QUANTO VALE UM PÉ DE CARVALHO?
Se
for uma árvore plantada há 306 anos, o valor pode se aproximar de US$
45.000. Este foi o preço que a Tonnelerie Sylvain de Bordeaux teve que
pagar para arrematar um espécime do Chêne de Morat, da excepcional parcela
da região central francesa do Tronçais, que Louis XIV mandara plantar
em 1669 (140 anos antes que D. João VI plantasse a primeira muda no Jardim
Botânico do Rio de Janeiro). A árvore foi adquirida por recomendação do
ministro de finanças Colbert, como reserva estratégica para futura construção
de grandes embarcações (haja previsão!). A maioria foi derrubada em 1984,
com autorização oficial, tendo sobrado apenas quatro.
Estima-se que serão produzidas 60 barricas (de 225 l) a partir da árvore,
com 40 m de comprimento e 4,6 m de diâmetro. De uma bem mais jovem, de
200 anos, produzem-se cerca de 10 barricas, vendidas pelas tanoarias ao
preço médio de U$ 850.
O aproveitamento é baixo e boa parte da sobra é usada na marcenaria fina.
O lento crescimento (13 cm/ano) e a altura contribuem para a qualidade
da madeira e a extraordinária riqueza de aromas. A árvore será derrubada
no início de 2006, mas as barricas já estão todas vendidas, conforme noticiou
a Decanter Latest News. Restarão, então, mais três.
ADEUS AO CHARME:
PAGUE 3, LEVE 4
Essa é basicamente a estratégia da multinacional do vinho, négociant
sediado na Borgonha, para lançar o vinho French Rabbit (coelho
francês) nos supermercados ingleses, em embalagem Tetra Pak de 1 litro,
pelo mesmo preço do vinho similar em contenedor de vidro de 750 ml. Uma
das razões do nome são as duas orelhas na parte superior da tradicional
embalagem como informou a Decanter Latest News.
Um outro produtor, Constellation Brands, o maior do mundo, lançou
em novembro uma versão alternativa de 1/2 litro de vinho, em embalagem
Tetra Pak, no mercado norte-americano. E, quem sabe, em breve no supermercado
do seu bairro. Esse pode ser o princípio do fim da charmosa garrafa de
vidro e do saca-rolhas. Quem viver, verá.
VANTAGEM COMPARATIVA
A
doutrina da vantagem comparativa é um dos alicerces da teoria econômica.
Assim, o Chile apostou nas suas excepcionais condições naturais de solo
e clima, aliado à mão de obra barata e moderna tecnologia, para tornar-se
um dos expoentes no mundo do vinho. E, pasmem, com tanto sucesso, que
a partir de 2004, o valor de vinho exportado excedeu o do cobre, tradicionalmente
seu mais valorado e principal item na pauta de exportação. Conforme declaração
de Mariano Fernandez, Embaixador do Chile para o Reino Unido, na publicação
Wines of Chile, editada pelo Chile Export Promotion Bureau, Londres
NÃO SE FAZEM MAIS VINHOS (OU DEGUSTADORES) COMO
ANTIGAMENTE
Conforme reportou o semanário der Spiegel, um produtor alemão
de vinhos enganou seus compatriotas degustadores que certificaram, após
teste oficial às cegas, um simples e barato Pinot Gris da Hungria como
sendo um Riesling alemão de qualidade. Edgar Schätzler, vitivinicultor
do estado de Hesse, quis demonstrar o absurdo da atual metodologia para
obtenção do Ämtlische Prüfnummer, somente conferido aos Qualitätswein
- vinhos alemães com qualidade certificada.
BEBA COMO UM EXPERT
Em recente matéria da revista inglesa Decanter, intitulada 'A sabedoria
do Vinho' (Wine Wisdom) diversos experts externaram opiniões
sobre o assunto: "Tente não deixar-se influenciar muito pela 'sabedoria
dos mapas das safras de Bordeaux'. Mais de vinte anos de experiência em
lidar com leilão de safras maduras ensinaram-me que, freqüentemente, um
81 pode ser melhor que um vinho da extraordinária safra de 82, enquanto
alguns 62 podem envergonhar suas contrapartidas da gloriosa safra de 61.
Não tenha medo de tomar riscos. Você sempre economizará dinheiro e raramente
se desapontará". David Elswood, Christies, Londres.
"Sempre há um outro bom vinho e uma outra boa safra. Portanto, não se
estresse por não ter comprado um determinado vinho, numa boa ocasião".
Joy A Sollof, DeLille Celars, EUA.
"O bom vinho não precisa ser o foco de prolongada discussão e análise.
Também não precisa ser o mais caro para ser o melhor ou o mais agradável".
Aimé Guibert, Mas Daumas Gaussac, Languedoc.
"Invista em safras menos badaladas, pois a diferença entre safras vem
se tornando cada vez menos expressiva". Norm Roby, Decanter.
"Você não precisa ir longe para encontrar vinhos com
caráter, individualidade, qualidade e bom valor". Michael
Broadbent, Decanter.