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| A cidade de Bento Gonçalves em 1901 |
Implantando vinhedos idênticos aos de sua terra, mas com uma uva americana, a Isabel, o vinho brasileiro saiu da produção familiar e, aos poucos, foi virando um negócio. Enquanto esse vinho circulava na Serra Gaúcha, as dificuldades eram poucas, mas novos mercados precisavam ser abertos. Então, os carroções e até mesmo o lombo dos burros eram os meios de transporte para que o vinho descesse a Serra e encontrasse o consumidor final. Muitas foram as perdas nesses primeiros tempos. A falta de higiene e cuidados básicos, muitas vezes, comprometia safras inteiras.
Em 1912, é fundada a Federação das Cooperativas do Rio Grande do Sul
A mão do governo e as cooperativas
Alguns produtores mais ousados não gostavam de ver seus vinhos comprados a preços irrisórios, especialmente depois de saberem que esses mesmos vinhos eram vendidos por até cinco vezes mais nos grandes centros de consumo. O governo estava atento, não pelo fato de proteger o produtor, mas sim porque essas transações comerciais não rendiam nada de impostos.
É do ano de 1910 em diante que vão surgindo as empresas de vinho no Brasil, pois o governo federal queria arrecadar impostos sobre a produção e comercialização das uvas e dos vinhos. Para instruir os novos produtores a se organizarem, o governo contratou o advogado italiano José Stefano Paterno, expert em montagem de cooperativas, que obtivera muito sucesso com a implantação das mesmas na Itália e no Paraguai. Assim, em pouco tempo, mais de 30 cooperativas estavam organizadas e, em 1912, é fundada a Federação das Cooperativas do Rio Grande do Sul.
Após esse júbilo, uma série de crises durante o governo do Marechal Hermes da Fonseca fez com que o sistema de cooperativas praticamente se desfizesse e os negociantes individuais de vinhos assumissem a posição de "única salvação" para a jovem e inexperiente indústria vinícola.
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