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Os cubanos no Brasil

ADEGA conversou com representante da Habanos S.A. para saber seus planos para o mercado brasileiro e mundial

Por Paulo Rogério Bueno


Divulgação

ADEGA esteve presente em um evento que marcou o início de uma nova era do que parecia ser o conturbado mercado de charutos no Brasil: a (re)inauguração da quinta Casa del Habano no Esch Café. Lá, entrevistamos uma das maiores autoridades em charutos cubanos, o vice-presidente da Habanos S.A., Don Manoel Garcia, ou Manoelito, como gosta de ser chamado pelo amigos. A Habanos S.A. é uma estatal cubana responsável pela comercialização dos charutos e subprodutos, assim como tudo o que é vinculados à marca "Casa del Habano".

Tivemos também o prazer de conversar com Alberto Salles, sócio-proprietário da "Emporium Cigar", firma responsável pela importação e distribuição oficial dos produtos da Habanos S.A., assim como a intermediação de franquia da "Casa del Habano".

Com muita informalidade, mas sem perder o requinte que merecem os puros Habanos, saiba mais do mercado que cresce a cada dia no universo do luxo e sofisticação no Brasil.

DON MANOEL GARCIA
Quais são as marcas principais de comercialização no Brasil?

A empresa estatal Habano S.A. tem 34 marcas de charutos reconhecidas internacionalmente, das quais apenas 27 são totalmente feitas à mão. Aqui existe um processo de registro de marca e temos que fazer isso passo a passo. Até o momento são 14 as marcas registradas no Brasil.

Qual sua visão quanto ao mercado de charutos no Brasil em comparação com outros países da América Latina?
Há outros países na América Latina que vendem mais (Argentina). Pensamos, assim, que existe, no Brasil, um grande potencial. Ao lado de uma companhia como a Emporium Cigar, achamos que o País pode vir a ocupar o primeiro lugar no mercado latinoamericano.

Hoje qual o maior mercado dos charutos cubanos no mundo? Espanha em primeiro lugar, depois França e, em seguida, Alemanha. O mercado inglês é muito sofisticado, elitista, que conhece muito bem o charuto cubano, mas sofre muito com as restrições em relação ao fumo (leis antitabagismo) e, com isso, vem registrando quedas ano a ano.

Qual o balanço do ano passado em valores e unidades vendidas de charutos cubanos "Premium" (folhas inteiras produzidos à mão)?
Normalmente não divulgamos uma contabilização em valores. Em unidades, são mais de cem milhões. Não há um número exato, pois não achamos isso necessário. Estamos em mais de 160 países, em todos os continentes, temos uma rede de produção exclusiva praticamente para o mundo inteiro, com exceção do mercado norte-americano. Isso apenas em relação ao "Premium".

No Brasil há uma comercialização de charutos ilegais, sejam eles contrabandeados e ou falsificados. Existe uma ação da Habanos S.A. para o combate a este mercado?
Estamos combatendo com todas nossas forças as ações ilegais contra as companhias que estão comercializando aqui ou em qualquer lugar do mundo os charutos falsos cubanos. Mas esse é um problema que temos em muitos lugares.

Ano passado, Cuba sofreu com três furacões. Como estão as plantações e o estoque?
Os furacões foram muito severos e calcula-se que os danos causados à economia cubana estão em torno de US$ 5 milhões. Por sorte, não houve grandes danos ao setor de charuto, pois, nesse momento não havia tabaco plantado (entressafra). Porém, aconteceu um dano considerável nas casas de secagem e maturação das folhas, que também não estavam com produtos. Mais de 5 mil foram atingidas. Ou seja, os furacões foram muito devastadores, mas, no caso do tabaco, não causou grande impacto e os estoques estão normais.

Divulgação

Existem outros mercados em que a Habanos S.A. está iniciando ações parecidas como no Brasil?
Sim, agora é um momento muito importante dos países que fazem parte do BRIC, ou seja, Brasil, Rússia, Índia e China. Esses são mercados que estão na mira de todos os produtores.

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