Lá visitei o mais importante e inovador produtor da região: Falesco.
Esta empresa foi criada em 1979 pelos irmãos Renzo e Riccardo Cotarella.
O currículo da dupla impõe respeito. O primeiro é administrador e braço
direito do marquês Piero Antinori, grande nome dos vinhos da Toscana e
precursor do renascimento enológico italiano. O segundo é hoje um dos
mais respeitados enólogos do mundo, consultor de 60 vinícolas.
Localizada
no vale do rio Tevere, que divide Úmbria do Lazio, a Falesco produz 4
milhões de garrafas ao ano, possui 265 hectares de vinhedos próprios e
mais 90 hectares arrendados. Um investimento de 30 milhões de euros foi
feito, parte dele em uma nova e moderníssima cantina em Montecchio, próxima
a Orvieto, com capacidade para cinco milhões de garrafas. Além disso,
os Cotarella, com o apoio da Università della Tuscia, em Viterbo, desenvolvem
um trabalho de pesquisa do solo da região e de seleção de clones de uvas,
mantendo um vinhedo experimental com 32 variedades, como Tannat, Carménère,
Nero d´Avola, Malbec, Primitivo e Monteúlciano.
Riccardo Cotarella, que nos recebeu pessoalmente, mostrou cada etapa
da elaboração de seus vinhos. Adepto da tecnologia de ponta, Cotarella
sentenciou: "a enologia hoje é uma ciência". Dentre as muitas novidades
tecnológicas que aperfeiçoou e utiliza uma chamou a atenção: o "refrigerador
contínuo". O suco das uvas brancas é resfriado a 2oC, passa depois de
6 a 16 horas em contato com suas cascas, para maior extração dos elementos
de aroma e sabor. "Se vinificássemos só a polpa os vinhos seriam todos
iguais, pois a polpa é só água, açúcar e ácidos. O caráter está nas cascas",
explica. Os tintos passam por um processo semelhante, mas a uma temperatura
mais alta (12oC), para que nenhum amargor seja extraído, depois seguem
para de 20 a 30 dias de maceração fermentativa. O resultado pode ser atestado
na personalidade e altíssimo dos vinhos provados (trazidos pela World
Wine):
Ferentano 2003, branco da uva autoctona Roscetto, permanece 20
horas em contato com as cascas antes de fermentar em barris onde permanece
por 4 meses. Amarelo dourado, com aromas de frutas maduras (abaresíduos
caxi, manga, laranja), flores amarelas, tostados, baunilha, manteiga,
minerais, paladar untuoso, fresco e longo.




Vitiano 2004, o tinto de bom custo benefício da casa, 34% Sangiovese,
33% Cabernet Sauvignon e 33% Merlot, com 3 meses em carvalho, aromas frutados
com toques de pimenta, violetas, ervas, frescor, paladar macio de médio
corpo, média persistência.


Montiano 2001, feito no Lazio, região vizinha, em solos vulcânicos.
Merlot 100%, limpo, elegante e delicado nos aromas, com toques florais,
minerais, tostados, especiarias doces, café, defumados, melaço, geléias,
paladar de muita pureza, boa acidez, madeira bem colocada, taninos muito
finos aparecem com certa doçura no fim de boca. Grande vinho.





Marciliano 2001, 70% Cabernet Sauvignon e 30% Cabernet Franc,
ainda jovem e fechado, rubi violáceo escuro, aromas concentrados de frutas
maduras, rapadura, especiarias, paladar estruturado e com aresta de taninos,
que precisam de mais tempo em garrafa para se resolver e se integrar melhor
a madeira.



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