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Cervejas com cara de Champagne

É por meio do método Champenoise que o mundo das cervejas mais se aproxima do vinho

por Cesar Adames


divulgação

Garrafa típica de espumante, remuage, segunda fermentação em garrafa, estágio em caves francesas, perlage etc. Parece Champagne, mas não é. No mundo existem inúmeros tipos de cerveja, dos mais variados sabores e estilos, feitas de formas diferentes. Dentro desse universo também é possível encontrar cervejas produzidas pelo método Champenoise. Ou seja, após a fermentação e maturação tradicional, elas passam por uma segunda fermentação na garrafa, descansando em caves por alguns meses. Esse descanso aumenta a liberação de gás carbônico, aumentando a carbonatação.

Apesar de o processo Champenoise para os vinhos ser conhecido desde os tempos de Dom Pérignon, nos idos dos anos 1600, seu uso por parte das cervejas é bem recente. Obviamente que seus principais expoentes são os belgas - que também se valeram da providencial influência dos monges católicos para desenvolver a cerveja -, com duas cervejarias em especial: Malheur e Bosteels, que produz a mítica DeuS.

Da Bélgica

As belgas DeuS e Malheur são as principais referências, mas há duas representantes nacionais: Lust (acima) e Wäls

A história das cervejas Champenoise começa com a lendária DeuS, produzida pela cervejaria Bosteels - fundada em 1791, na cidade de Buggenhout, na Bélgica - que produz três das mais famosas cervejas do mundo: a Pauwel Kwak, a Tripel Karmeliet e a DeuS Brut des Flandres - talvez a mais célebre no seu estilo - que é uma cerveja que combina o estilo tradicional com técnicas de produção de vinhos espumantes. A DeuS é produzida na Bélgica e depois transferida para a França, onde passa pelo processo Champenoise, fazendo uma segunda fermentação na garrafa, passando meses em caves dos melhores espumantes franceses.

Na mesma linha vêm as cervejas Malheur. A história cervejeira da família Malheur iniciou-se em 1839 e a cervejaria, que também fica em Buggenhout, foi construída em 1997, num prédio do século XVI onde funcionava outra cervejaria. De antigo, restou apenas o método tradicional de produção, mas agora executado em modernas instalações.

As cervejas Malheur são todas Ales (alta fermentação), vivas e refermentadas na garrafa onde os fermentos continuam vivos após o engarrafamento, possibilitando que seus sabores evoluam com o tempo. Além disso, são produzidas utilizando- se flores de lúpulo in natura.

Dos sete rótulos produzidos, os mais cobiçados e inusitados são do estilo Brut, produzidos pelo método original Champenoise, o mesmo utilizado para a produção de Champagne. Estas cervejas são feitas na cervejaria, na Bélgica, mas passam pela segunda fermentação e processo de remuage em Épernay, na França. No total, o processo leva de cinco a seis meses.

Foi o mestre-cervejeiro da Malheur, Luc Verhaeghe, quem desenvolveu em 2001 essa técnica a partir de várias visitas à região de Champagne, onde estudou os métodos de produção e, principalmente, de condicionamento de garrafas lá utilizados. Inicialmente, suas tentativas foram recebidas com ceticismo, mas, depois, receberam uma grande ajuda do Epernay Oenologique Institut, que forneceu o fermento e viabilizou a aquisição dos grandes pallets giratórios que completam trinta e seis movimentos em sete dias.

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