
As últimas décadas viram uma grande mudança no mundo do vinho. Muitos
novos rótulos surgiram, de regiões antes pouco ou nada conhecidas. Engana-se
quem acha que isso enfraqueceu a imagem dos vinhos clássicos. Bordeaux,
por exemplo, continua a ser o arquétipo de vinho. Em boa parte dos Cabernets
e Merlots envasados, está implícita uma reverência à Bordeaux. Das uvas
ao formato da garrafa, essa região francesa continua sendo a maior referência
mundial em tintos.
É bom lembrar que Bordeaux é imensa. São 13 mil viticultores e 9 mil
Châteaux engarrafadores de vinho. Esse universo comporta não apenas os
grandes ícones, que fazem a fama da região, mas também muitos vinhos ruins,
com uma gama de preços que vai do chão à Lua.
Os vinhos da região já sofreram diversas classificações. A primeira e
mais famosa é a de 1855, quando os melhores caldos das sub-regiões do
Médoc, Graves e Sauternes receberam o título de Grand Cru Classés (em
cinco níveis, de 1º a 5º). No topo dessa pirâmide estão os famosos Premier
Cru Classés, os Châteaux Margaux, Latour, Mouton-Rothschild, Lafite Rothschild,
Haut- Brion e d´Yquem.
Infelizmente,
todos os Cru Classés são caros. Uma boa opção para provar Bordeaux de
qualidade sem dar em troca um braço ou um rim é escolher dentre os Cru
Bourgeois. Essa classificação elegeu pela primeira vez, em 1932, os melhores
vinhos do Médoc (dentre os que ficaram de fora do certame de 1855), agrupando-os
em três níveis: Cru Bourgeois Exceptionnel (CBE), Cru Bourgeois Supérieur
(CBS) e Cru Bourgeois (CB). Os Cru Bourgeois sofrem periodicamente uma
reclassificação - a mais recente aconteceu em 2003 e gerou muita polêmica,
levando o assunto aos tribunais.
Dos 490 Châteaux que se inscreveram na seleção, apenas 247 receberam
o título, gerando insatisfação e acusações. Nove rótulos foram escolhidos
como CBE, 87 como CBS e 151 como CB. A polêmica está nos critérios subjetivos
adotados, como reputação e terroir, além da degustação, que foi apenas
das safras de 1994 a 1999, antigas para uma classificação de 2003.
Brigas à parte, o que importa é saber que os Cru Bourgeois geralmente
representam boas compras. Seu estilo geral é de vinhos de médio corpo,
frutados, elaborados com predominância de Cabernet Sauvignon, seguida
de Merlot, com menos madeira, e para serem consumidos mais jovens que
os Cru Classés, entre 5 a 10 anos.
Confira a avaliação de dez Cru Bourgeois feitos por ADEGA, todos bons
representantes da categoria:
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