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Um Chablis (à esquerda) só pode conter uvas Chardonnay.
Já um Châteauneuf-du-Pape (direita) pode ter até 13 variedades diferentes |
Um bom Champagne, por que não um Barolo (Nebbiolo), um Brunello (Sangiovese Grosso), ou mesmo um Montrachet ou Corton Charlemagne (Chardonnay)? Estes são exemplos, dentre muitos, de vinhos famosos que carregam o mesmo nome da região ou vilarejo em que são produzidos. Objeto de desejo dos conhecedores ou simplesmente um bom motivo para se iniciar uma conversa, quem já provou um vinho especial e marcante pode não se lembrar da ocasião, mas, com certeza, lembra-se do nome do vinho.
O vinho tem dessas coisas, é meio mágico, meio intrigante, mas, acima de tudo, carrega muita história e tradição. Por isso, ter conhecimento sobre as uvas que originam determinado produto, além de facilitar a compreensão dessa tradição, pode ajudar a entender melhor o que se bebe, a apreciar a bebida e ainda facilitar futuras escolhas.
É tradição do Velho Mundo não estampar as uvas nos rótulos dos vinhos
Mas, por que os rótulos desses vinhos clássicos do Velho Mundo geralmente não possuem todas as informações para se desfrutar melhor dessa magnífica bebida? Será que, de fato, elas estão ocultas no próprio rótulo, ou não estão sendo compreendidas? Assim como a onomástica, que se dedica a desvendar a origem dos nomes próprios através da história e geografia, aqui também precisaremos dessas duas vertentes para compreender os nomes dos vinhos. Mas, antes de elucidar o "xis" da questão, é preciso anotar as diferenças entre os vinhos do Velho e do Novo Mundo.
A história por trás dos nomes
Uma frase de Philippine de Rothschild exprime bem o conceito dos europeus para com seus produtos. Certa vez, a baronesa da família produtora do célebre Château Mouton Rothschild afirmou que "produzir vinho é relativamente simples, só os primeiros duzentos anos são difíceis". Para o europeu, o vinho definitivamente não é apenas uma bebida. Ele traz consigo história e tradição muito respeitadas, sejam pelas legislações específicas de diversos países e regiões, sejam pelos próprios produtores.
Especialmente no passado, quando não havia muita tecnologia para favorecer a vitivinicultura, os produtores baseavam seu trabalho no conhecimento acerca de suas vinhas e da forma como eram plantadas, se desenvolviam e frutificavam. Na verdade, através da experiência diária carregada de geração em geração, firmou-se o conhecimento sobre a maioria dessas regiões clássicas e renomadas.
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