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Cru Bourgeois: o Bordeaux nosso de cada dia

Excelentes opções para quem pretende apreciar os vinhos de Bordeaux, sem desequilibrar as finanças.

Por Marcelo Copello


fotos: Christian Bauer/Stock.Xchng e Marcelo Copello

As últimas décadas viram uma grande mudança no mundo do vinho. Muitos novos rótulos surgiram, de regiões antes pouco ou nada conhecidas. Engana-se quem acha que isso enfraqueceu a imagem dos vinhos clássicos. Bordeaux, por exemplo, continua a ser o arquétipo de vinho. Em boa parte dos Cabernets e Merlots envasados, está implícita uma reverência à Bordeaux. Das uvas ao formato da garrafa, essa região francesa continua sendo a maior referência mundial em tintos.

É bom lembrar que Bordeaux é imensa. São 13 mil viticultores e 9 mil Châteaux engarrafadores de vinho. Esse universo comporta não apenas os grandes ícones, que fazem a fama da região, mas também muitos vinhos ruins, com uma gama de preços que vai do chão à Lua.

Os vinhos da região já sofreram diversas classificações. A primeira e mais famosa é a de 1855, quando os melhores caldos das sub-regiões do Médoc, Graves e Sauternes receberam o título de Grand Cru Classés (em cinco níveis, de 1º a 5º). No topo dessa pirâmide estão os famosos Premier Cru Classés, os Châteaux Margaux, Latour, Mouton-Rothschild, Lafite Rothschild, Haut- Brion e d´Yquem.

fotos: Christian Bauer/Stock.Xchng e Marcelo CopelloInfelizmente, todos os Cru Classés são caros. Uma boa opção para provar Bordeaux de qualidade sem dar em troca um braço ou um rim é escolher dentre os Cru Bourgeois. Essa classificação elegeu pela primeira vez, em 1932, os melhores vinhos do Médoc (dentre os que ficaram de fora do certame de 1855), agrupando-os em três níveis: Cru Bourgeois Exceptionnel (CBE), Cru Bourgeois Supérieur (CBS) e Cru Bourgeois (CB). Os Cru Bourgeois sofrem periodicamente uma reclassificação - a mais recente aconteceu em 2003 e gerou muita polêmica, levando o assunto aos tribunais.

Dos 490 Châteaux que se inscreveram na seleção, apenas 247 receberam o título, gerando insatisfação e acusações. Nove rótulos foram escolhidos como CBE, 87 como CBS e 151 como CB. A polêmica está nos critérios subjetivos adotados, como reputação e terroir, além da degustação, que foi apenas das safras de 1994 a 1999, antigas para uma classificação de 2003.

Brigas à parte, o que importa é saber que os Cru Bourgeois geralmente representam boas compras. Seu estilo geral é de vinhos de médio corpo, frutados, elaborados com predominância de Cabernet Sauvignon, seguida de Merlot, com menos madeira, e para serem consumidos mais jovens que os Cru Classés, entre 5 a 10 anos.

Confira a avaliação de dez Cru Bourgeois feitos por ADEGA, todos bons representantes da categoria:

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