
A planta de café é originária da Etiópia, centro da África, onde ainda
hoje faz parte da vegetação natural. Foi a Arábia a responsável pela propagação
da cultura do café. O nome café não é originário de Kaffa, local de origem
da planta, e sim da palavra árabe qawa, que significa vinho. Por esse
motivou o café era considerado como 'vinho da Arábia' quando chegou à
Europa no século XIV. Os manuscritos mais antigos mencionando a cultura
do café datam de 575 no Yêmen, mas foi somente no século XV que o café
iniciou sua cultura no mundo. O café tornou-se de grande importância para
os Árabes, que tinham completo controle sobre o cultivo e a preparação
da bebida.
A Europa conheceu a bebida através dos venezianos em 1615, e o café tornou-se
uma commodity guardada a sete chaves pelos árabes. Era proibido
que estrangeiros se aproximassem das plantações, e os árabes protegiam
as mudas com a própria vida. Até o século XVII, somente os árabes produziam
café. Alemães, franceses e italianos procuravam desesperadamente uma maneira
de desenvolver o plantio em suas colônias. Mas foram os holandeses que
conseguiram as primeiras mudas e as cultivaram cuidadosamente nas estufas
do jardim botânico de Amsterdã. Dessas plantas, os holandeses iniciaram
em 1699 plantios experimentais em Java. Essa experiência de sucesso trouxe
lucro, encorajando outros países a tentar o mesmo. A Europa maravilhava-se
com o cafeeiro como planta decorativa, enquanto os holandeses ampliavam
o cultivo para Sumatra, e os franceses, presenteados com um pé de café
pelo burgomestre de Amsterdã, iniciavam testes nas ilhas de Sandwich e
Bourbon.
Com as experiências holandesa e francesa, o cultivo de café foi levado
para outras colônias européias. Num esforço apaixonado, Gabriel De Clieu
leva o café para Martinica. O crescente mercado consumidor europeu propicia
a expansão do cultivo do café para o México, Jamaica, Quênia e Vietnã.
Foi dessa maneira que o segredo dos árabes foi espalhado por todos os
cantos do mundo.

O café no Brasil
A entrada do café no Brasil é mais uma história cercada de mistério e
paixão. Contase que Francisco de Melo Palheta foi mandado ao Suriname
com a missão de trazer uma muda da valiosa planta. Palheta aproximouse
da esposa do governador de caiena, capital do Suriname, conseguindo conquistar
sua confiança. Assim, uma pequena muda de café Arábica foi oferecida clandestinamente
e trazida escondida na bagagem desse brasileiro.
Por quase um século, o café foi a grande riqueza brasileira, e as divisas
geradas pela economia cafeeira aceleraram o nosso desenvolvimento e inseriram
o Brasil nas relações internacionais de comércio. A cultura do café ocupou
vales e montanhas, possibilitando o surgimento de cidades por todo o interior
do estado de São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná. Ferrovias
foram construídas para permitir o escoamento da produção, substituindo
o transporte animal e dinamizando o comércio interregional de outras importantes
mercadorias.
A riqueza fluía pelos cafezais, evidenciadas nas elegantes mansões dos
fazendeiros, que traziam a cultura européia aos teatros erguidos nas novas
cidades do interior paulista. Durante dez décadas o Brasil cresceu, movido
pelo hábito do cafezinho, servido nas refeições de meio mundo, interiorizando
nossa cultura, construindo fábricas, promovendo a miscigenação racial
através da imigração, dominando partidos políticos. Derrubando a monarquia
e abolindo a escravidão.
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