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Paz na guerra dos mundos

O resultado da guerra entre o 'Novo Mundo' e o 'Velho Mundo' dos vinhos parece ser dos melhores: enquanto os vinhos modernos abaixam a empolgação e se rendem a algumas tradições, os clássicos aderem a novas tecnologias e paladares. O consumidor ganha dos dois lados.

por Marcelo Copello


Os marcianos invadem a terra. O fim parece inevitável. A raça humana e seus milênios de história e civilização estão na iminência do fim. Nada parece deter o avanço das forças alienígenas, até que... O enredo de 'A Guerra dos Mundos' (The War of the Worlds), clássico de H.G Wells, escrito em 1898, parece se encaixar como uma luva quando pensamos na transformação que o mercado do vinho viveu nas últimas décadas. A virtual guerra entre o emergente 'Novo Mundo' e o establishment do 'Velho Mundo'.

O livro (que virou programa de rádio com Orson Welles em 1938 e filme duas vezes - em 1953 e 2005) combina sátira política e crítica ao colonialismo, com advertência aos perigos do progresso científico. Numa analogia, é fácil imaginarmos aquele pequeno produtor europeu, que fazia vinho como seu tataravô, sendo exterminado pelas grandes corporações 'marcianas' do Novo Mundo. Ou ainda, em uma degustação às cegas, aquele delicioso Bourgogne sendo desintegrado por canhões australianos super-concentrados e blindados com carvalho. Para quem não entendeu a comparação explico:

Histórico
Nas últimas décadas o mundo viu uma verdadeira revolução em sua indústria. Até os anos 70, os vinhos de qualidade eram apenas os famosos e caros (quase todos franceses), só para os ricos. Os demais produtos eram inferiores e cumpriam a função de bebida nutritiva, principalmente para os camponeses e classes trabalhadoras. Desde então, a produção, a qualidade e o consumo do vinho se espalharam por todos os continentes e todas as classes. O comércio mundial da bebida teve um enorme crescimento, com uma peculiaridade - o eixo de produção e consumo lentamente se moveu para fora da Europa. Enquanto o resto do mundo descobriu o vinho, países tradicionais da Europa, como Itália e França, viram o consumo interno cair de mais 100 litros por pessoa ao ano, nos anos 60, para quase a metade desse volume hoje. Nos últimos 25 anos, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Chile e Argentina aumentaram juntos sua participação no mercado em cerca de 15 vezes (1.500%).


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