Bordeaux X Borgonha

ADEGA coloca lado a lado as duas principais regiões vinícolas do mundo para que você decida qual é a melhor

Aguinaldo Záckia Albert em 22 de Julho de 2010 às 12:08

Foto: Luna Garcia

Quando se fala em vinho, o primeiro país em que se pensa é, certamente, a França. Quando se comenta sobre vinhos ícone, provavelmente os dois primeiros nomes que surgem são Pétrus e Romanée-Conti, os maiores símbolos das duas principais regiões vitivinícolas francesas, e, consequentemente, do mundo: Bordeaux e Borgonha.

Essas duas regiões, que resumem a essência do vinho francês, representam duas tendências quase diametralmente opostas quando se trata da maneira de produzir a bebida báquica. Suas tradições são antagônicas. De um lado, o conceito de varietal, de outro, o do blend. Os Châteaux em oposição aos Domaines. Até mesmo os formatos das garrafas se contrapõem.

Essas e outras diferenças, no entanto, fazem parte das tradições cultuadas pelos produtores de cada região, que defendem suas crenças com unhas e dentes, sempre acreditando serem melhores do que seus "concorrentes". Borgonha e Bordeaux são duas antípodas do vinho francês. No entanto, apesar de tantas oposições e de produzir vinhos tão distintos entre si, cada uma é, a seu modo, exemplo de excelência de qualidade vinícola. Aqui não vamos provar quem entre bordaleses ou borgonheses é melhor, mas colocá-los lado a lado para mostrar como os diferentes conceitos produzem os melhores vinhos do mundo.

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Influência inglesa
As primeiras referências ao vinho produzido em Bordeaux remontam ao século IV, quando o poeta galo-romano Ausone, que empresta seu nome a um dos grandes vinhos de Saint-Émilion, escreveu poemas enaltecendo os vinhos da região - dentre os quais, o que ele mesmo produzia. Há fortes indícios de que por volta dessa época, a viticultura se espalhou e consolidou na Aquitânia sob domínio romano, depois de ter chegado ao Rhône.

Devido às invasões dos povos bárbaros na Idade Média, pouco se sabe sobre o vinho bordalês até o reinado de Carlos Magno, que, dizia-se, se interessava bastante pelos produtos de Fronsac. Ainda assim, os vinhos eram pouco negociados com o mercado externo.

Com o fortalecimento do comércio nos séculos XII e XIII, a região vê o plantio de uvas e a produção de vinhos crescerem. Mas boa parte da reputação do vinho bordalês se estabeleceu durante o domínio inglês, a partir de 1152. Com o casamento de Eleonora da Aquitânia com Henrique II, rei da Inglaterra e duque da Normandia, a região, assim como boa parte do oeste da França, ficou separada do restante do país por mais de três séculos, até o final da Guerra dos Cem Anos. Logo os vinhos da região conquistaram o mercado britânico, que comprava mais de um quarto do total da produção vitivinícola de toda a Gasconha.

Mesmo com a reconquista da região pela França, em 1453, o comércio de vinho com a Inglaterra continuou, já que o "claret" - nome dado pelos britânicos ao vinho de Bordeaux por sua coloração rubi clara - havia ganhado reputação. Com o fim do domínio inglês, os comerciantes holandeses passaram a dominar a compra do vinho da região; foram eles, aliás, os responsáveis pela drenagem dos pântanos que dominavam o Médoc, a mais importante região de Bordeaux atualmente, no século XVII. A mudança no gosto dos consumidores ingleses, que queriam vinhos mais concentrados, e a ocupação dessas terras drenadas por vinhedos definiram a identidade atual do vinho tinto bordalês.

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A segunda metade do século XIX foi bastante agitada na região: enquanto surtos de míldio e filoxera derrubavam a produtividade e a qualidade, a classificação de 1855, feita pelo Syndicat de Courtiers, estabelecia os melhores vinhos de Médoc e Graves, com denominações que duram até hoje, quase inalteradas. A delimitação do departamento da Gironda e o estabelecimento da Appellation Contrôlée em Bordeaux só viriam depois, em 1911 e 1936.

Châteaux
Bordeaux é a região francesa que concentra a maior quantidade de grandes propriedades vinícolas, que são bem maiores em relação à Borgonha, e são chamadas de Châteaux. O château refere-se não apenas ao "castelo", sede da propriedade, mas a todo seu complexo: vinhedos, cantina, adega etc. Muitas vinícolas adotaram o nome "château" mesmo não possuindo um castelo, tão grande é a associação feita entre os vinhos de Bordeaux e os castelos.

Dada à sua proximidade com a Inglaterra (Bordeaux fica mais perto de Londres do que de Paris), a influência da Igreja na região foi muito menor, uma vez que, por muito tempo, sua população foi majoritariamente protestante. Não havendo terras eclesiásticas a serem divididas, teve-se como resultado porções de terreno significativamente maiores em cada propriedade. Além disso, a área total dos vinhedos bordaleses é mais de cinco vezes maior do que a da Borgonha.

Poder da igreja
Não se sabe ao certo quem introduziu a vinha na Borgonha, situada bem no coração da França, mas podemos afirmar que os invasores romanos já a encontraram ali quando chegaram, por volta do século II. Os povos celtas que habitavam o local já cultivavam a videira nessa época e a influência romana foi fundamental para que se produzisse bom vinho na região. Dados históricos nos permitem falar em uma vitivinicultura borgonhesa desenvolvida em termos comerciais já no século IV.

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Com a desintegração do Império Romano, a região foi tomada por uma série de povos bárbaros vindos do norte. Sucessivamente: francos, alamanos e vândalos invadiram a zona, chegando depois os burgúndios, povo originário da Escandinávia, que ali se fixou e emprestou seu nome a essas terras, formando um grande reino que se estenderia de Dijon a Lyon.

Esse povo tomou para si a tradição romana da vitivinicultura e a conduziu pela história. Mais tarde, com a conversão da população local ao cristianismo e especial influência de Carlos Magno, coube à Igreja, principalmente aos monges beneditinos da Abadia de Cluny, cuidar da manutenção dos vinhedos e da produção do vinho. A abadia chegou a ser a maior proprietária de terras na Borgonha durante vários séculos.


Domaines

As propriedades vinícolas da Borgonha são geralmente denominadas Domaines, costumeiramente de gestão familiar. A presença da Igreja na região sempre foi preponderante, sendo ela proprietária da maior parte das terras. A Côte d'Or, região vinícola mais nobre da Borgonha, abrigava várias abadias e centros religiosos de renome. Seus monges eram os grandes enólogos da época, dominando as técnicas vinícolas.

Com a Revolução Francesa (1789), os religiosos foram expulsos e as terras clericais divididas e distribuídas. Um pouco mais tarde, com Napoleão, as poucas propriedades que ainda restavam sob o controle da Igreja foram também dividas, tendo como resultado uma enorme fragmentação dos vinhedos, dando origem ao perfil atual da região de pequenas e múltiplas propriedades, fazendo surgir a figura do "négociant".

Para se ter uma ideia da pulverização da propriedade nas terras borgonhesas, o famoso vinhedo dos monges cistercienses de Clos de Vougeot - um dos mais famosos Grand Crus da região e que foi murado pelos monges em 1336 -, que tem 50 hectares, está hoje fracionado entre 60 proprietários. A média do tamanho das propriedades não costuma passar de um hectare.

RELIGIÃO
A Borgonha é a "França Profunda", católica e eminentemente religiosa. Terra dos grandes monastérios, como o Cluny dos monges cistercienses, a maior sede católica em todo o mundo, posteriormente quase que totalmente destruída pelos revolucionários que cantavam a "Marselhesa". Sua ligação com Paris, a partir da Idade Média, foi sempre muito estreita, ao contrário da distante Bordeaux.

A cultura dos mosteiros católicos, responsável por grandes avanços em regiões interioranas como a Borgonha e também Champagne, foi substituída pela influência mercantil de ingleses e holandeses protestantes em terras bordalesas. A exportação de vinhos, inicialmente para esses dois países, e depois para todo o planeta, foi sempre o principal foco dos produtores.



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Pétrus
A glória desse pequeno produtor do Pomerol é bem mais recente do que o do Domaine de La Romanée- -Conti, da Borgonha, bem como de seus primos aristocratas do Médoc, como o Château Margaux ou o Latour, por exemplo. Ele é hoje o vinho mais caro de Bordeaux e talvez do mundo.

Como não existe um sistema de classificação no Pomerol, o Pétrus é reconhecido de forma não oficial como um Premier Cru. Esse vinhedo encravado no coração do Pomerol, em pleno Libournais, foi comprado em 1925 por Madame Loubat, esposa do dono do Hotel Loubat, de Libourne. Outro pedaço de terra foi comprado mais tarde de seu vizinho, o Château Gazin, completando a composição atual de 95% de uva Merlot e 5% de Cabernet Franc. Sua fase de reconhecimento internacional se iniciou após a II Guerra Mundial, quando entrou na sociedade o empresário Jean-Pierre Mouieux. Nessa época, o vinho caiu nas graças da corte inglesa, sendo servido no casamento de Elizabeth II, e no gosto do governo norte-americano de John Kennedy.

Pétrus é um vinho excepcional, uma combinação extraordinária de potência, riqueza, complexidade e elegância. Em nenhum outro lugar a uva Merlot se expressa tão plenamente quanto aqui. Seu padrão de qualidade vem se mantendo de forma constante nos últimos 30 anos, o que fez com que seu preço tivesse uma alta meteórica.

Outros grandes nomes
Château Latour (Pauillac), Château Lafite-Rothschild (Pauillac), Château Margaux (Margaux), Château Mouton-Rothschild (Pauillac), Haut-Brion (Graves), Château Pichon-Longueville Comtesse de Lalande (Pauillac), Château Cheval Blanc (Saint- -Émilion), Château Ausone (Saint-Émilion), Clos d'Estournel (Saint-Estèphe), Château d'Yquem (Sauternes), Château Gazin (Pomerol), Le Pin (Pomerol), Château Léoville-Las Cases (Saint-Julien) etc.


SEM CHÂTEAU
Pétrus é um dos poucos vinhos de Bordeaux a não juntar seu nome à palavra "château" (castelo), sendo designado somente como Pétrus - Pedro, em latim. Tanto que seu símbolo é o apóstolo de Jesus e as chaves cruzadas.

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Foto: Liliane de Souza Rosa

Romanée-Conti
Produzido pelo Domaine de la Romanée-Conti, que tem sua sede em Vosne-Romanée, o vinho Romanée-Conti é uma verdadeira lenda. A história do vinhedo remonta ao século III, época em que os romanos dominavam a Gália, daí a origem do "romanée" (que significa "romanizado"). Os documentos históricos começam a surgir mais tarde, no século XI, quando o vinhedo pertencia aos abades do mosteiro de Saint-Vivant de Veregy.

Passando por vários donos, a propriedade foi vendida em 1760 para o Príncipe de Conti, primo de Luís XV, que acabou agregando seu nome ao domaine. Atualmente, é um negócio de família transmitido por herança desde 1869, quando M. Duvaut-Blochet o adquiriu, sendo Aubert de Villaine, o atual proprietário, seu descendente direto. A empresa tem como sócia a família Leroy.

Uma série de fatores faz dele o mais reverenciado e um dos mais caros vinhos do mundo: alta qualidade, terroir irrepreensível (solo calcário com altitude, inclinação e drenagem perfeitas), cuidado na vinificação, vinhedo exíguo (1,8 hectare) e pequena produção (apenas 5 mil garrafas/ano).

O importador que quiser comprar uma garrafa desse precioso vinho deve levar outras 11 de tintos do produtor, todos também de alta qualidade: La Tâche, Richebourg, Romanée-St-Vivant, Échezaux e Grands-Échezaux. O fantástico e raríssimo branco Le Montrachet é vendido à parte.

Outros grandes nomes
Domaine du Comte de Vogüé (Chambolle-Musigny), Domaine Leroy (Vosne- -Romanée), Domaine Marquis d'Angerville (Volnay), Domaine Dujac (Morey- Saint-Denis), Domaine Claude Dugat (Gevrey-Chambertin), Domaines Comtes de Lafon (Meursault), Domaine Joblot (Givry), Louis Jadot, Dominique Laurent, Albert Bichot etc.


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A região produtora dos vinhos de Bordeaux se localiza no departamento da Gironda, dentro da região da Aquitânia, sudoeste da França, cortada pelo paralelo 45°, em ótima latitude para o vinho. A produção vinícola se concentra às margens de dois rios principais, o Garonne e o Dordogne, que, ao se encontrarem, formam o estuário do Gironda, que dá nome ao departamento.

Os terrenos são, de modo geral, bastante planos e a composição do solo favorecem a drenagem. Na margem esquerda do Garonne e do estuário do Gironda, predominam os solos arenosos misturados a cascalho ("graves", em francês, que dá nome a uma região de Bordeaux cujo solo possui um grosso substrato de cascalho). No outro lado, ao longo da margem direita, a variedade é maior: argila, calcário, areia e cascalhos aparecem em diferentes trechos e muitas vezes se misturam. Já entre os rios Garonne e Dordogne, na área conhecida como Entre-Deux-Mers ("entre dois mares"), a composição do solo é basicamente argilo-calcária; este solo mais fértil acaba prejudicando o crescimento.

Devido à influência da corrente do golfo, quente, e à proximidade do amplo estuário do Gironda, o clima é bastante ameno, temperado oceânico. Ao sul das áreas vinícolas, a floresta de Landes protege a região de ventos mais fortes vindos do Atlântico e ajuda a estabilizar a temperatura em épocas muito quentes. A pluviosidade é mediana, mas variável, podendo- -se observar diferenças de distribuição dentro da própria região: o Médoc, por exemplo, costuma receber um maior volume de chuvas por ficar mais próximo ao oceano. A umidade é mais elevada nas regiões à beira dos rios próximas à floresta de Landes, como Sauternes: graças a isso, as uvas brancas são atacadas pelo fungo Botrytis cinérea, responsável pela desidratação das uvas que produzem o vinho doce mais valorizado do mundo.

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O TERROIR MANDA
Talvez não haja lugar no mundo em que o valor da palavra terroir seja tão alto quanto na Borgonha. Desde a época do domínio da Igreja, os monges já notavam que pequenas parcelas de diferentes terrenos produziam vinhos distintos, sendo que lá se planta basicamente uma mesma uva, a Pinot Noir.

É interessante e curioso notar que lá, um vinhedo Grand Cru pode ser vizinho de um Village (Comunal). O solo e todos os fatores que compõem a essência do terroir são valorizados sobremaneira, tanto que de lá despontam muitos produtores que seguem as técnicas de cultivo biodinâmicas, que pregam a menor interferência possível do homem.


É surpreendente que uma região localizada numa zona de clima tão frio e hostil (estamos falando do paralelo 47o de latitude norte) possa produzir vinhos tintos de tão alta qualidade. O clima da Borgonha é do tipo continental, com invernos bastante rigorosos e primaveras sujeitas a muitas geadas. Devido à situação favorável de seus vinhedos, localizados em encostas com declives suaves e com boa exposição ao sol (orientados nos sentidos sul, sudeste e leste), as uvas ficam protegidas das geadas e dos ventos, o que torna possível que o cultivo da vinha tenha sucesso. Os outonos secos e os verões quentes vão também contribuir para a maturação das uvas. A média anual de pluviosidade é de 690 ml.

A altitude média da região é de 220 metros. São muitas as variedades de solos, predominando, no entanto, os subsolos calcários e pedregosos. Tais composições de solo mudam em distâncias relativamente curtas e, associadas às variáveis microclimáticas, vão produzir um grande número de terroirs, fator determinante para que haja diversas denominações de origem e de Crus.


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Estilo masculino
Os masculinos vinhos de Bordeaux, principalmente os da margem esquerda do Médoc, são mais tânicos e viris, cheios de vigor e demoram muito mais tempo para perder o seu charme se comparados com os da Borgonha. Os Crus bordaleses são, sem dúvida, mais longevos. É mais fácil de se acertar na escolha aqui.

O clima é mais doce, o vinho é feito com uma mescla de uvas (e não com uma só), chamado blend, o que possibilita uma maior margem de manobra para que o enólogo "acerte" o seu vinho, que guarda bem a marca de sua uva predominante, a adstringente Cabernet Sauvignon, ainda que mitigada pela redondez da Merlot e da Cabernet Franc, e as notas da Malbec e da Petit Verdot.

Blend bordalês tem força com a Cabernet Sauvignon (foto no topo) e a Merlot (foto abaixo), principalmente

Os principais vinhos são amplos, ricos e longevos; os menores, em sua maioria, no mínimo, corretos. Mas, quando o assunto é a expressão fiel de um terroir, a láurea vai para os grandes da Borgonha.

Mais de 80% da produção vinícola da região é tinta e é inevitável a associação do nome Bordeaux com vinhos estruturados e elegantes, marcados pela predominância da Cabernet Sauvignon e da Merlot. Dentre os brancos, porém, são produzidos alguns dos melhores vinhos doces do mundo, graças à pourriture noble (podridão nobre) que ataca a Sémillon e a Sauvignon Blanc em algumas áreas. Brancos secos muito bons também podem ser encontrados com as mesmas uvas.

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O tinto de Bordeaux é famoso e, mais uma vez, se opõe ao da Borgonha por ser um vinho de corte, isto é, composto por mais de uma uva, e não um monovarietal. Cada uva desempenha seu papel na mistura, cujas proporções e protagonistas variam de acordo com a sub-região.


Uvas
A Cabernet Sauvignon, provavelmente a mais globalizada das uvas, dá vinhos tânicos e complexos e é a tinta predominante na margem esquerda, mais quente e, portanto, mais propícia a seu amadurecimento. No total, a Cabernet Sauvignon ocupa 25 mil hectares em toda a região.

A Merlot, um pouco mais macia, mas também com boa estrutura, é a mais plantada de Bordeaux, cobrindo aproximadamente 40 mil hectares, e os vinhos mais reputados em que é a cepa principal do corte são os produzidos na margem direita, de clima mais continental e ameno.

A Cabernet Franc é a mais importante coadjuvante nos tintos bordaleses (embora em alguns de Saint-Émilion, notadamente o Château Cheval Blanc, seja a uva principal), com cerca de 13,5 mil hectares plantados. Podem também aparecer no corte bordalês, em menor grau, as variedades Petit Verdot, Malbec e, muito raramente, a Carménère.

A mesma coisa acontece com as brancas. Raramente um Bordeaux branco, doce ou seco, será feito com apenas uma cepa. Despontam como principais componentes do bom branco bordalês a Sémillon e a Sauvignon Blanc.

A primeira, opulenta, doce, untuosa e muito suscetível à pourriture noble - a desidratação da uva pelo fungo Botrytis, aumentando imensamente a concentração de açúcar da uva -, é sempre a protagonista nos vinhos doces, notadamente os Sauternes e Barsac.

Já a Sauvignon Blanc, mais ácida, delgada e herbácea, suaviza a doçura nos vinhos botrytizados e é o principal componente dos brancos secos de Graves, mais reputados, e de Entre-Deux-Mers.

A Muscadelle entra no corte principalmente por seu aroma, bastante floral, e sua jovialidade, mas é cada vez menos plantada devido à sua fragilidade a doenças. Está mais presente na região de Entre-Deux-Mers. É possível encontrar também as desinteressantes uvas Ugni Blanc e Colombard em menor escala.

TINTAS

Cabernet Sauvignon
Merlot
Cabernet Franc
Petit Verdot
Malbec
Carménère

BRANCAS

Sauvignon Blanc
Sémillon
Muscadelle
Colombard
Ugni Blanc

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Se a Pinot Noir reina nos tintos da Borgonha, a Chardonnay (foto acima) também tem preponderância nos brancos

Estilo feminino
Elaborado com apenas uma uva, a delicada e caprichosa Pinot Noir, o vinho da Borgonha tem as virtudes (e talvez também os defeitos, se considerarmos a inconstância) do eterno feminino. São menos tânicos e ásperos do que os seus primos bordaleses.

Mais claros e delicados, com aromas lembrando morangos, terra molhada e couro, os vinhos da Borgonha mostram uma deliciosa vivacidade e são parceiros soberbos para uma ampla gama de pratos. Mas, como diria uma das árias mais famosa do compositor italiano Giuseppe Verdi: "La donna è mobile, qual piuma al vento" (a mulher é volúvel como uma pluma levada pelo vento). Um grande Borgonha pode ser magnífico, se puder contar, além de seu terroir, com condições climáticas favoráveis. Ou pode ser decepcionante, se as condições forem adversas.

Na verdade, é o vinho que, para o bem ou para o mal, mais surpreende. Um pequeno vinho da Borgonha de uma safra mediana para fraca é meio caminho andado para o desapontamento. A relação qualidade e preço costuma ser desfavorável ao consumidor quando comparamos com os Bordeaux.


Uvas
Pinot Noir - É a grande uva tinta da Borgonha. Delicada, de difícil adaptação em outras áreas do mundo, é uma variedade que sofre tremendamente com as mudanças ambientais, sendo notoriamente complicada para ser trabalhada depois de colhida, já que sua casca se rompe facilmente. Amante dos climas frios, produz vinhos finos e elegantes, de taninos aveludados de média e longa guarda. Quando jovem, mostra aromas e sabores de frutas vermelhas frescas (morango, framboesa, cereja). Na Borgonha, quando o vinho está mais maduro, surgem os aromas florais (violeta), caça, couro, alcaçuz e sous bois (misto de terra úmida , cogumelos e folhas em decomposição).

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Gamay - Uva de alta produção típica da região do Beaujolais. Dá origem a vinhos leves e frutados de curta guarda. Na Appellation d'Origine Contrôlée Bourgogne Passetoutgrain entra na proporção de 2/3 do vinho somados a 1/3 de Pinot Noir. É também utilizada na elaboração dos AOC Mâcon tintos.
Chardonnay - Conhecida como a "rainha das uvas brancas", ao contrário de sua conterrânea tinta Pinot Noir, adapta-se muito bem em várias regiões do mundo. É pequena, redonda, ambarina e transparente ao amadurecer, ganhando muito com o estágio em carvalho. Os vinhos produzidos com ela na Borgonha são tidos como os melhores brancos do planeta. Os grandes são muito ricos e complexos, com boa fruta e notas de baunilha e manteiga. Extremamente elegantes, podem envelhecer com grande dignidade.
Aligoté - Uva autóctone, é a segunda uva branca da região, sempre eclipsada pela majestosa Chardonnay. Produz vinhos frescos e agradáveis, mas pouco complexos. Muito comum no leste europeu (Romênia, Bulgária, Moldávia), vem perdendo terreno para a Chardonnay na Borgonha. Com ela se produz o vinho Appellation Bourgogne Aligoté e o espumante Appellation Crémant de Bourgogne.

Legislação
Quando foi estabelecida, a legislação para controle dos vinhos na França (Appellation d'Origine Contrôlée) previa uma série de níveis para a categorização. Quanto mais rigidamente um produtor seguisse as regras de manuseio da videira, da uva e do vinho para aquela região, mais específica seria a denominação que ele poderia usar no rótulo, conferindo, portanto, mais prestígio ao vinho.

Appellation genérica
Um vinho que recebe a Appellation Bordeaux Contrôlée (ou Bordeaux AC) pode ser produzido em qualquer parte da região, desde que use as uvas permitidas e tenha rendimento de, no máximo, 55 hl por hectare. Além disso, o produto final deve ter um teor alcoólico entre 10% e 12,5%. Caso o rendimento seja inferior a 50 hl/ha e o teor alcoólico superior a 10%, o vinho já pode ser enquadrado na classificação Bordeaux Supérieur. Os espumantes também se enquadram na categoria genérica, com o nome Crémant de Bordeaux. Os vinhos de Appellation genérica correspondem a aproximadamente 45% do total produzido na região.

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Appellation regional
A região de Bordeaux apresenta diversos tipos de solo. Assim, ao se restringir a área da qual podem ser colhidas uvas, a probabilidade de se obter um vinho com mais características do terroir aumenta. Por isso, as denominações regionais seguem a lista de sub-regiões, agrupando áreas com características de solo, microclima, uvas e tipos de vinho produzidos mais similares.


Appellation comunal
Algumas das denominações regionais encerram classificações ainda mais específicas, de acordo com a comuna ou distrito de origem das uvas usadas. Logo, espera-se que um vinho de Appellation comunal seja de alta qualidade. Alguns dos grandes châteaux de Bordeaux possuem uma reputação tão alta que acabaram nomeando toda uma comuna: o Château Margaux, por exemplo, é classificado como Appellation Margaux Contrôlée.


Os Crus Classés
A metade do século XIX, pela falta de parâmetros de controle, muitos se aproveitavam do prestígio de Bordeaux para vender vinhos feitos sem grandes cuidados, o que preocupou proprietários de châteaux tradicionais. Com isso, especialistas foram reunidos para, em 1855, divulgar uma classificação dos vinhos bordaleses.

Embora a relação de 87 vinhos que mereciam, no entendimento do Syndicat des Courtiers, a classificação de Crus tenha ajudado a reorganizar as avaliações de preços e o mercado de exportações do vinhos da região, muitos produtores saíram descontentes com o resultado.

Deve-se ressaltar que a seleção dos vinhos Crus Classés (variando de Premiers a Cinquièmes Crus Classés, isto é, de primeiros a quintos) foi feita apenas entre os produzidos nas regiões de Médoc (60 vinhos) e de Sauternes (26, sendo um, o Château d'Yquem, Premier Cru Supérieur e os demais classificados como Premiers e Deuxièmes Crus Classés), com exceção do Premier Haut-Brion, de Graves. De 1855 até hoje, apenas um vinho, o Château Mouton-Rothschild, foi elevado de Deuxième para Premier Cru, em 1973, por decreto presidencial de Charles de Gaulle.

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Os Crus Bourgeois e outras classificações
Em oposição às regras rígidas da classificação de 1855, o sindicato de produtores do Médoc criou a classificação dos Crus Bourgeois (Crus burgueses, já que os Classés seriam "aristocráticos") em 1932 para tentar reverter os maus resultados das vendas. Sua atual estrutura foi consolidada entre 1966 e 1978. Os vinhos dentro dessa hierarquia podem ser classificados como Crus Bourgeois Exceptionnels, Grands Crus Bourgeois ou Crus Bourgeois, em ordem decrescente de importância.

Saint-Émilion, na margem direita, criou sua própria classificação em 1955, por iniciativa do sindicato local. Mais simples, ela divide os vinhos em Premiers Grand Crus (15 vinhos) e Grand Crus (46). Na outra margem, vizinha ao Médoc, a região de Graves selecionou, em 1959, seus 17 châteaux merecedores de classificação - 14 vinhos tintos e 10 brancos são considerados Classés.

Legislação
Sistema constituído pelo INAO - Institut National des Appellations d'Origine - baseado em classificações de mais de 100 anos e postas em mapa em 1984. O INAO controla também as uvas utilizadas, a produção por hectare, o teor alcoólico e a qualidade dos vinhos. Na Borgonha, vamos encontrar 96 vinhos AOV e um VDQS. Assim como em Bordeaux, não existem vinhos das categorias Vin de Table e Vin de Pays. Segue, em ordem de hierarquia crescente a classificação dos vinhos da Borgonha.


Denominação Regional
Denominação mais simples e genérica. Uvas colhidas no território da Borgonha em zonas especificamente delimitadas.
Exemplo: Appellation Bourgogne Contrôlée
a - Pode denominar a casta.
Ex: Bourgogne Aligoté
b - Pode denominar o método de elaboração.
Ex: Crémant de Bourgogne
c - Ou uma sub-região.
Ex: Bourgogne Côte Chalonnaise


Denominação Comunal
Nome dado por grande número de comunas (pequenos municípios) ao vinho produzido em certas regiões de seu território. Ex: Chablis, Meursault, Vosne-Romanée.


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Nessas comunas, os vinhedos são divididos em parcelas chamadas "climats", cujos nomes são muitas vezes acrescentados ao nome da comuna no rótulo do vinho. Quando essas parcelas são cercadas por muros, são chamadas de "Clos", como os famosos Clos de Vougeot e Clos de la Roche, e ganham a denominação Grand Cru.

Denominação Premier Cru
Pela qualidade de seu terroir, certos climats são classificados como Premiers Cru. O nome do climat aparece no rótulo associado ao nome da comuna, representando o conjunto de uma AOC - Appellation d'Origine Contrôlée.
Ex: Vosne-Romanée 1er Cru Les Chaumes - Premier Cru situado na comuna de Vosne-Romanée


Denominação Grand Cru
Quando o vinho é originário de um climat excepcional. Nesse caso, graças à sua fama, seu nome é suficiente para designá-lo e constitui uma AOC.
Ex: Appellation Romanée-Conti Contrôlée.

ÁREA VITIVINÍCOLA DE BORDEAUX COSTUMA SER DIVIDIDA EM TRÊS, QUE SE DIVIDEM EM OUTRAS TANTAS REGIÕES, COMO AS MAIS FAMOSAS DE MÉDOC, GRAVES, POMEROL, SAINT-ÉMILION ETC

A região vinícola de Bordeaux costuma ser dividida em três partes para melhor compreensão: margem esquerda, margem direita e Entre-Deux-Mers. As sub-regiões são distribuídas da seguinte forma:

Margem esquerda
Bas-Médoc
Haut-Médoc
Pessac-Léognan
Graves
Sauternes e Barsac
Cérons

Entre-Deux-Mers
Loupiac
Saint-Croix-du-Mont
Saint-Foy-Bordeaux
Cadillac
Côtes de Bordeaux St
Macaire
Premières Côtes de
Bordeaux
Graves de Vayres

Margem direita
Saint-Émilion
Pomerol
Lalande-de-Pomerol
Fronsac e Canon-
-Fronsac
Côtes de Blaye
Côtes de Castillon
Côtes de Francs
Côtes de Bourg

Médoc
No dialeto local, Médoc significa "terra do meio" , por estar situada entre o oceano Atlântico e o estuário girondino, e é uma faixa de terra que se estende do norte da cidade de Bordeaux até quase a foz do rio, espremida pela floresta de Landes ao sul e pelas áreas pantanosas da costa. A região costuma ser dividida em Bas-Médoc (no rótulo, apenas Médoc) e Haut-Médoc, a área mais nobre, com diversas AOC comunais.


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O Bas-Médoc não desfruta de algumas das vantagens de seu vizinho mais famoso, a começar pelo solo. Aqui, a camada de cascalho não é tão grossa e o solo argiloso, mais pesado, não consegue drenar com tanta eficiência a água, numa área que, pela proximidade do mar, já é mais úmida que o restante de Bordeaux. Muito plana e cortada por muitos canais resultantes da drenagem dos pântanos, a região concentra sua produção nas áreas com mais cascalho e de altitude menos baixa. Devido ao clima e ao solo, a Merlot aparece aqui com mais frequência que a Cabernet, por se adaptar melhor ao solo argiloso e amadurecer mais rapidamente. Não há nenhum Cru Classé, mas muitos Crus Bourgeois da região possuem boa relação custo-benefício.

O Haut-Médoc é a região das grandes estrelas de Bordeaux. Além dos 60 Crus Classés e quatro dos cinco Premiers Crus Classés, nela há mais de 150 Crus Bourgeois de vários níveis, alguns dos quais comparáveis a Crus Classés de alta patente. Quanto mais a sudeste e, portanto, mais interior a região, menos úmido é o clima e é maior a concentração de "graves" (cascalhos) na composição do solo. A camada de cascalho, além de drenar bem o solo, conserva o calor do sol por mais tempo, aquecendo as raízes e incentivando-as a ir mais fundo em busca de água.


Saint-Estèphe
A primeira comuna de fora para dentro na região do Haut-Médoc ainda guarda alguma semelhança com o vizinho e menos reputado Bas-Médoc. O solo possui argila misturada aos cascalhos e o resultado disso são vinhos mais ácidos e robustos do que elegantes, que, nas safras mais secas, costumam resistir melhor do que os das demais áreas do Médoc. Os melhores vinhos se concentram na região ao sul, fronteiriça à Pauillac do Château Lafite.


Pauillac
Uma das mais nobres áreas vinícolas da França, Pauillac concentra três dos cinco grandes de Médoc e Graves: Château Lafite e Mouton-Rothschild, mais ao norte, e Latour, na fronteira com Saint-Julien. Para muitos, a zona concentra os Médocs arquetípicos. Complexos, vigorosos e concentrados, expressão máxima da Cabernet Sauvignon, os vinhos de Pauillac atingem preços estratosféricos.


Saint-Julien
Embora não possua nenhum Premier Cru, a minúscula comuna de Saint- -Julien concentra uma grande quantidade de vinhos Classés. Situa-se imediatamente ao sul de Pauillac, bem no coração do Haut-Médoc, e produz também vinhos de alta qualidade, mesclando as características de Pauillac (vigor) com as de Margaux (fineza e elegância).


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Listrac
Produz vinhos robustos, encorpados, de bom prestígio, vários deles na categoria Cru Bourgeois.


Moulis
Pequena comuna de 12 km de comprimento por 350 m de largura com bons Crus Bourgeois.


Margaux
Rivaliza com Pauillac como sendo a região de maior prestígio do Médoc. Em seus 1.300 ha de vinhedos, onde a uva Cabernet Sauvignon predomina, produz-se vinhos de grande elegância. O mais famoso é o Château Margaux. Elegância e delicadeza são as marcas registradas dos bons vinhos daqui.


Graves e Pessac-Léognan
Já fora do Médoc e bem próximo da cidade de Bordeaux, encontramos essas duas regiões. Em Graves, vamos ter o único Premier Cru Classé que faz parte da classificação de 1855 que se situa fora do Médoc, o Haut-Brion.


Sauternes
Nessa região se produz o mais conhecido vinho doce de sobremesa do mundo, o Sauternes, com uvas atacadas pelo fungo "Botrytis cinérea. O mais famoso é o Château d'Yquem


Saint-Émilion
Situada à margem direita do rio Dordogne, a encantadora comuna medieval de Saint-Émilion não constou da classificação de 1855, embora produza vinhos excepcionais. Assim, já em meados do século XX, criaram a sua própria classificação, que é revista a cada 10 anos. São dois os Premier Grand Cru Classé A e 13 os Premier Grand Cru Classé B, além de 46 Grand Cru Classé e vários Cru Classés.


Pomerol
Próxima a Saint-Émilion, a comuna de Pomerol possui também sua própria classificação, podendo ser Premier Cru ou Grand Cru Classé. Seu vinho mais famoso é o Pétrus.

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Entre-Deux-Mers
O nome, cuja tradução é "Entre-Dois-Mares", evoca a situação geográfica da zona, situada entre os rios Dordogne e o Garonne. A maré atlântica faz com que as águas desses rios subam e o nome da região assim se explica. É a maior zona produtora de Bordeaux e também a maior da França, dentre as regiões AOC. Ali predominam os vinhos brancos secos à base de Sauvignon Blanc e Sémillon, os únicos autorizados a ostentar em seus rótulos a denominação AOC Entre-Deux- -Mers. Vinhos bons, frescos e muito agradáveis, para serem bebidos jovens.


Blay Et Bourg
Aqui os melhores vinhos são os tintos. Situa-se bem à frente do estuário do Gironda, na margem esquerda. Devido a seu acesso mais fácil, é uma região produtora mais antiga do que o próprio Médoc. As uvas Merlot e Cabernet Franc predominam na mescla de seus tintos, que lembram, no estilo, aqueles de Fronsac e Saint-Émilion.

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REGIÃO VINÍCOLA DA BORGONHA É BEM MENOR DO QUE A DE BORDEAUX E É DIVIDIDA EM CINCO ÁREAS: CÔTE D'OR (SUBDIVIDIDA EM CÔTE DE NUITS E CÔTE DE BEAUNE), CÔTE CHALONNAISE, MÂCONNAIS, BEAUJOLAIS E CHABLIS

A área produtora da Borgonha não é muito extensa (representa apenas 1/6 do tamanho de Bordeaux) e os principais vinhedos caminhando do Norte para o Sul são:

Chablis (4 mil ha)
É a região mais setentrional da Borgonha, 160 km ao norte de Beaune, bem próxima de Paris e Champagne. O clima da zona é tremendamente rude e frio e, no entanto, é capaz de produzir brancos formidáveis. O segredo é sua geologia: o afloramento da camada superior de uma grande área submersa de calcário, fruto de um acúmulo de conchas de ostras que remontam à pré-história. Como se vê, a combinação clássica Chablis com ostras tem uma origem mais longínqua e insuspeita do que se poderia imaginar.

O Chablis é um vinho duro, mas não áspero, que faz recordar minerais e pedras, ao mesmo tempo que se associa ao feno verde. Um Chablis Grand Cru tem grande personalidade, é austero, longo, envelhece bem e vai ganhando um leve e delicioso amargor com a idade, perdendo aos poucos seus reflexos verdes, uma de suas marcas registradas.

Chablis divide-se em quatro grupos. Os Grands Crus, mais ricos em sabor, originários de uma região mais ao sul e a oeste, que rodeia o rio e o pequeno povoado de Chablis. São vinhos que alcançam notável complexidade com a idade. O Les Clos e o Vaudésir são os melhores. Os Premiers Crus vêm logo a seguir, sendo menos intensos em aroma e sabor do que os primeiros e com teor alcoólico mais baixo. Ainda assim, são muito bons. Seguem-se o Chablis comum e o Petit Chablis, este de poucos atrativos.

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Côte d'Or (4,5 mil ha)
Faixa estreita de encostas situada no centro da Borgonha, se estende de Dijon a Santenay. Produz tintos e brancos notáveis. Divide-se em duas partes: Côte de Nuits (ao norte, 1,5 mil ha) e Côte de Beaune (ao sul, 3 mil ha), e é o mais rico e afamado dentre os vinhedos da região.

Na Côte de Nuits, vamos encontrar os tintos mais ricos, longevos e de maior prestígio. É a região de Chambertin, Gevrey-Chambertin, Morey-Saint-Denis, Chambolle-Musigny, Vougeot, Vosne-Romanée (onde se produz o legendário Romanée-Conti) e Nuits-St-Georges.

A Côte de Beaune produz os melhores brancos do planeta, todos à base de Chardonnay, sendo seus principais vinhedos Aloxe-Corton (berço do Corton- -Charlemagne), Pommard (produtor de tintos), Volnay, Meursault, Puligny- -Montrachet (onde vamos encontrar o melhor, mais famoso e caro dos brancos, o Montrachet) e Chassagne-Montrachet.


Côte Chalonnaise (1,5 mil ha)
Mais ao sul e menos importante que a região anterior, estão ali Rully, Mercurey, Givry e Montagny, pequenos vilarejos produtores de vinhos brancos e tintos com melhores preços.


Mâconnais (5 milha)
Junto ao rio Saône encontramos a cidade de Mâcon, 55 km ao sul de Chalon. Produz o Mâcon, tinto e branco, vinhos com menos atrativos do que os anteriores. Já o Pouilly-Fuissé (sempre branco) é um vinho delicado e muito interessante. Outros Crus : Pouilly-Vinzelles, Pouilly-Loché e Saint-Veran.


Beaujolais (22 mil ha)
Vale aqui como uma citação. É o vinhedo que fica mais ao sul, próximo à Côte-du-Rhône, ao norte de Lyon, e poderia merecer um capítulo à parte. Em termos administrativos, o Beaujolais é parte da grande Borgonha, mas se formos analisar seu clima, topografia, tipos de solo e variedades de uvas plantadas, as diferenças são muitas. Sua produção é bem maior do que todos os vinhedos situados ao norte somados, basicamente da uva Gamay. O Beaujolais é um vinho leve, frutado, agradável, mas de pouca complexidade.


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Foto: Luna Garcia


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