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por Edgar Rechtschaffen


Wynand Van Niekerk/Stock.XchngCHAMPAGNE E INFLAÇÃO
O Reino Unido mantém-se absoluto na posição de maior importador de champagne. Em 2005, importaram-se 36,4 milhões de garrafas, algo da ordem de 12% de toda a produção da região francesa de Champagne e bem acima das 20,7 milhões de garrafas importadas pelos EUA, com uma população quatro vezes superior. A importância macroeconômica desse produto já é tanta que, segundo o jornal Financial Times de Londres, o Office of National Statistics acaba de incorporar o champagne ao hábito de compra dos britânicos, adicionando- o à relação de produtos que medem a inflação no Reino Unido. Quem sabe, quando chegarmos ao Primeiro Mundo, a FGV - Fundação Getulio Vargas não fará o mesmo?

MALA DIRETA
Millesima, importante empresa négociant de Bordeuax e líder no mercado Europeu de venda por mala direta de vinhos finos iniciará em abril suas operações nos EUA. A decisão de adentrar o mercado norte-americano seguiu-se à decisão do Supremo Tribunal Federal norte-americano que considerou ilegal o impedimento imposto por quase todos os estados de impedir transações de vinho através de suas fronteiras. Com uma loja, em Nova Iorque, a Millesima atuará com foco nos grand crus classés, embora venha também a trabalhar com diversos vinhos de renome internacional. Esse é um novo modelo de comercialização que começa a se consolidar, e com os preços dos vinhos mais baratos.

Rhe Wine Advocate/divulgaçãoPARKER CONTRA-ATACA
Robert Parker, considerado o mais influente crítico do mundo (dentre todos os críticos, de todos os segmentos: automóveis, computadores, moda etc.), lançou um violento contra-ataque a Hugh Johnson e aos escritores britânicos de vinho. Em recente entrevista, o guru norte-americano do vinho retrucou às criticas por ele recebidas de Johnson: “... a hegemonia imperial vive em Washington e o ditador do gosto em Baltimore”.

“Hugh Johnson me comparou a George Bush. Sou seu grande admirador e acho que ele realmente se diminui ao escrever tal coisa”. Segundo o New York Times, Parker vê os escritores britânicos de vinho como uma oligarquia em favor da velha aristocracia de Bordeaux, com preconceito dos novos vinicultores de St. Emilion e do Pomerol, regiões separadas de Bordeaux apenas pelo rio Gironde. Parker aproveitou para dizer que seu palato era mais complexo do que a visão simplista que lhe querem atribuir: privilegiar vinhos encorpados, com boa extração - o chamado fruit bomb style, aos quais atribui notas altas em detrimento, às vezes, de vinhos com mais finesse (como alegam os críticos ingleses).

NOTAS EM CENTÍMETROS
Diversos são os critérios de atribuição de notas aos vinhos: até três taças, até cinco estrelas, escala de 0 a 20, escala de 50 a 100 etc. O editor da respeitada revista suíça Merum (merum = vinho puro, em latim), especializada em vinhos finos e azeites finos italianos, introduziu um sistema de pontuação bastante original para comparar vinhos.

Uma vez ao mês, um grupo de oito pessoas (especialistas, no caso da Merum) reúnese para jantar, com oito a doze garrafas de vinho. Os vinhos devem ter um tema em comum: safra e castas, safra e região, vertical de um mesmo vinho etc., e cada dose servida não deve exceder 50 centilitros. As doses podem ser repetidas, individualmente, a desejo dos participantes, que devem também testar todos os vinhos, pelo menos uma vez.

A idéia é provar todos os vinhos e repetir os que mais agradaram; não vale cuspir fora nem deixar sobras. O teste estará concluído quando 1/3 ou 1/4 das garrafas estiverem vazias. Então, com uma escala graduada medem-se quantos centímetros sobraram por cada garrafa. Os melhores vinhos são aqueles com menos centímetros.

Para amadores, a Merum recomenda um total de oito garrafas, por vez, para um grupo com 8 participantes. O nome do método é JLF (“Je leerer die Flashe, desto besser der Wein” = quanto mais vazia a garrafa, melhor o vinho). Para os interessados, as regras da degustação também estão disponíveis em italiano no site www.merum.info.

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