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Grandes Cuvées de Champagne

Principais produtores estão fazendo espumantes cada vez mais elaborados, que instigam os

Por Aguinaldo Záckia Albert


Vinho não é só sabor e sensação. Existem os valores simbólicos que a ele se associam, como as idéias de raridade, exclusividade e riqueza que, em maior ou menor grau, sempre o acompanharam e, de modo especial, o champanhe. Pode-se, no entanto, perceber que esses conceitos nunca apareceram no chamado "imaginário do champanhe" de forma tão exagerada como em nossos dias. Nesses tempos em que o dinheiro correu solto (pelo menos até agora) e que novas grandes fortunas se formaram, o mercado de produtos de luxo floresceu e os produtores de Champagne aproveitaram a nova voga.

A região que produz os melhores espumantes do mundo sempre se caracterizou pelos vinhos de "assemblage", ou seja, elaborados com a mescla das uvas permitidas na região (Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier). Estas castas - na maioria dos casos - oriundas de vinhedos diversos. Da mesma forma, esses champanhes costumam não mencionar no rótulo a safra, uma vez que são feitos com uma mistura de frutas de anos variados. Exceção feita aos millésimés ou vintages, com uvas de uma só colheita, que deve ser excepcional.

Curiosamente, porém, o que se observa nos últimos anos é o aumento significativo da produção de champanhes de alta gama, feitos com uvas de parcelas minúsculas, que muito raramente suplantam um hectare. Além disso, são vinhos millésimés, em sua maior parte elaborados apenas com uma casta. A tiragem desses cuvées d'exception é bastante limitada, o que só colabora para que seus preços cheguem às alturas, deixando o consumidor comum espumando de raiva por não poder comprá-los.

De luxo

A própria Maison Krug, que integra a elite dos produtores de Champagne e que se notabilizou por produzir grandes champanhes de assemblage, embarcou na nova moda. Seu Clos du Mesnil - por sinal um champanhe excepcional - é um espumante monocasta , "mono- cru", e safrado, a antítese da filosofia da casa.

Um de seus proprietários, Olivier Krug, explica que tudo ocorreu por acaso. Em 1971, a Maison comprou um vinhedo de oito hectares, do qual fazia parte um clos (vinhedo murado) de 1,85 hectare, cujas uvas entravam na mescla de seu champanhe Salon. Perceberam então características especiais nesse vinho e resolveram produzir o Grande Cuvée Clos de Mesnil, um lote de 12 mil garrafas da safra 1998. Com a boa recepção do mercado, acabam de lançar mais um produto de alto luxo, o champanhe Clos d'Ambonnay, safra 1995. Um Pinot Noir cuja garrafa custa a bagatela de 3 mil euros! E ainda assim na França...

Vinhedos do Clos de Saint-Hilaire

A Maison Billecart-Salmon segue a mesma trilha. Ela possui um pequeno vinhedo, de um hectare, em Mareuilsur- Ay, de nome Clos Saint-Hilaire, que produz apenas Pinot Noir. Com essas uvas, elabora o seu Grand Cru Clos Saint-Hilaire. Apenas dois lotes ganharam o mercado até agora: as safras 1995 e 1996. O vinho passa por um longo período de élevage (oito anos de adega) e seu chef de cave garante que os champanhes das safras 1997, 2000, 2001 e 2003 não serão produzidos.

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