Como vimos na primeira parte, o quadrilátero formado pelas uvas emblemáticas das Américas tem por vértices a Zinfandel, a Carmenère, a Malbec e a Tannat, representando, respectivamente, Califórnia, Chile, Argentina e Uruguai. Se nos transferirmos para o lado oposto do hemisfério, nos depararemos com um triângulo com vértices nas castas tintas Pinotage e Shiraz e na branca Sauvignon Blanc, emblemas da África do Sul, da Austrália e da Nova Zelândia.
Assim como o quarteto americano, esse trio apresenta diferenças tanto de origem, quanto no aspecto, odor e gosto de seus vinhos, e na combinação com as comidas.
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| Vinhedo na África do Sul |
Na África do Sul, a Pinotage
Cruzamento um tanto desajeitado de duas castas francesas, a saber, a Pinot Noir, da Bourgogne, e a Cinsault, do Rhône, a variedade Pinotage resultou de pesquisas realizadas em 1925 na Universidade de Stellenbosch, África do Sul, por professores do seu centro experimental.
Com o ressurgimento internacional dos vinhos sul-africanos em 1990, ela logo se distinguiu, por sua qualidade e atributos próprios, como um emblema enológico da África do Sul depois do apartheid.
Podem-se distinguir três versões de vinhos sul-africanos da Pinotage. Primeiro, um rosado um tanto inexpressivo, barato
e popular, consumido localmente e que
não chega ao Brasil. Em seguida, um tinto frutado que se distingue por seus aromas de cassis, mirtile e groselha, lembrando a mãe Pinot Noir, apropriado para acompanhar embutidos, rosbife, língua e suflê de queijo. Finalmente, a versão mais robusta, amadurecida em barrica, pródiga em atributos de cor e corpo, aromático e musculoso. Assume então o estilo rodanense do pai Cinsault, em que os aromas de amora, framboesa, especiarias e o tostado somam-se a uma nuance acetonada. Acompanha pratos de sabor marcante, pimentão recheado, carnes vermelhas condimentadas, com molho de mostarda.
A Shiraz na Austrália
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| Shiraz |
Ainda que essa casta tinta seja cultivada na Austrália há bastante tempo, a elaboração de vinhos de qualidade a partir dela, de nível e repercussão internacional, só tomou ímpeto a partir de 1980. Tornouse desde então um emblema australiano ao lado dos cangurus e do bumerangue. Seu sucesso é tão grande que, às vezes, esquece-se que a palavra Shiraz é uma adaptação do original Syrah, variedade nativa do Rhône, na França, participante de tintos de renome como o Côte Rôtie, o Hermitage e o Châteauneuf-du-Pape.
Na Austrália, ela faz parte tanto de vinhos varietais robustos quanto de cortes refinados com Cabernet Sauvignon ou com Merlot. Seu leque aromático quando jovem, além de notas florais de violeta, lembra frutas vermelhas escuras - mirtile, ameixas - associadas ao alcaçuz, à raiz forte e ao chocolate amargo. Às vezes assume também uma nota mentolada que nos faz confundi-lo com um Cabernet Sauvignon nas degustações às cegas.
Quando envelhecido, assume notas animais de couro, pelica ou carne assada.
Carnes de caça, ensopados de carne, pato ou peru assados e queijos defumados são corretamente escoltados por bons Shiraz australianos.
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