Harmonizar vinhos e pratos é uma arte com algumas regras mais ou menos fixas, mas sempre haverá espaço para o gosto pessoal
Harmonização vem da palavra italiana Abbinamento, que significa andar lado a lado, casar, formar par, combinar. Isso é o que se procura alcançar nas refeições focando sempre nas combinações por elementos em comum, com base em seus similares, como molhos delicados com vinho leves, pratos intensos com fermentados estruturados e assim por diante. Ou então pelos seus opostos, sempre os mais provocantes e desafiadores, como o doce com salgado por exemplo, no caso clássico do Porto Vintage com queijos azuis ou do Sauternes com foie gras.
Existem também aquelas combinações que geram muitas discussões, como o bom e velho bacalhau. De um lado, os partidários do branco encorpado e barricado, alegando ser o melhor para harmonizar com um peixe. Do outro, os defensores mais xiitas, que preservam a cultura portuguesa na veia e indicam os tintos da Bairrada, com a uva Baga, alegando ser este um peixe de estrutura, untuoso, com sabor e textura marcantes. Contudo, os mais em cima do muro apontam que o determinante será o preparo da iguaria diante de sua receita.
Porém, as regras de harmonização existem, em sua grande maioria, para alcançar um patamar ainda mais alto de sensações e sabores, sem sobreposições, e não simplesmente para criar discussões - apesar de isso algumas vezes parecer deliciosamente divertido.
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