Aprendi a beber chope nas mesas do Pingüim, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Lá descobri que pedir a bebida sem colarinho é sacrilégio, que beber em goles generosos facilita a degustação, e que algumas iguarias realçam seu sabor. Estabeleci meus parâmetros de qualidade e comparação. Tudo com muita simplicidade, sem pretensões de especialista e, principalmente, bebendo bastante e gastando o suficiente.
Guardadas as devidas proporções, por que é tão difícil entrar para o mundo do vinho pela porta dos restaurantes e bares? A resposta a essa pergunta reside, com certeza, na coluna da direita das cartas de vinho. Tire a prova: procure o seu rótulo predileto nos restaurantes e bares da sua cidade. Esteja bem sentado nessa hora. Vinhos que custam três ou até quatro vezes o seu preço de consumo são comuns em casas festejadas das principais capitais brasileiras.
A boa notícia é que essa realidade está mudando. De olho em um mercado que cresce a cada dia, alguns comerciantes apostam na possibilidade de hospedar bebedores que gostam de vinho e querem
aprender sobre o assunto, sem gastar o
salário do mês em uma degustação. Como garimpeiro, percorri pacientemente quatro opções paulistanas das mais interessantes. Para todos, o mesmo desafio: uma boa relação custo x benefício na combinação entre um vinho e um prato.
Cordeiro e Melot
Primeira parada: Café Journal, em Moema, zona sul da capital paulista. Bar em estilo retrô, aconchegante, com tijolos à vista e iluminação moderada, freqüentado por um público jovem e descontraído. O bar começou com uma oferta pequena de vinhos e hoje possui uma adega de respeito, com mais de 500 rótulos, de 18 países e 28 importadores - daquelas que dá gosto visitar e percorrer com os olhos. A carta, dividida por países, também traz informações sobre as uvas presentes em cada vinho, o corpo e a safra da bebida.
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