Otávio,
assim como em seu programa - A Noite é uma Criança, da TV Bandeirantes
- tem uma relação irreverente e extrovertida com o vinho, sem perder o
espírito crítico de escolher a dedo grandes vinhos que o acompanham em
momentos marcantes de sua vida, há mais de uma década.
Como você iniciou no mundo do vinho?
Foi de uma maneira bem interessante. Há mais ou menos dez
anos, eu tinha um programa de TV, o extinto Perfil, do SBT. O Lopes da
Terroir, na época gerente da Expand, tentava me convencer a ter um quadro
sobre vinho dentro do programa. Eu resistia dizendo que achava que era
bebida de velho. Até que ele me convenceu, não só de ter o quadro, mas
também ver que vinho não é bebida de velho coisa nenhuma. Pelo espaço
na TV, ele me daria em troca vinho.
Como foi a relação da permuta?
Durou apenas três meses. Escolhia os vinhos pelo preço e queria vinhos
para beber e dar de presente. Com o passar do tempo fui me interessando
cada vez mais pela cultura e história dos vinhos.
Quais tipos de vinho você escolhia?
Eu não tinha a mínima noção... Cheguei a ter umas trinta garrafas de vinhos
de Bourdeaux, da safra de 82, sem saber o que significava*. Ia somente
pelo preço da garrafa, não tinha critério algum. O lado bom disso é que
foi uma experiência única e quando me dei conta estava diante de preciosidades.
Hoje, às vezes, me arrependo de ter tomado quase todas aquelas garrafas
sem ainda estar pronto para apreciá-las.
O
que você fez depois que terminou a permuta?
Daí em diante eu não parei mais de beber! Virei um consumidor assíduo
e com critérios próprios de compra. A história toda que envolve o vinho
é fascinante. Desde as tradições familiares, passando pelo cultivo até
o ritual de beber em si.
Essa história deve ter lhe rendido muitas garrafas, como
é a sua adega?
Eu tenho uma adega com capacidade para até 1000 garrafas. Mas como estou
mudando de casa, estou preparando um lugar todo especial para ela. Será
embutida na parede do meu home theather, no formato de colméia. A iluminação
permitirá que a pessoa passe em frente e admire sem ter que entrar.
Será que home theather não é um lugar incomum para ter uma
adega?
Eu adoro abrir uma garrafa especial sozinho em minha sala,
apreciando um bom charuto, sob o som marcante de Pavarotti, Maria Rita
e ABBA. Faço isso direto na minha casa.
Em que outras ocasiões você gosta de tomar vinho?
Sou daqueles que bebe pelo menos uma taça por dia, seja no almoço ou no
jantar. Quando tenho algum encontro com amigos especiais, sempre levo
um rótulo especial para dividir no momento, geralmente um Château de Bordeaux
de boa safra. Acho que o vinho é um agregador de relacionamentos. Ele
aproxima as pessoas. Tem gente que me convida pra tomar um bom vinho e
jogar conversa fora.
Tem algum rótulo especial em sua adega?
Tenho grandes vinhos aqui, como um Château Ausone, Grand Cru Classe, 1982,
entre outros Château Lafite, Haut Brion, Margaux, Petrus. Uma garrafa
que guardo e nem é de uma grande safra é um Castillo Ygay - Rioja 59,
ano do meu nascimento. Essa é a minha safra!
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