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Degustando por números: como avaliar vinhos
Quando e como surgiu a crítica de vinhos? O que há por trás desse fenômeno? Qual é o papel da crítica hoje no Brasil e no mundo? Como e por que se avaliam vinhos? Que critérios são comumente aceitos?

por Marcelo Copello



Mas quanto esses personagens e a precisão de seus palatos nos influenciam na escolha de um vinho? Certamente muito. Os principais guias do mundo chegam a vender milhões de exemplares a cada ano. A revista Wine Spectator, por exemplo, tem cerca de 2 milhões de leitores em todo o mundo. A verdade é que, de um lado temos um grande mercado em formação em todo o mundo, com milhões de novos apreciadores da bebida, ávidos por informação e sem tempo e recursos financeiros para provar muitos vinhos. Do outro lado, há uma variedade imensa (e incomensurável) de novos rótulos surgindo a cada dia. No centro dessa arena, estão os gurus báquicos, empunhando suas taças.

A função da crítica de vinhos
Criticar um vinho é degustá-lo, de preferência às cegas, sem preconceitos, seguindo padrões internacionalmente aceitos, à luz da experiência prática, atribuindolhe um conceito de valor. O bom crítico é aquele que não detém o conhecimento mas o dissemina, prestando um serviço a seu leitor, orientado-o e buscando uma capacitação crítica desse leitor, para que ele pense o vinho e desenvolva seu próprio gosto e seu próprio senso de julgamento.

Do ponto do vista prático, do consumidor, a crítica de vinho tem uma função talvez mais importante do que a crítica de cinema, por exemplo. O preço do ingresso no cinema é mais ou menos o mesmo independente do filme. O investimento em uma garrafa de vinho varia muito de um vinho para outro, o que significa um risco bem maior. O comprador casual quer reduzir suas chances de insucesso ao comprar, e não está disposto a gastar tempo e dinheiro para experimentar muitos vinhos (e errar muito) até achar o que procura. Nesse ponto, as notas dadas pela crítica ajudam tremendamente.

Não discordo totalmente dos que dizem: "o vinho, como a arte, é o absoluto, é incomensurável. Cada vinho é perfeito dentro de seu estilo, pois é a expressão de um local, de uma safra e do homem que o fez. Você não diria que Picasso é 95 e Dali é 97". É bem verdade, se falássemos apenas de vinhos como Romanée-Conti e Krug estaríamos nos aproximando dessa realidade, mas o fato é que a maioria do vinho que se produz no mundo é uma simples commodity, com níveis muito variáveis de preço e qualidade. E, convenhamos, muitos dos vinhos custam mais que merecem apenas por sua fama, enquanto outros têm qualidade e não custam tanto.

Como os vinhos são avaliados
Muitas são as maneiras de se avaliar tecnicamente um vinho e de atribuir valor a ele. Existem muitos métodos didáticos, e várias fichas oficiais. Mas embora cada profissional tenha seu modus operandi, suas preferências e seus segredos, os resultados convergem para pontos em comum.

Fala-se sempre de como o vinho interage com os órgãos dos sentidos, no caso: olhos, nariz e boca. Sempre comparando cada vinho com todos os vinhos que já degustamos na vida. Degustar é comparar. Avaliam-se cor, aromas, sabor, tato e equilíbrio geral. Alguns degustadores atribuem notas, por exemplo, à tipicidade, à evolução do vinho na taça ao longo da degustação, e à sua perspectiva de envelhecimento em adega.

As maneiras de contabilizar e apresentar os resultados variam bastante. Americanos preferem escalas de 100 pontos e europeus de 20, por exemplo. Adeptos mais notórios da escala de 100 pontos são a Wine Spectator, Robert Parker. A Revista de Vinhos, de Portugal, e a inglesa Jancis Robinson são dos que preferem os 0-20 pontos. A revista inglesa Decanter optou por uma simplificação, colocado estrelas, de 0 a 5, o mesmo sistema utilizado em ADEGA. Optamos por esse método por achálo mais justo e didático, pois um vinho de 86 pontos não é significativamente superior a um de 85 pontos, mas estão em um mesmo patamar de qualidade.

Existem muitas variações na maneira de expressar notas. Mais importante, no entanto, do que como são expressas as notas, é a coerência e consistência do avaliador, que será percebida pelo leitor ao longo do tempo. Parker faz tanto sucesso nos EUA (e no resto do mundo), pois o bebedor americano se identifica com seu gosto e pode comprovar na prática, ao longo de mais de 20 anos, a consistência de seus comentários.

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