De
lá rumei para a Campânia, no sul do país. Esta região fica na costa do
mar Tirreno e suas principais cidades são Nápoles (a capital), Salerno,
Pompéia, Benevento e Caserta. Essa parte da Itália já foi conhecida como
fornecedora do mosto meridionale,mosto do sul que seria misturado aos
vinhos do norte para dar-lhes mais cor e corpo. A Campânia também foi
a principal produtora de vinhos do Império Romano. Era daqui o Opimiano,
mais célebre vinho da antiguidade, da safra de 121 a.C. A região foi devastada
pelas lavas do vulcão Vesúvio no ano 79 d.C. cessando sua primazia na
vitivinicultura italiana.
Hoje os 13,5 mil Km2 da Campânia abrigam 41 mil hectares de vinhedos,
que geram ao ano 200 milhões de litros do fermentado. O relevo é composto
por 35% de montanhas, 50% de colinas e 15% de planícies. O número de produtores
de vinho ainda é imenso e dominado por micro-propriedades pertencentes
a camponeses.
Na última década a região tem recuperado o prestígio por suas privilegiadas
condições naturais: boa exposição ao sol, invernos moderados e verões
mornos, clima temperado com chuvas concentradas no outono e inverno. Os
solos são profundos, permeáveis e com boa fertilidade.
Os vinhedos, em sua maioria ainda em pérgola, são dominados pelas uvas
brancas, como a Trebbiano, Malvasia Bianca di Candia, Falanghina, Fiano
e Greco. Estas dão origem a alguns vinhos bastante típicos como o Greco
di Tufo e o Fiano di Avelino. Algumas tintas também têm tradição, como
a Aglianico (também denominada Vitis Helenica, é a uva mais antiga da
Itália, proveniente da Grécia). Essa uva muito escura dá origem ao Taurasi,
tinto mais tradicional e único DOCG da região. A Aglianico é uma casta
que demora a amadurecer e que se não for bem trabalhada gera vinhos rústicos,
de taninos duros.
A Feudi di San Gregorio, fundado em 1986 pelas famílias Capaldo e Ercolino,
é a empresa mais premiada do sul da Itália. O projeto engloba três vinícolas,
na Campania (Feudi di San Gregorio), na Puglia (Ognissole) e na Basilicata
(Vigne di Mezzo) totalizando cerca de 300 hectares de vinhedos, alguns
de vinhas centenárias, prefiloxéricas. A produção de 3,5 milhões de garrafas
é capitaneada por ninguém menos que o já citado Riccardo Cotarella. Não
por acaso existe uma afinidade de conceito com a Falesco: usar tecnologia
de ponta para valorizar o território e as uvas locais. Isso fica flagrante
ao conhecermos a nova sede da empresa em Sorbo Serpico, próxima ao monte
Serpico, em Avelino. A arquitetura é moderna, o restaurante de alta classe
e a cantina tem todo o equipamento necessário para transformar as uvas
autoctonas em produtos que agragam modernidade a um contexto milenar.
Dentre os vários vinhos degustados no local destacam-se (trazidos pela
World Wine):
Fiano di Avelino 2004, amarelo palha esverdeado, aromas de frutas
frescas (maçã verde, pêssego), minerais, leve e fresco, com 12,5%.


Taurasi Piano di Montevergine Riserva 1999, com 18 meses em barricas
francesas novas. Rubi-granada escuro, boa complexidade, algo animal, couro,
amaixas maduras, musgo, tabaco, toques minerais, frutas secas, paladar
robusto, com uma montanha de taninos, quente (com 14%). Melhor da prova
neste produtor, para guarda.



Serpico 2003, um IGT feito com 100% de uvas Aglianico, em parte
de vinhas seculares, com 18 meses em barricas francesas novas. Rubi violáceo
muito escuro, traz certa doçura nos aromas, concentrados, mostrando tostados,
menta, geléia de cereja, especiarias, musgo, cacau, paladar encorpado,
longo, mas com taninos a resolver.



Patrimo 2002 um 100% Merlot, com 18 meses em barricas francesas
novas, roxo na cor, ótimo ataque no nariz, com vegetais, alcaçuz, menta,
framboesas, morangos, baunilha, café, bom volume de boca, com taninos
aveludados, profundos, longos.





Também provados:
Albente 2004 
Cutizzi 2004
Campanaro 2004 
Trigaio 2004 
Rubrato 2003
Ognisole Primitivo di Manduria 2004
Ognisole Vigna Cannudi 2004

Vigne di Mezzo Aglianico de Vulture 2003

Efesto 2004
Taurasi 2001
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