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| Vinícola Aurora ajudou a tornar o vinho popular com seu Sangue de Boi |
Em 1929, José de Moraes Velhino reúne um grupo de amigos e funda a Sociedade Vinícola Riograndense, cujo rótulo nascido dessa sociedade - Granja União - faria história no Brasil. Além de comprar e escoar toda a produção de uva e vinho de Caxias do Sul, a Sociedade implantou o projeto Granja União, cultivando muitos hectares com diversas cepas vitiviníferas europeias. Até um grande parreiral da uva portuguesa do Douro, a Souzão, foi implantado. Naquela época, o vinho mais vendido no Brasil era o Porto. Então, não custava sonhar em fazer um vinho semelhante.
A partir de 1920, os produtores começam a olhar para a qualidade
Como resultado positivo, a Sociedade estimulou aos demais produtores e, assim, no início dos anos 30 a Serra Gaúcha assistiu ao nascimento de mais de 25 cooperativas, muitas delas resistindo bravamente até os dias de hoje e fazendo muita história com a gama de vinhos que disponibiliza no mercado.
As referências do vinho da Serra Gaúcha
Acompanhando o crescimento do comércio, o vitivinicultor gaúcho ia, aos poucos, se escolarizando em sua arte. Deve-se ao grande professor italiano que fincou raízes no Brasil, Celeste Gobbato a edição do livro "Manual do Vitivinicultor Brasileiro", onde tudo o que fez e testou na Estação Experimental de Viticultura e Enologia, instalada em Caxias do Sul, era apresentado de forma ilustrada e muito didática. Este manual foi tão lido quanto a Bíblia na Serra Gaúcha.
Chegamos à década de 1940 e o Brasil conheceria três grandes "leões" nesse mundo da uva e do vinho: os médicos Luiz Pereira Barreto e Campos da Paz e o agrônomo Julio Seabra Inglez de Sousa. Os dois primeiros insistindo e provando que o Brasil tinha grande potencial para investir na vitivinicultura, fazendo cultivar cepas resistentes ao nosso clima, em que os altos índices de umidade provocaram muitas doenças nas castas mais delicadas. Já o professor Inglez de Sousa, da Escola de Agronomia Luiz de Queiroz, de Piracicaba, em São Paulo, estudava in loco e academicamente toda a vitivinicultura brasileira. Seu livro "Uvas para o Brasil" até hoje é considerado um clássico e um marco nesse assunto.
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