O rum, por sua vez, é fermentado a partir do melado da cana, um produto do qual já foi extraído parte do açúcar. A produção da caninha é fácil, rentável e está disseminada por todo o País. Para prepará- la, é necessária uma boa partida de cana, gramínea que cresce rápido em quase todo o Brasil, uma moenda para a garapa, tanques para a fermentação - que transformará o açúcar em álcool etílico e água -, e, por fim, um alambique. É nele que a garapa fermentada será submetida ao calor da fornalha, o álcool será volatilizado e passado para as serpentinas refrigeradas, onde se transformará novamente em líquido e será recolhido em tonéis.

Para garantir a qualidade, é necessário (além de total higiene dos maquinários) que o resultado inicial (pinga de cabeça) e final (pinga de rabo) da destilação sejam desprezados e assim seja mantido somente o coração da branquinha. Diferentemente da vodca, o fato de a cachaça ser destilada mais de uma vez não lhe confere nada especial, ao contrário, pode ser feita para esconder defeitos.

É nos tonéis que o líquido adquirirá mais caráter, cores e sabores. A cachaça branca ou prata é engarrafada logo após a destilação, mas pode passar um pequeno período em madeira até estabilizar. Esse tempo curto não deixará marcas sensíveis na qualidade dos bons líquidos se a madeira for neutra. Já as cachaças envelhecidas devem, pela legislação, ficar por, no mínimo, um ano em barris de 700 litros para serem consideradas envelhecidas. As madeiras mais utilizadas são o amendoim, cedro, freijó, bálsamo e amburana, além do carvalho americano ou europeu - menos utilizado por ser caro e transferir mais aromas e sabores para a marvada.

Degustando
Degustar cachaça não é fácil, que o diga o grupo de apreciadores formado por ADEGA para provar marcas pouco conhecidas e descobrir se elas agradam ou não. Para nos orientar, utilizamos a ficha de degustação gentilmente cedida pelo cachaçólogo Marcelo Câmara, que desenvolveu técnicas para apreciar produtos de qualidade.

Completíssima, a ficha atribui notas para as informações visuais (garrafa, cor e aparência), para as impressões olfativas (aroma) e gustativas.

Seguindo as dicas do especialista, provamos em temperatura ambiente somente oito amostras (quatro Prata - Sapucaia Florida Superior, da Fazenda Sapucaia em Pindamonhangaba, SP; Paratiana, do Sítio Pedra Branca em Paraty, RJ; Samanaú Prata, do Alambique Samanaú, RN; e Velho Alambique Prata, de Remus e Bettinelli, RS - e quatro Ouro - Alma Gêmea Ouro, de Goiás; Cachaça da Tulha Edição Única, da Fazenda Bom Jardim da Serra em Mococa, SP; Velho Alambique Ouro, de Remus e Bettinelli, RS; e Samanaú Ouro, do Alambique Samanaú, RN) de diferentes partes do Brasil.

Ficaram de fora as marcas famosas e muito comerciais, principalmente as industrializadas (muitas são compostas com a mistura de variados tipos de aguardentes, alterando os sabores originais), e as consagradas marcas vindas da cidade de Salinas (MG).

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>

 
Assine Já
 

  Assinatura
  Clique e assine já!
 
 
Copyright © 2008 - EDITORA INNER
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.