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De olho no futuro
Quais serão as próximas regiões e uvas a encantar o mundo? O que continua muito bom, e as surpresas que vêm por aí, ADEGA conta em primeira mão para você.

por Luiz Gastão Bolonhez



fotos: divulgação
Valle de Uco em Mendoza (Argentina)

Falando em futuro, os próximos dez anos vão trazer aos amantes dos vinhos grandes surpresas. De regiões vinícolas emergentes, à confirmação de tradicionais regiões que lideram a produção dos melhores exemplares do planeta, o fato é que boas novidades vão rechear as adegas ao redor do mundo. As já consagradas regiões produtoras de vinhos bons, Bordeaux, Borgonha e Rhône, na França continuarão a nos oferecer os melhores vinhos do mundo. Não há como negar que a França, quando o assunto é 'Grandes Vinhos', continua na vanguarda mundial e provavelmente continuará por mais vários anos. Nesse quesito, a França quase sempre é imbatível. Nos meus arquivos tenho o ranking dos dez melhores vinhos que já provei, a França tem seis nessa lista. Isso provavelmente é uma realidade para quase todos os amantes de vinho.

Toscana e Piemonte, na Itália, continuarão produzindo grandes expoentes. A Toscana adotou o Cabernet Sauvignon, Merlot e até Syrah para 'casar' com a local Sangiovese, e tudo deu certo, visto que os vinhos dessa região conquistaram o mundo. O Piemonte com a sua uva local, a especialíssima e elegante Nebbiolo, vem ganhando espaço. Aqui, os pontos vão para alguns corajosos produtores que realmente decidiram mudar e produzir vinhos à base dessa uva, mais prazerosos enquanto jovens. Antes, era preciso esperar de dez a vinte anos para provar um bom Barolo/ Barbaresco, pois os indomáveis taninos dessa uva demoravam muito para amansar. Hoje, graças à inovação dos produtores conhecidos como modernistas, conseguimos degustar esses vinhos com cinco anos, já apresentando prazer (sem dúvida seria melhor esperar mais tempo, mas na realidade a grande maioria dos amantes de vinhos não quer esperar 20 anos para beber). A Ribera Del Duero e Rioja, na Espanha, também continuarão colocando grandes vinhos em nossas mesas.

fotos: divulgação
Rio Negro Winery Desert - Argentina

Do Novo Mundo temos regiões que já têm seu destaque há algumas décadas. South Australia e Victoria, na Austrália, e os vale de Napa e Sonoma, nos EUA, continuarão produzindo vinhos muito apreciados e desejados em todo o mundo. As regiões emergentes são privilégio tanto do Novo quanto do Velho Mundo, para nossa felicidade.

No velho continente, temos em Portugal, talvez a maior revolução quando falamos de vinhos. Esse país renasceu e decidiu produzir vinhos para todo mundo beber e não como antigamente, quando eram produzidos apenas para serem degustados e compreendidos pelos próprios portugueses. A grande estrela dessa transformação foi a região do Douro. Antes, as uvas de qualidade dessa região iam direto para a produção dos maravilhosos e marcantes vinhos do Porto, que é sem dúvida o vinho fortificado de maior expressão dentre todos. Pois bem, há cerca de dez ou quinze anos, muitos produtores de uvas que vendiam até então tudo aos produtores de Porto decidiram produzir vinhos de mesa com suas uvas e daí nascia uma nova região produtora de vinhos. Os vinhos do Douro hoje estão entre os mais deliciosos vinhos da Europa quando o assunto é 'Vinhos Jovens'. Alguns vinhos dessa região da safra 2003 são absolutamente espetaculares e o melhor, desde os premium até os básicos, estão fazendo a diferença. Vale a pena provar vinhos do Douro 2003.

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