Quando pensamos numa “aristocracia” dos vinhos da Borgonha logo alguns nomes vêm à mente, como a família Villaine, em Vosne-Romanée, os Laguiche, em Montrachet e, certamente, os Vogüé, em Chambolle-Musigny. Os vinhos do Domaine Comte Georges de Vogüé fazem parte de um seleto grupo de Grand Crus borgonheses celebrados mundialmente.
Para quem não se lembra, na Borgonha, diferentemente de Bordeaux, não são os produtores que são considerados Grand Crus ou Premier Crus, mas, sim, os vinhedos de onde vêm as uvas para seus vinhos. E também por isso Vogüé é tipo uma lenda na região.
Outro fato interessante de se notar na história da região, e que também aumenta o status de Vogüé, é que grande parte dos Domaines borgonheses – devido à Revolução Francesa, que confiscou e dividiu as terras que eram, em grande parte, da igreja e da nobreza – mal consegue rastrear suas origens e dizer que possuem mais de 100 anos de história. Já Vogüé se dá ao luxo de remontar uma história de mais de 500 anos.
História
Porém, antes de falar da origem do Domaine, tratemos dos vinhedos de Musigny (cujas primeiras referências são do ano 1.110), batizado assim devido a uma família que teria vivido na época áurea dos duques da Borgonha, mas que, com o tempo, acabou caindo no esquecimento. Outra teoria, contudo, diz que o nome Musigny vem do período galo-romano, antes Musinus.
Por volta de 1450, Jean Moisson construiu uma pequena capela em Chambolle, que mais tarde se tornaria a igreja principal do povoado. Do lado mais baixo da igreja, uma pequena estrada segue até um arco que vai dar nos jardins da propriedade de Vogüé, construída por Moisson também nessa época, e até hoje sede do Domaine.
Interessante notar que, por volta de 1880, a vila de Chambolle, dentro da Côte de Nuits, resolveu adotar também o nome de seu mais famoso vinhedo, Musigny, como uma estratégia de marketing para se promover, formando assim Chambolle-Musigny. Mesmo assim, até hoje ela permanece uma cidadezinha pequena e pacata.
Musigny tem 10 ha, sendo 7,2 de propriedade da Comte Georges de Vogüé
Moisson, Arthur ou Georges?
Mas o nome Vogüé só viria a se ligar à propriedade em 1766, quando a última descendente dos Moisson, Catherine Bouhier, casou-se com Cerice François Melchior de Vogüé. Atualmente, é a quinta geração dos Vogüé (seria a 20a desde Jean Moisson) que controla o Domaine, através das bisnetas do Comte George de Vogüé, Claire de Causans e Marie de Ladoucette.
Aliás, antes de Georges, o nome da propriedade estava vinculado ao Comte Arthur, seu pai. Em 1925, com a morte de Arthur, Georges colocaria seu nome no Domaine e trabalharia ao lado de Alain Roumier, que gerenciava o local, assim o pai dele, Georges – que criaria o Domaine Georges Roumier – havia feito antes.
O trabalho de Alain Roumier foi, durante anos, essencial para Vogüé, dando a tônica de seus vinhos. Quando o Comte Georges morreu, em 1987, Alain decidiu se aposentar. Com isso, a filha do proprietário, Elizabeth, assumiu o comando, passando a trabalhar com o enólogo François Millet.
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