A agroindústria do vinho nacional, centrada no Sul do país, assumiu historicamente
a exclusividade da produção e abastecimento da demanda do mercado interno
brasileiro.
Mais recentemente, especialmente a partir da década de 80, começaram
a ocorrer investimentos com a implantação e a modernização das vinícolas
(setor industrial), motivados por um mercado interno com potencial para
produtos de melhor qualidade (vinhos finos) e de maior preço. No mesmo
período, a agroindústria de suco conseguiu se destacar pela qualidade
e singularidade do produto elaborado, vindo a conquistar mercados internacionais
exigentes.
Paralelamente, verificou-se um intenso processo de implantação e modernização
tecnológica das vinícolas e processadoras de suco. Porém, o setor de produção
vitícola (produção agrícola) não participou da mudança com a velocidade
e objetividade necessárias, embora já houvesse tecnologias disponíveis
capazes de promover uma melhora significativa da produção. Como conseqüência
desse quadro, a qualidade da matéria-prima nacional (uvas para processamento)
tem apresentado potencial enológico inferior ao dos concorrentes, prejudicando
sua capacidade competitiva no atual contexto de mercado globalizado.
| Participação dos Vinhos Importados
e Nacionais no Mercado Brasileiro de Vinhos Finos, 2001/2005
(1000 litros) |
| País |
2001 |
2002 |
2003 |
2004 |
2005 |
Argentina |
2.618.001
3,94% |
3.884.432
6,96% |
5.863.683
10,37% |
11.210.771
17,44% |
11.981.135
17,22% |
Chile |
5.175.898
7,77% |
6.206.675
11,12% |
7.971.749
14,11% |
11.160.061
17,36% |
11.685.418
16,79% |
Outros |
27.397.927 41,19% |
16.463.321 29,50% |
15.493.907 27,41% |
16.786.455 26,18% |
17.271.782 24,82% |
Nacionais |
31.327.391 47,10% |
29.258.639
52,42% |
27.189.888 48,11% |
25.121.136 39,00% |
28.650.377 41,17% |
TOTAL |
66.519.217
100,00% |
55.813.067
100,00% |
56.519.227
100,00% |
64.278.423
100,00% |
69.588.712
100,00% |
|
Relativamente à estrutura produtiva e mercadológica, o setor vinícola
brasileiro, concentrado no Estado do Rio Grande do Sul, apresenta uma
característica atípica relativamente aos países tradicionais produtores
de vinhos e derivados da uva e do vinho, pois, enquanto naqueles são admitidos
apenas produtos originários de variedades de uvas finas (Vitis vinifera),
no Brasil, além desses, existem produtos originários de variedades americanas
(Vitis labrusca e Vitis bourquina) e híbridas, que representam
mais de 80% do volume total de produção dessa cadeia produtiva, o que
evidencia a existência de uma dualidade estrutural no setor.

O segmento de vinhos finos (vinhos tranqüilos e espumantes), com o processo
de abertura da economia brasileira, tem enfrentado uma forte concorrência
registrando-se taxas significativas de crescimento das importações de
vinhos de mesa. No período de 2001-2005, a participação dos vinhos importados
no mercado brasileiro de vinhos finos passou de 53% para 59% (tabela 1),
sendo que, em 1994 essa mesma participação era de 31,6%. Por outro lado,
fica evidente o espaço conquistado pela Argentina e pelo Chile no mercado
brasileiro, em detrimento dos demais países exportadores, em especial
dos europeus. Esse quadro se revela ainda mais preocupante quando confrontado
especificamente com as estatísticas referentes à comercialização do vinho
fino nacional (tabela 2 na próxima página), verificandose, no período
2001-2005, uma queda no volume absoluto comercializado de 15,5%, sendo
que, quando analisado o período de 1999-2004, a queda foi de 47%; portanto,
a perda de competitividade dos vinhos finos brasileiros no mercado interno,
embora com uma inversão de tendência em 2005, tem se mostrado inexorável.
Com base na tabela 2, chama a atenção o significativo incremento verificado
na comercialização dos espumantes, sobretudo dos "tipo moscatel", que
no período apresentou um crescimento no volume comercializado de 122,2%.
Da mesma forma, o crescimento consistente verificado nos volumes comercializados
dos espumantes (Brut e Demi-Sec), que no período foi de 41,3%, também
é significativo, podendo ser considerado fato raro, mesmo tratando-se
de volumes absolutos relativamente pequenos. Este parece ser um dos segmentos
dentro da cadeia vitivinícola com grandes possibilidades de crescimento,
pois, além do potencial de expansão do mercado interno, há o reconhecimento
internacional quanto à qualidade dos espumantes brasileiros, fator decisivo
para sua inclusão na pauta de exportação de produtos brasileiros.
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