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Borbulha em francês mas não é champagne

Como alternativa aos consagrados champagnes para brindar a virada do ano, os vinhos espumantes franceses de outras regiões podem ser tão agradáveis e por um preço mais convidativo.

por Marcelo Copello


Renato Faria e Fábio Muniz/O que é o que é? Fala francês, borbulha, mas não é champagne? Nesta época do ano os vinhos espumantes vêm sempre à baila e, f ato indiscutível, nessa categoria reinam absolutos os produtos da prestigiosa região de champagne. Mas nem tudo que borbulha em francês é Champagne, existem os "mousseux", "crémants" e "pétillants", denominações de espumosos produzidos em outras regiões francesas, onde os destaques são a Alsacia, o Val de Loire e a Borgonha.


A Alsacia, no nordeste do país, fronteira com a Alemanha, é famosa por seus excelentes vinhos brancos, secos e doces. A região produz 165 milhões de garrafas ao ano, sendo 15 milhões de vinhos espumantes, os "Crémant d'Alsace". A principal uva utilizada nos espumantes da região é a Pinot Blanc, mas outras, como Pinot Gris, Pinot Noir, Riesling ou Chardonnay, também são comuns. O estilo geral é de bebidas delicadas, elegantes, de ótima acidez, elaboradas pelo método champenoise (com a segunda fermentação na garrafa).

O Val du Loire é uma região extensa, com mais de 30 mil hectares de vinhedos, que produzem uma variada gama de vinhos, incluindo bons espumantes. O "Crémant de Loire" tem como principal casta a Chenin Blanc, mas também são comuns a Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir e a Chardonnay. Aqui há muitos bons espumantes com outras denominações, como Vauvray, onde há brancos secos, frisantes e ótimos espumantes, elaborados pelo método champenoise e cheios de personalidade.

A Borgonha, origem de alguns dos maiores tintos e brancos do planeta, também não faz feio no campo dos espumantes. O mosaico borguinhão comporta nada menos que 99 AOC's (Appellation d'Origine Contrôlée - denominação de origem controlada), uma delas é a "Crémant de Bourgogne". As uvas utilizadas são as clássicas da região, Pinot Noir e Chardonnay e método o champenoise, que produz vinhos de boa estrutura e cremosidade, rivalizando com alguns champagnes.

Uma boa olhada nos produtos dessas regiões nos mostra que é possível degustar boa perlage, com legítimo sotaque gaulês, gastando bem menos do que com os consagrados champagnes. Isso ficou provado nos quatro vinhos testados, todos de bom nível e com preço convidativo.

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