
Recentemente a renomada publicação norte americana especializada em vinhos
Wine Spectator lançou um questionário com uma série de perguntas
com o objetivo de levar o leitor a descobrir em qual estágio de colecionador
de vinhos está. Pois bem, as conclusões eram: 'Que bom, você está começando!',
'O negócio pegou!', 'Respire, você é fanático!', 'Você chegou a uma coleção
Nirvana!' e, por último, 'Você tem uma adega espetacular... convide-nos
para jantar'. Acreditem, muitos passam por todas essas fases. Então vamos
ao que interessa.
Espumantes
O primeiro passo é se informar para planejar como rechear a adega. A
primeira dica vai direto para os espumantes. Champagnes são absolutamente
requeridos em uma boa adega, e mais - os champagnes safrados chamados
millesimes ou vintage são insuperáveis para ocasiões
especiais. Os champagnes conhecidos como brut, sem safra, devem ser degustados
logo após a sua compra. Pode-se guardar um brut por três ou quatro anos.
Os outros espumantes, de maneira geral, devem ser comprados e consumidos
rapidamente. Não há nenhum problema em ter um champagne brut
ou mesmo um bom Prosseco na geladeira. O champagne millesime
deve ser guardado na adega juntamente com os outros vinhos de guarda.
Dos produtores de champagne que fazem a diferença temos dois grupos distintos.
O primeiro formado por empresas que produzem milhões de garrafas por ano
e o segundo são as pequenas casas que produzem seus champagnes quase que
artesanalmente. Do primeiro grupo temos a Moet et Chandon que
produz excelentes exemplares, como o Dom Perignon. Das pequenas casas,
que, aliás, produzem quase sempre melhores produtos, os destaques são
Bollinger, Gosset, Perrier Jouet e a insuperável Krug, que produz obras
primas. Todas essas casas produzem também champagnes rosés deslumbrantes,
mas a preços que às vezes não valem muito a pena.
Vinhos brancos
A próxima dica vai para os brancos que, a propósito, andam injustamente
em baixa, mas já iniciam uma franca e justa recuperação. O vinho branco
é indispensável para se vivenciar uma grande experiência enogastronômica.
São vinhos, em sua maioria, elaborados para serem degustados jovens, apesar
de existirem algumas exceções.
Ter na adega um jovem Sauvignon Blanc é fundamental. Atualmente a Nova
Zelândia e mais recentemente a África do Sul produzem os mais interessantes
exemplares dessa especial uva, ao lado dos franceses. Argentina e Chile
têm desenvolvido muitas experiências com essa uva, com excelentes resultados.
Sem dúvida, a Sauvignon Blanc, principalmente sem madeira (carvalho),
é hoje a grande expoente em base mundial.
A Chardonnay, que infelizmente foi banalizada no mundo, é muito importante,
pois a partir dessa uva são produzidos os mais espetaculares e intensos
vinhos brancos do planeta. Desde excelentes vinhos sem envelhecimento
em madeira, até os incríveis envelhecidos em carvalho, principalmente
franceses. Fica difícil não sonhar com um camarão ou lagosta condimentada
sem pensar num belo Chardonnay com madeira na mesa.
Os Chardonnays sem madeira devem ser consumidos rapidamente e os com
madeira, principalmente os franceses da Borgonha, passam a ser o primeiro
vinho branco da lista dos colecionáveis. Uma adega que pretende ser mais
que completa não pode deixar de ter um Mersault, um Puligny-Montrachet
ou Chassagne-Montrachet. Para os que podem, um Montrachet seria a garrafa
rainha de toda a adega. Não há na face da Terra nada que alie mais elegância,
força e potência, com finesse e delicadeza. Esse vinho pode durar
décadas.
Existem infinitos vinhos brancos que merecem espaço em uma adega planejada.
Outro must entre os brancos são os excepcionais e resistentes
Rieslings - essa uva produz vinhos potentes com um caráter mineral que
dificilmente pode ser alcançado por qualquer rival, como a Chardonnay.
Os grandes Rieslings do planeta são produzidos na Alemanha e na França.
São os Riesling Alsacianos os únicos vinhos que ameaçam a supremacia dos
grandes vinhos da Borgonha. Um Riesling grand cru seco
da Alsácia pode ser degustado jovem e também evoluir na garrafa por mais
de vinte anos. Um vinho que vai honrar o m² de uma boa adega.
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