As diversas proibições pelas quais o tabaco tem passado nos últimos anos mostram sua força e seu vínculo na história recente da humanidade, sendo assim, é interessante conhecer o trajeto desta planta até hoje.
O seu uso surgiu aproximadamente no ano de 1.000 a.C., nas sociedades indígenas da América Central, em rituais mágicos e religiosos, com objetivo de purificar, contemplar, proteger e fortalecer os ímpetos guerreiros. Além disso, acreditavam que os rituais envoltos com a planta tinham o poder de predizer o futuro.
Bebida, comida ou fumada, ela intervinha nas cerimônias religiosas - como rituais de passagem da adolescência para a idade adulta - e era usada de forma cotidiana desde a nascente do Mississipi até à Patagônia. O tabaco, provavelmente, foi trazido para o Brasil pela migração dos índios tupi-guaranis.
A chegada de Pedro Álvares Cabral à nossa costa, a descoberta do caminho marítimo para as Índias, a exploração da costa africana e a chegada de Colombo à América, entre outros conhecimentos adquiridos nessa altura, supõem também o primeiro contato dos ocidentais com o tabaco.
A partir de então, rapidamente seu uso se estendeu a toda a Europa, empurrado, sobretudo pelo grande valor terapêutico que lhe era atribuído. O uso do tabaco era frequente em reuniões tribais, servindo de afirmação individual ou coletiva.
As suas propriedades alucinógenas provocavam momentos de delírio e tontura, sentimentos que eram, muitas vezes, atribuídos a hipotéticas divindades, assumindo, desta forma, também um caráter divino.
Apesar de alguma relutância na sua aceitação pelos europeus "civilizados" - fundamentalmente pelo fato de os índios o fumarem -, rapidamente o tabaco se tornou não só um elemento farmacológico, mas também de uso social e, especialmente, econômico
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Comércio do tabaco sempre envolveu grandes cifras
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Importância comercial
Os portugueses utilizavam o tabaco já preparado, como os charutos que conhecemos hoje, nas importantes relações com a costa ocidental africana, cujas populações o adaptaram e o integraram no espaço definido pelas ervas de caráter alucinatório que já utilizavam.
A partir de então, o tabaco assume um papel importante no comércio negreiro, sendo que uma parte substancial da produção servia para alimentar esta atividade - usado como escambo: troca de produtos sem o uso de moeda.
Assim, o tráfico negreiro apresentava oscilações, consoante ao aumento ou diminuição da produção de ouro, tabaco e cana-de-açúcar, que funcionavam como os principais produtos para estabelecerem as trocas comerciais.
Mais tarde, e para concorrer com os traficantes europeus - holandeses, ingleses, franceses, espanhóis e até com os portugueses - os traficantes do Brasil usavam, como moeda, o tabaco e a aguardente produzidos no Brasil. Eles enriqueceram de tal forma com seus negócios que esse comércio ilegal começou a irritar as autoridades portuguesas, que não viam com bons olhos o controle do tráfico de escravos exercido pelos comerciantes baianos em detrimento dos negociantes da metrópole.
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