Luna Garcia/estúdio gastronômico

Determinar quando um vinho está no ponto certo de beber não é tarefa fácil. Geralmente dizemos que os grandes tintos do mundo - incluindo aí Bordeaux, Barolo, Rhône, Brunello, Ribera etc - têm 30 anos de guarda. A estrutura de taninos e acidez dá pistas do potencial de envelhecimento de um vinho e uma ideia é formada pensando em quanto tempo essas características podem mantê-lo "vivo". Mas fazer essa previsão não é simples. É preciso imaginar a evolução, baseando-se obviamente em experiências anteriores.

Então, se já não é fácil apontar a guarda, o que dizer do ponto ideal de maturação, que seria o momento em que tudo está equilibrado, quando os taninos já se assentaram, mas continuam presentes, quando a acidez acalmou, mas mantém o frescor, quando a madeira integrou-se perfeitamente ao buquê, quando o álcool já não está mais saliente, enfim, quando degustar esse líquido será melhor do que quando ele era jovem demais ou quando já estará velho, passado?

Ou seja, voltando ao exemplo dos grandes tintos, podemos analisar e dizer que um vinho hoje tem potencial de guarda de 30 anos, mas a hora ideal de abri-lo é bastante complicada de determinar e vai depender de inúmeros fatores, como o comportamento da safra, o estilo do produtor e, mais importante de tudo, a evolução da bebida com o passar dos anos, algo que só pode ser verificado empiricamente, ou seja, provando o líquido de tempos em tempos.

Quem tem Bordeaux da década de 1970 deve ficar atento, pois muitas safras mostram cansaço, como as fracas 1972, 73, 74, e 77. No entanto, as safras de 1970 e 1975 ainda têm vida pela frente. Contudo, o Mouton Rothschild 1970, por exemplo, está em plena forma hoje e pode ser provado. Já o Latour 1975 requer mais alguns anos de garrafa

Dessa forma, o mais indicado mesmo é praticar, degustar, para poder sugerir e planejar como "consumir" os vinhos de sua adega. Muitas vezes, ADEGA escreve na resenha de um vinho: "compre 12 garrafas e beba uma por ano nos próximos 12 anos". Esse exercício é delicioso e muito interessante, pois você pode acompanhar a evolução da bebida. Mas, se você não tem essa oportunidade, é preciso ficar atento ao que os especialistas estão falando.

Degustar o vinho no seu auge é um grande desafio e é, no fundo, o que todo mundo gostaria de fazer. Porém, nesse mundo vale a máxima: é melhor degustar um vinho um dia antes de seu ápice do que um dia depois. Não há nada mais triste e chato que abrir um vinho e perceber que ele "passou", que está oxidado e que não está mais íntegro. O pior é que isso acontece e muito, então, ADEGA dá dicas para você não deixar esquecidos em sua adega vinhos que estão no ponto de beber em 2013.

Potencial de guarda e ponto de maturação
Sempre se fala que os grandes vinhos do mundo podem envelhecer bem por cerca de 20, 30, 40 ou mais anos, dependendo do produtor, da safra, do estilo etc. No entanto, não devemos confundir "potencial de guarda" com o momento de maturação. Até a década de 1980, os processos vitivinícolas ainda não estavam tão desenvolvidos e muitos vinhos demoravam mesmo para alcançar o ponto ideal de madurez, atingindo o ápice 20 ou mais anos depois de lançados. Atualmente, com técnicas mais modernas e, mais do que isso, com um mercado mais dinâmico e pedindo vinhos mais prontos, o potencial de guarda das bebidas se manteve, mas elas tendem a estar "no ponto" mais cedo. Depois de cinco ou 10 anos a maioria já está no auge.

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De qualquer forma, se pensarmos que um grande potencial de guarda equivale a 25, 30 anos para um tinto de renome, fazendo uma conta rápida, como estamos em 2013, podemos deduzir que a maioria dos vinhos de safras até a década de 1970 já passaram do tempo (já mesmo), que os da década de 1980 estão bem próximos de estarem ficando velhos, que os da década de 1990 devem estar atingindo seu auge agora ou logo mais e, por fim, que os dos anos 2000 ainda podem ficar na adega por um tempo tranquilamente.

Isso é uma dedução muito simplificada, mas que vale ter em mente. Porém, como citado anteriormente, há fatores que influenciam na evolução de um vinho e alguns casos merecem ser estudados mais profundamente. Além disso, é preciso dizer que, mesmo os vinhos que podem ter passado do auge, não necessariamente estão estragados e, mais do que isso, podem dar muito prazer para quem os degusta. Desfrutar de um vinho envelhecido, com aromas e sabores evoluídos é uma experiência única. Ou seja, não os descarte, desfrute deles também.

A seguir apontamos o que há de pronto nas principais regiões nas últimas décadas.

Bordeaux
Quando falamos de vinhos longevos bordaleses, geralmente tratamos dos Crus que, dependendo da safra, podem ficar no auge por anos a fio sem perder estrutura, suportando integralmente cerca de 20, 30 anos de guarda e só depois disso começam a decair. Dessa forma, não devemos tocar na maioria dos vinhos das últimas décadas, de 1990 e 2000. Todos estão bastante novos ainda, apesar de muitos já bastante palatáveis. Dos anos 2000, caso queira provar algo por curiosidade, abra 2001, especialmente os vinhos menos badalados, e 2006, que apresenta maturação mais acelerada.

Safras como 1998, porém, ainda têm muita juventude, assim como 1996 especialmente para os vinhos de Saint-Émilion, Margaux e Pauillac, 1995 para Pomerol e Pauillac também e 1994 para Saint-Émilion e novamente Pomerol. Nesses casos, é interessante guardar as garrafas por um pouco mais de tempo. Nos outros anos da década, vale um estudo mais detalhado, contudo, há diversos vinhos na hora de serem abertos. Da safra 1990, por exemplo, ADEGA teve a oportunidade de provar recentemente vários dos maiores Bordeaux e constatou que alguns, como Lafite, Ausone, La Conseillante e Margaux (que está ótimo, mas ainda tem potencial de guarda), por exemplo, estão excelentes agora, mas outros, como Latour e Leoville Las Cases, ainda precisam de tempo.

Se você tem grandes vinhos da década de 1980, atenção. Há vários que estão no auge, excelentes para beber agora e que talvez não suportem muito mais tempo de guarda no mesmo nível. Dos anos 80, 1985 e 1986, além de 1989, são safras que ainda têm muita vida e estrutura para evoluir no que tange os principais Crus e algumas outras exceções bastante jovens como o Lynch-Bages 1989, que ainda talvez não tenha atingido o ápice, mas com vários outros que já apresentam muita evolução, como o La Mission Haut-Brion 1989 que está excelente agora. Portanto, vale sim ir abrindo as garrafas, pois seu auge está próximo, quando não já passando.

Para os que mantém "em cofre" seus tesouros da famosa safra de 1982, talvez também seja hora de dar uma bisbilhotada neles. ADEGA fez horizontais de grandes tintos bordaleses de 1982 e a maioria estava no ponto de ser bebida, já com alguns exemplares passando um pouco do ideal.

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Voltando ainda mais no tempo, para a década de 1970, é preciso ficar ainda mais atento, pois muitas safras já mostram cansaço, como as fracas 1972, 73, 74 e 77, por exemplo. Todos esses estão mais do que no ponto e devem ser abertos. A exceção fica por conta de 1970, especialmente no Pomerol, e 1975, que estão bastante vivos e podem evoluir. Mas o Mouton Rothschild 1970, por exemplo, está prontíssimo e delicioso, e deve ser consumido este ano. Já o Latour 1975 ainda pode esperar mais, pois é um vinho de uma longevidade e resistência incríveis. Se você tiver uma garrafa, pode esperar ainda mais cinco anos para ter o seu ápice. A maioria, contudo, especialmente Graves, está ótima agora. Uma dica para guardar são os Sauternes de 1975, principalmente Yquem.

HORIZONTAL DE BORDEAUX 1982
Na comemoração dos 30 anos da safra 1982, em 2012, tivemos a oportunidade de participar de uma horizontal de Bordeaux desse ano e podemos concluir que devemos começar a beber todas as garrafas de 82, visto que aparentemente quase todos os vinhos já estão em seu auge, e alguns mostram "cansaço". Nessa prova, estavam impecáveis e prontíssimos para serem apreciados os Châteaux La Conseillante, Cos d'Estournel, Pichon Lalande e Phelán Segur. Os Châteaux Latour, Mouton e Lafite Rothschild ainda devem evoluir com mais alguns anos na adega, mas vale a pena, caso você tenha uma garrafa, abri-la, pois estão excelentes.

Borgonha
Para muitos, a delicadeza da Pinot Noir faz com que seu potencial de guarda seja um pouco menor, entre 10 e 20 anos. Dessa maneira, seu ponto ideal de consumo também é um pouco adiantado e já costumam estar ótimos em torno de cinco anos. Porém, há os que duram uma enormidade, entre eles os vinhos da Domaine de la Romanée-Conti e Comte Georges de Vogüé, por exemplo.

Sendo assim, já vale ficar de olho nas safras da última década e as safras 2000 e 2002, por exemplo, já estão maduras e podem ser apreciadas hoje. No mais, vale guardar e esperar mais um pouco. No entanto, se você tem Borgonha branco, pode arriscar abrir da safra 2005 para trás, que deverão estar em plena forma.

Quando passamos para as décadas anteriores, a indicação é começar a abrir tudo mesmo, pois o auge ou está próximo ou já passou há bastante tempo. As exceções ficam por conta de grandes vinhos da Côte de Nuits de 1996, como La Tache, por exemplo, e da primeira e também da última safras da década, 1990 e 1999. O Comte Georges de Vogüé Musigny 1990, degustado em 2012, estava espetacular, mas é um vinho controverso, pois alguns podem entender que tem mais vida pela frente, mas a garrafa provada mostrou um tinto prontíssimo.

Para quem tem vinhos que vão além das últimas duas décadas, raros ainda devem ter vida. Dos anos 80, 1985 foi emblemática na Borgonha e ainda há garrafas que podem "aguentar" mais alguns anos na adega. Antes disso, talvez somente os Romanée-Conti de 1978 e 1976 possam ter suportado a passagem do tempo com galhardia. O La Tache 1976 provado no ano passado, por exemplo, é um vinho de profundidade incomum, apresenta fruta madura e conjunto de extrema elegância.

Raros vinhos da Borgonha de antes da década de 1980 ainda apresentam vida pela frente. Do rhône, vale provar as safras do início dos anos 1990

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Rhône
Quando se trata de tintos longevos franceses, Bordeaux e Rhône estão quase em pé de igualdade. O Rhône, com seus vinhos de base em Syrah, como os Hermitage, por exemplo - muito corpulentos, estruturados -, além de envelhecer bem por 30, 40 anos, demoram para atingir o auge. Isso posto, melhor não pensar nos vinhos de grandes produtores da última década, talvez com exceção do ano 2000, que apresenta uma maturação antecipada. O Auguste Clape Cornas 2000, por exemplo, está excepcional agora. Porém, a maioria dos rótulos vai longe ainda.

Com esse pensamento, os vinhos da metade da década de 1990 para cá também merecem guarda - especialmente 1995, 1998 e 1999 em Hermitage e Côte Rotie e 1995 em Châteauneuf-du-Pape (nesse caso, diversos já estão prontos, apesar de ainda ter potencial de envelhecimento) -, e somente os anteriores a 1995 estão atingindo seu ápice. O Michel Chapoutier Ermitage Le Meal 1996, provado em 2012, contudo, mostra-se excelente para abrir agora. Outro exemplo é o Château Rayas 1995, que está maravilhoso para ser degustado no momento. Entre os que ainda demonstram muita vida estão os 1991 e 90 de Hermitage e 90 de Châteauneuf-du-Pape.

Da década de 1980, 1989 é uma safra que tem grande longevidade, mas certamente com vinhos chegando no auge, especialmente os Châteauneuf. No mais, 1985 também deve apresentar potencial de guarda, mas ADEGA provou o Guigal Côte Rotie La Turque 1985 em 2012 e ele estava maravilhoso, pronto para ser consumido. Vinhos anteriores, das décadas de 1970 e 60, por exemplo, merecem ser abertos já, mesmo os da espetacular safra de 1978, que, apesar de apresentarem boa vida adiante (em alguns casos), estão absolutamente fenomenais.

Espanha
Na Espanha, duas regiões se destacam com vinhos de guarda, Ribera del Duero e Rioja. Vinhos de antes da década de 1970, porém, já apresentam evolução perigosa, como Marques de Murrieta Castillo Ygay 1964 provado em 2012. Os da década seguinte estão no auge, como o próprio Marques de Murrieta Castillo Ygay e o Vega Sicilia Único, ambos de 1970 provados em 2012. Este último já apresentava certo cansaço, mas estava sublime, e o outro parecia estar em seu ponto máximo. Dos anos 1980, vale provar tudo também, com destaque para os vinhos de Rioja das boas safras de 1981, 1982 e 1989. De Ribeira, ADEGA degustou os Vega Sicilia Único de 1981, 1982, 1989 no ano passado e todos estavam deliciosos para consumo rápido.

Passando para a década de 1990, vale a pena abrir a maioria dos da primeira metade da década, com destaque para as portentosas safras de 1994 e 1995, que, apesar de muitos estarem prontos, também são capazes de se manter por mais alguns anos. O mítico Pingus dessas safras, por exemplo, pode ser provado agora, mas irá durar outra década pelo menos. O ano de 1996 também foi excepcional em Ribera e muitos continuam deliciosos.

Já 1998 e 1999, por exemplo, e as safras dos anos 2000 devem ficar bem guardadinhas, mas, se quiser experimentar, tente algo do ano 2000 de Rioja e 2001 de Rioja e Ribera, que já devem estar se aproximando do ápice; e também pode tentar dar um golinho, caso tenha garrafas sobrando, de 2004 e 2005 de ambas as regiões, pois elas são bastante agradáveis agora, apesar de aguentarem anos a fio em adega e vários ainda estarem longe do ponto ideal.

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Itália
A Nebbiolo costuma ser uma uva que requer tempo de garrafa para apresentar seu melhor, portanto, os mais longevos vinhos do Piemonte, especialmente Barolo e Barbaresco, podem envelhecer de 10 a 30 anos facilmente. Na Toscana, o mesmo ocorre com os Brunello e alguns Supertoscanos, com cerca de 20, 25 anos de guarda. Mas, boa parte dos vinhos italianos da década de 1970 já está passando do tempo e devem ser abertos, com raríssimas exceções, como, por exemplo, os Barolo e Barbaresco de Gaja e Bruno Giacosa, que vão longe, mas que, definitivamente, estão deliciosos agora. Nos anos 1980, vale a mesma lógica de abrir as garrafas sem peso na consciência, pois os vinhos estão bem próximos do auge. Entre os que possuem vida pela frente, talvez valha guardar os Barolo e Barbaresco 1989, contudo, todos já estão ótimos para apreciar em 2013.

Quando chegamos à década de 1990, é preciso avaliar com mais cuidado. A safra 1990 foi excelente na Itália e, apesar de muitos vinhos estarem no topo agora, continuarão excelentes nos próximos anos. As safras seguintes também já podem ser degustadas, mas algumas como 1996, 1998 e 1999 para os Barolo, e esta última também para os Brunello, devem ser guardadas.

ADEGA degustou, em 2012, três grandes vinhos das últimas três safras dos anos 90: Paolo Scavino Barolo Bric del Fiasc 1997, Roberto Voerzio Barolo La Serra 1998 e Vietti Barolo Rocche 1999. Todos prontos para o consumo, com destaque para o Bric del Fiasc, que estava delicioso, com taninos macios e equilíbrio quase perfeito. O Rocche estava ótimo e íntegro. Imensamente prazeroso hoje, mas é um vinho que pode evoluir por mais alguns anos, mas, na dúvida, recomendamos abrir as garrafas do fim da década de 1990 e apreciá-las já em 2013.

Entre os toscanos, ADEGA fez uma grande prova da esplendorosa safra 1997, com vinhos do naipe de Altesino Brunello di Montalcino Montosoli, Biondi Santi Sassoaloro, Solaia, Tignanello, Fontodi Flaccianello e Le Macchiole Paleo. E a conclusão foi que todos estavam sublimes, no seu ápice, e é recomendado que sejam degustados já em 2013. Se você tem toscanos de 1997, agora é a hora.

Das safras dos anos 2000, as mais recentes, obviamente, sequer devem ser tocadas. A safra 2000 apresenta maturação antecipada para os Barolo e Brunello e já pode ser apreciada agora, mas a maioria dos 2001 não está nem próxima disso. Em prova no ano passado, o Vietti Villero Riserva 2001, por exemplo, pareceu estar em dormência. O Bruno Giacosa Le Rocche del Falleto di Serralunga d'Alba 2001 também mostrou-se jovem. Por outro lado, o Per Cristina 2001 de Domenico Clerico estava deslumbrante. Já os tintos de 2002, uma safra bastante irregular no Piemonte e na Toscana, são complexos de analisar e podem tanto estar bastante palatáveis agora quanto novos demais dependendo do produtor, pois alguns, apesar do ano ruim, fizeram rigorosa seleção de grãos.

Por fim, para os grandes Chianti, tudo antes de 2003 pode ser apreciado com gosto. A safra 2005 também já está boa, porém, 2004 e 2006 merecem ficar mais um tempinho em adega, assim como os Brunello desses anos magníficos.

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Portugal
Vinho longevo português? Porto obviamente, porém, não só. Os Porto são vinhos seculares, mas há tintos tranquilos que suportam grande guarda e também merecem ser analisados. Tirando o mítico Barca Velha, que é elaborado somente em safras excepcionais desde a década de 1950, o país tem pouca tradição. As melhores uvas do Douro sempre foram, até o final do último milênio, dedicadas à produção do vinho do Porto. A "revolução", principalmente no Douro, com grandes vinhos tranquilos, é muito recente, não tendo ainda chegado aos 20 anos. Para citar dois exemplos, o primeiro tinto "de mesa" da Quinta do Crasto foi o da safra 1994 e a Quinta do Vallado lançou seu inaugural em 1997.

Piemonteses da década de 1980 estão chegando ao auge

Dessa forma, fica mais difícil avaliar, pois esses vinhos, pela estrutura que apresentam, ainda podem evoluir em garrafa. Do ponto de vista de maturação, os top do Douro 2003, uma safra muito quente, estão, em sua maioria, deliciosos para consumo neste ano. O Quinta do Crasto Maria Teresa 2003, provado em 2012, está uma delícia, assim como o Pintas 2003. Do Alentejo, destacam-se os vinhos da Herdade do Esporão. O Garrafeira 2003, também degustado em 2012, está fabuloso para consumo imediato. Além dele, sugerimos os prontíssimos Pera Manca das safras 1997 e 1998.

Em relação aos vinhos do Porto, os portugueses acreditam que eles podem durar para sempre, mas grande parte dos rótulos da década de 1970 e mais antigos já estão em plena forma e merecem ser abertos. Este ano é o cinquentenário de uma das safras mais aclamadas do Porto, a de 1963, e todos os Vintage estão excelentes hoje. Sem dúvida esses vinhos podem evoluir mais em garrafa, mas se você quiser provar talvez os melhores Porto de sua vida, não hesite em abrir uma garrafa dessas. Dos anos 1980 e 90, guarde tudo mais um tempo, porém, se quiser experimentar, vale tentar alguns 1991 e 92, que parecem estar amadurecendo mais cedo.

Chile e Argentina
Quando chegamos à América do Sul ainda não há vinhos com muita idade para avaliar melhor. Porém, a maioria parece chegar ao seu ápice com 10 anos de guarda. Contudo, há exceções e, mais do que isso, estamos vendo que a condição de longevidade dos vinhos sul-americanos pode mudar.

Em uma vertical de Seña desde 1995 até 2010, muitos deles estavam prontíssimos para serem contemplados nos próximos meses, como: 1996, 1999 e 2001. O Almaviva 1996 provado em 2012 também estava espetacular agora. Assim como o Almaviva 2001 que está sensacional, mas pode ainda evoluir por mais cinco anos. Os Casa Lapostole Clos Apalta 1999 e 2001 estão ótimos e podem ser degustados já com imenso prazer. Santa Rita Cabernet Sauvignon Casa Real 2001 e De Martino Gran Familia 2002 são outras duas delícias que estão cheias de vida e vigor para irem à mesa em 2013.

Atravessando os Andes, é da Argentina que temos talvez o vinho mais longevo do continente, o Catena Zapata Estiva Reservada. Duas safras desse vinho merecem destaque: 1991 e o 1995, ambas impressionantemente maduras, mas com estrutura. Grandíssimos tintos e verdadeiramente prontos para consumo. O Nicolas Catena Zapata é também uma potência de grande guarda. O 1999 está soberbo, vivo e muito rico. Uma grande opção para este ano.

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fotos: divulgação

Portos da década de 1960 e 70 estão ótimos hoje e tintos portugueses dos anos 90 e começo dos 2000 também podem ser provados agora

Outros vinhos
Os grandes Shiraz australianos e Cabernet Sauvignon norte-americanos também são vinhos de guarda e diversos das safras até meados de 1990 estão no ponto ideal. Os Cabernet californianos de 1993 estão no ápice agora. Já os de 1991, 1992, 1994 e 1997 ainda têm bom caminho para continuar evoluindo em garrafa.

Se você gosta de Champagne e possui alguns antigos em casa, vale a pena abrir todos os da década de 1980 e anteriores. Dos anos 1990, a maioria está boa agora e os da grandiosa safra 1996 ainda parecem jovens, ou seja, vale aguardar um pouco ainda. Nos anos 2000, há muita coisa boa, mas segure um tempo 2002 e 2004, pois são crianças. No mais, vale provar.

Em relação aos vinhos brancos doces de Sauternes, há os quase imortais, que duram 50 anos ou mais. Porém, vários do início da década de 1990 e os anteriores merecem ser abertos, pois já estão ótimos. Para os alemães, os Auslese costumam chegar até 20 anos, os Spätlese atingem os 15 anos e os Beernauslese e Trockenbeernasulese se comportam como os Sauternes. Dessa forma, o ideal é abrir os Spätlese de meados da década de 1990 para cá, assim como os Auslese, que, em sua maioria, estarão bons. Para os Riesling secos de renome, uma boa ideia é provar os que tiverem entre cinco e 15 anos.

fotos: divulgação
Maioria dos chilenos e argentinos costuma chegar ao ápice em 10 anos

Brasil
A safra de 2005 foi a mais bem sucedida da moderna vinicultura brasileira, um momento em que natureza, técnica e tecnologia caminharam perfeitamente juntas. Os tintos desse ano eram bastante jovens quando foram lançados e sua imensa maioria deveria ser guardada. Passados oito anos, alguns deles (especialmente os varietais) já atingiram seu auge e podem até ter passado. Os blends, no entanto, devem atender aos paladares que apreciam vinhos mais evoluídos e suportam mais um ano ou dois de garrafa. Em uma horizontal (realizada em 2012) com alguns grandes vinhos da safra 2005 - como Miolo Lote 43, Pizzato DNA 99, Villa Francioni, entre outros rótulos importantes -, a maioria se mostrou completamente pronta, já totalmente equilibrados, com tudo integrado, deliciosos. Dentre os provados, o DNA 99 parece dar mostras de que ainda possui mais tempo em garrafa e pode envelhecer mais, amenizando seus taninos e acidez marcantes. Outro que estava no ponto, mas que ainda deve suportar mais alguns anos de guarda e possivelmente evoluir é o Storia Merlot 2005, um vinho ótimo para abrir agora.

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Maioria dos Champagne da década de 1990 estão excelentes para desfrutar em 2013, somente os de 1996 devem ser guardados

Os espumantes feitos pelo método tradicional, em vinícolas também tradicionais, têm demonstrado um bom potencial de envelhecimento, suportando até seis ou oito anos dependendo do estilo da casa que o faz. Estarão dourados e maduros, mas ainda assim muito interessantes.

Outro ano marcante para nossa vinicultura foi o de 2008, cujos tintos do Vale dos Vinhedos apresentaram excelente potencial de guarda e hoje, cinco anos depois, estão alcançando seu auge. São vinhos maduros e elegantes em geral. Já 2009 foi muito interessante na Campanha Gaúcha e para algumas cepas diferenciadas na Serra Gaúcha. Produziu vinhos talvez não tão longevos como o ano anterior, mas capazes de reter sabor e frescor por bastante tempo. 2009, para quem gosta de tintos "ao ponto" está perfeito. 2010 foi um ano de vinhos fáceis e leves, para beber já, e 2011 começa a mostrar a que veio. Os tintos de linhas mais básicas estão prontos para serem bebidos neste momento, mas as linhas Premium merecem, sim, ser guardadas um pouco mais. Em 2011, vale lembrar, foram feitos alguns brancos de Chardonnay amadeirados que ganharão com mais um tempo de garrafa a fim de mostrar seu potencial.

Cristiano Rosa
Vinhos brasileiros da safra 2005 estão em seu ponto máximo

Colaboração de Sílvia Mascella Rosa

REGIÕES E SAFRAS DO VELHO MUNDO CUJOS VINHOS ESTÃO MADUROS PARA SEREM DEGUSTADOS EM 2013

BORDEAUX
Antes de 1970, todas as safras devem ser degustadas, com exceção de 1945, 1959 e 1961, que ainda têm vida pela frente. A maioria dos 1978, 1982, 1985 e 1986, são excelentes dicas para consumo em 2013, apesar de alguns deles ainda terem potencial de evolução em garrafa.

BORGONHA
Todas as safras antes de 1990 devem ser apreciadas logo, com algumas exceções, principalmente se estivermos falando de vinhos da Domaine de la Romanée-Conti, e especialmente de 1978 e 1985. Das safras 1990 a 1994 todos estão deliciosos e devem ser degustados este ano. A maioria dos Grand Cru da Côte de Nuits dessas safras ainda podem evoluir, mas seguramente estão deliciosos hoje.

BAROLO E BARBARESCO
Todas as safras de 1980 para trás estão, com raríssimas exceções, prontas e deliciosas para consumo imediato. As exceções aqui são as safras 1971 e 1978, que, em alguns casos, ainda vão evoluir em garrafa. Da década de 1980, tudo está pronto com exceção de alguns Barolo de 1982 e 1989. Da década de 1990 estão mais prontos 1993 e 1994. Os 1990, 1995, 1996, 1997 e 1999 ainda apresentam muita estrutura e vão continuar evoluindo, mas estão deliciosos. A região teve os primeiros anos do novo milênio abençoados e todas as safras, com exceção da desastrosa 2002, foram espetaculares, com destaque para 2004 e 2006. Não abram essas garrafas nos próximos 5/6 anos.

TOSCANA
Todos os tintos da Toscana Central de 1990 para trás devem começar a serem abertos. Da década de 90 também temos quase tudo muito maduro. Os 1997 estão em sua plenitude, trazendo muito prazer e alegria. Os 1992, 1993, 1994 e 1996 já estão, em sua maioria, além do tempo. Algumas exceções dessas safras podem existir, como o Solaia e o Sassicaia. Os longevos Brunello podem seguir quase a mesma sequência citada antes, contudo alguns Brunello 1997 ainda têm mais vida pela frente.

ESPANHA
Abra a adega e deguste quase tudo de 1990 para trás.

RHÔNE
Segue de perto a Borgonha, tendo obtido melhores resultados em 1991 e 1993, que, na maioria dos casos, principalmente do norte, ainda tem muita vida pela frente. As exceções aqui são os Côte Rotie de Guigal e os Hermitage de Jean Louis Chave, que podem evoluir por 50 anos e não devem ser abertos antes de 20 anos. Os tintos da especial safra 1978 do norte do Rhône estão sensacionais para consumo agora.

PORTUGAL
Se você tem vinhos do Porto das décadas de 1970 e 60, deleite-se. Dos tintos tranquilos, vinhos do fim dos anos 90 e começo do novo milênio já estão bons agora.

CHILE E ARGENTINA
Maioria dos vinhos com mais de 10 anos já deve estar chegando no auge.

BRASIL
Aproveite o momento e abra seus vinhos de 2005 e anteriores. Alguns de 2008 também já estão no ponto agora e valem ser provados.


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