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Vinhos exóticos

Uma degustação às cegas de vinhos 'exóticos' revelou que, em médio prazo, países como Turquia, China e México podem surpreender.

por Roberto Rodrigues*


Hungria

fotos: Roberto RodriguesVinho: Weninger Soproni Kékfrankos Spern Steiner 2000, Weninger Winery, Lake Fertó, casta Kékfrankos, Eu 18. www.soproniborvidek. hu

A Hungria não é totalmente desconhecida no mundo vinícola pois produz os famosos vinhos de sobremesa Tokaji (com uvas botritizadas). Na última década ocorreram investimentos em novas e pequenas vinícolas, bem como na melhoria de vinhedos existentes e na implantação de novos vinhedos.

O vinho degustado foi um tinto, da casta Kékfrankos (conhecida em Áustria como Blaufränkisch) que produz vinhos vivos, apimentados e de boa cor, para consumo relativamente rápido, sendo uma das mais cultivadas no país. A região de Sofroni, perto da fronteira com a Áustria, é considerada a melhor região para esta casta. Além disso o vinho é produzido a partir de uvas de um único vinhedo, o Spern Steiner.

A pequena vinícola Weninger começou a produzir na região em 1997, sendo bastante conceituada, de propriedade do enólogo Franz Weninger - que ganhou o título de melhor enólogo de 1995 na Áustria - possuindo 25 ha de vinhedos na região de Sofroni. O Sofroni Kékfrankos Spern Steiner teve sua primeira safra em 2000.

Trata-se de um vinho com aromas maduros, lembrando a carne cozida, com taninos não afinados (indicando que não deve ter utilizado madeira), e se mostrou um pouco envelhecido, decepcionando os degustadores. Pelo visto, para vinhos de Hungria, é melhor ficarmos com os mais tradicionais Tokaji. O cultivo de outras castas autóctones está incipiente e os resultados ainda deixam a desejar.

China

Vinho: Dry Red Wine Ruby Cabernet. Produtor: Greatwall. Região: Shacheng.

Uvas: Cabernet e Olho de Dragão, US$ 16.

Os grandes imperadores chineses já consumiam vinho. Na época moderna, a China se fechou muito ao mundo exterior e depois passou por um período de colonização e pela Revolução Maoísta, vindo a se tornar a quarta economia do mundo, tendo ao mesmo tempo a maior população do planeta. Tudo isso fez com a que produção de vinhos ficasse estagnada nos moldes tradicionais. Apenas recentemente algumas grandes empresas sofreram uma modernização visando uma melhoria da qualidade dos vinhos que produzem, sempre pensando na exportação de produtos baratos.

A Greatwall Wine Co. é a segunda maior vinícola da China, tendo sido fundada em 1983 na região de Shacheng, localizada condado de Huailai. Produz 33 marcas diferentes de bebidas, sendo que o Greatwall Dry Red Wine Ruby Cabernet é seu melhor vinho. Seus vinhos são exportados para 20 países representando 40% das exportações de vinhos chineses.

O vinho se apresentou claro e brilhante, sem muito corpo, com taninos agressivos denotando o uso de barris de carvalho (franceses!) já muitas vezes utilizados, carente de maciez e com final amargo. Sem grande estrutura apresenta aromas etéreos, mas não deve ser muito antigo (Obs.: Não foi possível identificar a safra do vinho pois o rótulo está em chinês!).

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