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Encontro de borbulhas de elite
A terceira edição do Encontro Mistral trouxe ao país nomes representativos de praticamente todas as regiões vitivinícolas importantes do planeta.

por Marcelo Copello



fotos: divulgação
Philippe Menguy e Bruno Zaratin

O Encontro Mistral já havia acontecido no Brasil em 2003 e 2004; em 2006, o evento aconteceu entre os dias 29 e 31 maio, em São Paulo, e nos dias 1 e 2 de junho, no Rio de Janeiro. Nesses cinco dias, as 3200 pessoas que compareceram ao evento puderam levar ao pé da letra a palavra "encontro", degustando preciosidades de 13 países e conversando com quem as elabora.

Enquanto esse fato não chega a ser novidade, um outro aspecto geralmente passa despercebido: o encontro entre os próprios produtores, que torna ainda mais evidente a riqueza de sabores e culturas que só o vinho proporciona. ADEGA então reuniu para uma conversa dois importantes nomes, que representam duas faces bem distintas do mundo das borbulhas. De um lado, o francês Philippe Menguy, diretor da Bollinger, uma das mais prestigiosas casas de Champagne; do outro, o italiano Bruno Zaratin, diretor da Cà del Bosco, premiado produtor de espumantes da velha bota, da região de Franciacorta, no norte do país. Degustamos nesse bate-papo inusitado dois espumantes safrados das duas casas: o Bollinger Grande Année e o Cà del Bosco Brut, ambos da colheita de 1997. Leiam os principais trechos:

O brasileiro está aos poucos descobrindo os espumantes, graças à qualidade do produto nacional. Como vai o mercado mundial para a Bollinger e para a Cà Del Bosco?
Philippe Menguy: A Bollinger exporta cerca de 73% de sua produção, ou mais de 2 milhões de garrafas ao ano. Estamos crescendo 10 a 15% ao ano, graças aos novos mercados, como a China.
Bruno Zaratin: Nosso mercado é crescente, mas nossos números são modestos, produzimos apenas 1,5 milhão de garrafas, no total, entre espumantes, tintos e brancos.

O Sr. Zaratin poderia nos dar alguns dados sobre o seu Franciacorta?
Bruno Zaratin:
É elaborado com 68% de Chardonnay, 20% Pinot Bianco e 12% Pinot Nero (ou Pinot Noir). O Chardonnay fica 3 meses em barris novos de carvalho. Permanece sobre suas borras por 39 meses para ganhar cremosidade e tem apenas 3 gramas de açúcar por litro.

Eu pediria então que o Sr. Menguy o comentasse, nos dando a visão de um francês, produtor de champagne, sobre esse espumante italiano.
Philippe Menguy: Essa não é uma tarefa fácil, pois é algo totalmente diferente. O nariz é fino e complexo, o paladar é estruturado, longo e muito fresco. É menos ácido que um champagne, com certeza de uma região de mais sol. Seu equilíbrio é estupendo. Arriscome a dizer que seu potencial de guarda é de mais 5 ou até 10 anos.

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