
Fogos e gritos anunciam a chegada de um novo ano. As rolhas dos espumantes
fogem das garrafas e a comemoração do ano novo chega no seu ápice. Os
goles de vinho espumante vêm na seqüência dos abraços e desejos de um
ano próspero e repleto de alegrias. Essa situação é normal nas passagens
de ano, quando as pessoas abrigam-se junto a familiares e amigos para
ter uma entrada alegre e agradável no ano novo. No entanto, para um grupo
específico de pessoas, também traz um certo sentimento de angústia, de
esperança e de sonho sobre o que será a nova safra de vinhos.
Para os enólogos, vinicultores, viticultores e enófilos, cada gole de
espumante traz consigo algumas perguntas: Quais vinhos serão elaborados
neste novo ano? Como será o comportamento do clima? Que aromas e sabores
serão formados? Qual será a aceitação do vinho pelo consumidor?
Há
quem diga que a vida do profissional da uva e do vinho não é contada em
anos, mas em safras: Quantas safras tu tens? Na verdade, ela é precedida
de um longo caminho, que inicia ao termo da vindima precedente e forma
ciclos subseqüentes e ininterruptos, sem dias certos de início e término.
Estamos no final do inverno e início da primavera. As primeiras gemas
da vinha dão sinal de brotação e inicia-se a poda. O viticultor, homem
simples e dedicado, realiza a atividade que tem por objetivo, não simplesmente
retirar os galhos velhos da videira, mas estabelecer a quantidade e qualidade
que terá a uva oriunda de cada planta. Orientada por enólogos e agrônomos,
a poda é realizada tendo por base uma expectativa de clima, a vitalidade
da vinha, as características do vinho desejado... Enfim, é o início de
um trabalho que será modelado ao longo do ciclo da videira, conduzindo
sua nutrição, poda verde, despontes, seleção de cachos... Tudo para que
se tenha o máximo de qualidade na vindima. Dessa forma, percorremos toda
a Primavera, estação da floração. Chega o Verão e, com ele, o estágio
final de maturação.
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